Reencontros Dialogados

Paulo Rebêlo // setembro.2004 Reencontro talvez seja o momento mais delicado e emocionalmente complexo na vida relacional de uma pessoa. É quando você tem o mundo em suas mãos durante poucas horas para em uma fração de segundos sentir tudo esmorecer entre os dedos. É difícil dizer o que apavora mais as pessoas: o medo de reencontrar determinado alguém ou o medo de que isso nunca aconteça.

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Tubarões do Recife

Paulo Rebêlo // agosto.2004 Tomara que não mostrem jornais pernambucanos ao Steven Spielberg. Quando ele descobrir que tem tubarão comendo gente por aqui, com a água na altura do umbigo, não teremos mais sossego. Questão de otimização econômica. Os figurantes daqui não cobram cachê. Ficam sem pernas, sem braços, e continuam sem processar ninguém – como se tubarão esfomeado a dois metros da praia fosse natural. Talvez seja, pois sempre aparece gente para dizer que é vontade dos céus.

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Debaixo dos Caracóis…

Paulo Rebêlo // julho.2004 Ficar careca é uma arte. É preciso muito controle e concentração para não se deixar levar por aquela mentira cabeluda ‘é dos carecas que elas gostam mais’. Inclusive, talvez o excesso de concentração seja o motivo de acelerar a queda dos cabelos. A queda, não. Porque os meus não estão mais caindo. Agora eles se jogam.

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Mulheres e Maçãs

Paulo Rebêlo // julho.2004 Uma das maçãs do topo que conheço me enviou algo que fez o alien dentro do meu bucho se debater na própria baba: a definição das mulheres-maçãs. Dizem que foi o Machado de Assis, mas nunca se sabe. Quer dizer, eu não sei. Diz o suposto autor: “mulheres são como maçãs em árvores. As melhores estão no topo. Os homens não querem alcançar essas boas porque têm medo de cair e se machucar. Preferem pegar as maçãs podres que ficam no chão, que não são boas como as do topo, mas são fáceis de conseguir. Assim, as maçãs no topo pensam que algo está errado com elas, quando na verdade, eles estão errados. Elas têm que esperar um pouco para o homem certo chegar, aquele que é valente o bastante para escalar até o topo da árvore.”

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A mulher fresca

Paulo Rebêlo // junho.2004 Mulheres adoram fazer analogias históricas, culturais, antropológicas, sociais, econômicas, políticas, geográficas, químicas, filosóficas e metafísicas para classificar os vários tipos de homens existentes no mercado. A gente cansa de ouvir essas classificações em mesa de bar e de ler em revistas.

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Perdido na noite

Paulo Rebêlo // maio.2004 É incrível como todo mundo quer se dar bem no sábado à noite. Coisa meio sobrenatural. Não importa o lugar ou a pessoa. Tem gente que passa horas dançando na boate e não admite voltar para casa sem conseguir ao menos uma beiçada. Quando não consegue, é quase como ter perdido o final de semana inteiro. Um dia eu hei de abrir um motel. Só vai funcionar entre 21h do sábado e 10h do domingo. O nome do distinto estabelecimento será: ‘Chalés Furunfais do Super Ranzinza’ – abrimos somente aos sábados, não insista. Todo o dinheiro arrecadado será investido na aquisição de micro-câmeras disfarçadas de luz negra.

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Como escrever uma crônica – II

Paulo Rebêlo // abril.2004 Coça a barba e medita. É incrível como todo mundo quer se dar bem no sábado à noite. Ou o povo vai para lugar de azaração, onde as pessoas escolhem a dedo quem vão “pegar”, ou para um lugar cheio de casal. Também é ruim para beber sozinho. Mas… antes isso do que ficar assistindo Zorra Total. Toma banho, coloca um chinelo, bota a calça e pega o último Halls preto. Vai na barraca da esquina: jogar sinuca, escutar Reginaldo Rossi, tomar caju-amigo e comer miúdo de galinha. Faz anotações no caderninho, de novo, sabendo que amanhã não vai lembrar das palavras-chaves.

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Como escrever uma crônica – I

Paulo Rebêlo // abril.2004 Escrever poderia ser um negócio bem mais fácil. Bastava não ter alguém do outro lado para ler. Quase todas as crônicas são escritas durante o fim de semana. Tudo por conta de uma hipocrisia super ranzinza de que, durante a semana, não se deve perder tempo produtivo de trabalho com abobrinhas.

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Palpitações cardio-cibernéticas

Paulo Rebêlo // março.2004 Antigamente era mais fácil se apaixonar. Por conseguinte, também era maior a facilidade de gerenciar as palpitações cardíacas. Até que resolveram inventar o computador, a internet, as mensagens instantâneas, a webcam e, pior de tudo, a maldita idéia de que todo mundo precisa estar plugado para não ficar fora da chamada sociedade da informação. Quanta pieguice. Resultado: hoje, tudo ficou bem mais difícil. Parece que vivemos todos na Matrix. E não aparece sequer uma Trinity para nos salvar.

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