Um doce para Maria

Sem tirar o olhar do prato vazio, elas cruzam o garfo e faca, empurram suavemente para frente e dizem que não querem sobremesa. Ela também disse, duas ou três vezes, que não estava chateada, era apenas dor de cabeça ou cólica.

Nenhuma mulher feliz nega sobremesa.

Às vezes, o cálice sagrado da compreensão feminina é a negação da sobremesa. Principalmente se for em um restaurante bacana, daqueles conhecidos intermunicipalmente por terem os melhores brownies, cheessecakes, petit gateau e outras firulas irresistíveis ao suicídio calórico das criaturas.

Se na hora da conta ela pedir um café, talvez ela não esteja apenas chateada, talvez também queira transformar seu pescoço em pequenos escalopes de filé. Ela nunca bebe café.

Se é verdade que quando elas dizem “não” significa “sim” e quando elas dizem “sim” significa “não”, por que a gente não aprova uma emenda constitucional para transformar em lei essa aberração comportamental?

Talvez porque sempre haja a esperança de um entendimento mútuo entre homens e mulheres em oclusão. Deve acontecer mais ou menos na época de celebrar as bodas de urânio enriquecido, ou seja, depois de 127 anos de união.

Se é verdade que Elvis não morreu, O.J. Simpson não matou a esposa e Michael Jackson era apenas vítima das circunstâncias, por que não poderíamos acreditar em um mundo onde a gente não precise de jogos verbais, sinais corporais ou pistas dignas do Dick Tracy para entendermos algo que uma mulher poderia explicar usando apenas três letrinhas, sim ou não.

Deixei meus sonhos de criança para trás, mas entre meus sonhos de adulto eu queria acompanhar por dois dias a vida de um casal de especialistas em programação neurolinguística. Dois dias bastam.

Porque nenhum homem feliz deveria se preocupar com PNL.