Web 2.0 – uma nova forma de participar

Paulo Rebêlo
Folha de Pernambuco – 30.nov.2005

A internet é a mesma, mas o jeito como as pessoas trocam informações e participam
do mundo virtual está mudando. De um mero receptor de conteúdo, o usuário tem
agora uma gama de serviços online que o transforma em emissor, um papel bem
mais ativo, participativo e interativo. A mudança foi batizada de “Web 2.0” pelos
especialistas e estudiosos do tema, mas o fato é que nem todos se dão conta da
novidade.

Não faz muito tempo, o usuário de internet era apenas um leitor, um receptor. O
conteúdo era criado por “profissionais” e apresentado na web. Com o tempo, novas
ferramentas interativas foram surgindo, como os weblogs. A situação de hoje com a
Web 2.0 é o extremo do que ocorreu na época de ouro dos blogs. Milhões de pessoas
estão migrando de serviços antigos para novas ferramentas bem mais interativas e,
melhor ainda, passam a ser donos de conteúdo próprio e invertem os papéis. Não
são mais espectadores.

A base da Web 2.0 consiste em quatro serviços online e gratuitos, com novos
adeptos a cada dia: o Flickr, um sistema de fotolog turbinado, porém ao mesmo
tempo discreto e profissional; o RSS, uma tecnologia de agregar notícias e recebêlas
em tempo real quando são atualizadas; o Podcast, pelo qual você pode se tornar
um apresentador de rádio e ter programas de entrevistas; o Wiki, um conceito de
edição aberta de conteúdo no qual todos escrevem ao mesmo tempo; entre tantos
outros.

Se você ainda não usa as ferramentas da Web 2.0 (veja box na página 2), é bom ir
se mexendo. Um exemplo é o Del.icio.us que, apesar do nome, não tem nada a ver
com culinária. Trata-se de um gerenciador social de bookmarks pelo qual você
compartilha, com todos, o endereço de sites interessantes. Ao se logar no sistema,
você tem acesso aos bookmarks dos participantes e pode classificar os sites por
popularidade ou tópico. Melhor ainda, acabou o problema de “perder” os favoritos na
reinstalação do Windows, já que eles ficam disponíveis online.

Recursos são trunfos do Flickr

Parece apenas mais um site de fotolog, mas não é. Em pouco tempo, o Flickr ganhou
a simpatia dos usuários e as atenções do mercado. Não à toa, foi adquirido pelo
Yahoo e já é responsável por um acréscimo considerável da popularidade do portal.
O objetivo do Flickr é abrir um espaço personalizado para o usuário gerenciar ou
exibir fotos, mas sem a badalação dos fotologs com dezenas de comentários sem
sentido e competição para ver quem tem mais acesso ou “amigos”.

O maior trunfo do Flickr, contudo, é a possibilidade de enviar as fotos para o site a
partir de várias fontes: computador, celular, palmtop, e-mail etc. Os recursos de
gerenciamento e organização também contam, pois o usuário pode acrescentar
tarjas (tags) em cada foto, como se fosse uma palavra-chave. Assim, quem procurar
por fotos do “Recife”, por exemplo, terá uma lista com as pessoas que tenham
marcado o nome da cidade nas imagens.

A administradora de empresas Paula Karina, adepta das fotos digitais, só conheceu o
serviço há dois meses. “É o Flickr que me incentiva na fotografia digital, já que posso
publicar várias fotos ao mesmo tempo em um único dia. Os outros impõem uma
série de restrições”, explica. Anderson Stevens, que trabalha com comércio exterior,
realça que o espaço é “reservado para quem realmente gosta de fotografia e quer
expor, ajudando outras pessoas a aprender mais sobre a arte”, diz. Junto com o
estudante Marcos André de Melo, os três formam o típico perfil dos usuários da Web
2.0. “Conheço praticamente todas as opções de fotolog, mas é no Flickr que arquivo
minhas fotos, debato técnicas e faço amigos interessados nos mesmos temas”,
completa Melo.

Textos, blogs e fotos via RSS

Com tanta novidade, conteúdo, fotos e notícias em tempo real na internet, fica difícil
ter tempo para ler e conhecer tudo, certo? Pois, em vez de visitar vários sites para
se atualizar, saiba que a tecnologia RSS (do inglês, Really Simple Syndication) pode
agregar tudo em um único software e levar até você. Com um programa leitor de
RSS, você acrescenta os endereços específicos e recebe o conteúdo. O Flickr, por
exemplo, disponibiliza o link RSS para avisar quando há fotos novas disponíveis para
visualização.

A maioria dos sites de notícias na internet já possui o link. Procure pelo pequeno
quadrado vermelho/laranja na página principal ou, simplesmente, pelo nome RSS.
Para os iniciantes, um bom início é procurar os programas Feedreader, Awasu,
FeedDemon, SharpReader e tantos outros para escolher. Você também pode guardar
seus links RSS online, em serviços como o Bloglines, que já oferecem uma imensidão
de sites com o recurso.

SERVIÇO:
www.bloglines.com
www.feedreader.com
www.sharpreader.net
www.awasu.com

Enciclopédia sempre aberta

Bons tempos em que a Barsa servia como decoração nos móveis da sala. Com a
digitalização das enciclopédias, os principais títulos foram gravados em CD-ROM ou
DVD, como foi o caso da Britannica, do Almanaque Abril e da Encarta, esta sob a
grife Microsoft. Com o conceito de Wiki, a história é outra. De graça, você tem na
internet a Wikipedia, uma enciclopédia em oito idiomas e no esquema colaborativo,
ou seja, você também pode escrever textos e publicar sobre assuntos do seu
conhecimento.

“Descobri a Wikipedia há quatro meses e acho fantástico como é fácil de usar. Em
português não tem tanto conteúdo quanto em inglês, mas é bom do mesmo jeito.
Além dos artigos técnicos e científicos, você pode ler as opiniões das pessoas, as
divergências… é bem interessante”, explica a administradora de sistemas do CIn na
UFPE, Juliana Gouveia. Uma das grandes vantagens da Wikipedia é que,
diferentemente do Google, as informações estão organizadas e divididas por tópicos
e subtópicos, a exemplo de uma enciclopédia de papel.

SERVIÇO:
www.wikipedia.com

Sobre Podcast – aqui

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