Crônicas

09jun
Baía de Kowloon, em Hong Kong

De volta a Kowloon sem nunca ter ido

Ainda estava sem chip de internet, mas tinha uma noção geográfica que estava perto do rio e fui seguindo o fluxo mais lógico pelo horário e posicionamento do sol, agradecendo (pela milésima vez na vida) os sábios ensinamentos do Manual do Escoteiro Mirim que eu gostava de ler quando criança. Quanto mais eu andava, mais eu me sentia em casa. A cada beco, a cada viela, a cada carrocinha que passava, vinha uma sensação de familiaridade que senti poucas vezes na vida. É como se eu estivesse refazendo um caminho conhecido, sem nunca ter estado ali.
20maio
Pedi a conta, ela não veio - Paulo Rebêlo

Eu pedi a conta, ela não veio, sei que vai chegar, não sei como vou pagar.

A maioria das pessoas da minha geração queria morar sozinha para ter liberdade. Eu queria morar sozinho para comer pizza e hambúrguer todo dia. E coca-cola. Litros de coca-cola. Talvez a conta metabólica chegue aos 50, talvez amanhã ou talvez quando sair o resultado da próxima endoscopia, que pelos meus cálculos será a décima-quinta. A conta pode chegar parcelada, mas também pode chegar de uma vez só, me atropelando feito uma Scania desgovernada, passando por cima de tudo igual a uma jamanta sem freio.
15abr
Seu elogio é minha kryptonita - Paulo Rebêlo

Seu elogio é a minha kryptonita

A todas as poucas pessoas que me elogiaram no passado, posso apenas pedir desculpas aqui por escrito, explicar que não foi por maldade, não foi por desinteresse, foi apenas por autocontrole para não sair correndo para bem longe dessa kryptonita que embaralha minha percepção do mundo.
07abr
Da fofura à gastura - Paulo Rebêlo

Da fofura à gastura

Quando escuto minhas amigas em dúvida se ainda gostam da outra pessoa, eu já sei a resposta, elas também já sabem a resposta, mas a gente senta para beber e concluir o óbvio mesmo assim. O único que nunca sabe de nada é o dito cujo, pois a gente tem essa tendência delirante de achar que as mulheres estão sempre contentes do nosso lado.
06fev
A gente ama quem a gente é - Paulo Rebêlo

A gente ama quem a gente é ou a gente ama quem a gente queria ser?

Nossas diferenças pareciam gritantes, mas o universo ficava mudo diante de um abraço. Súdito do silêncio que sou, aprendi a admirar a suficiência de abraços assim. Infelizmente para mim, e felizmente para os homens que vieram antes e os homens que virão depois, essa suficiência sempre parece muito pouco para muitas pessoas.
06jan
Sanduíche americano do sul - Paulo Rebêlo

Memórias de sanduíche americano do sul

A idade me trouxe um pouco de parcimônia para me controlar e não quebrar na porrada todos os dentes dos jovens que voltam do exterior espantados que lá fora ninguém fala "ecs burguer" e que só no Brasil se usa o termo x-burguer no sanduíche.