Turismo valorizado em Chicago


Paulo Rebêlo
Diario de Pernambuco
05.outubro.2008

Chicago – A terceira maior cidade dos Estados Unidos, atrás apenas de Los Angeles e Nova Iorque, pouco ou nada precisa fazer para atrair turistas e dinamizar a economia. Nem por isso o governo local parece desmerecer o papel do Convention Bureau de Chicago, capital da arquitetura, com quase três milhões de habitantes.

A exemplo de Miami, a maioria dos turistas ainda é local. Para se ter idéia do potencial de visitação, 16% dos 300 milhões de habitantes nos EUA residem num raio de 500 quilômetros da cidade. De acordo com o diretor-executivo do Chicago Convention Bureau, Mark Tunney, grandes números e estatísticas não são suficientes. “Apesar de tudo, não somos reconhecidos internacionalmente, acredite. Nossa meta é que isso mude com nossa candidatura para sediar a Olimpíada de 2016”, antecipa.

Bem diferente do Convention Bureau de Miami, o de Chicago praticamente não revela maiores detalhes sobre a peculiar convivência entre iniciativa privada e governos locais quando o assunto é captação de recursos e atração de turistas. Os dois órgãos, sem fins lucrativos, foram visitados, em setembro, durante a primeira missão empresarial de Pernambuco aos Estados Unidos, organizada pelo Recife Convention & Visitors Bureau (RCVB) e pela Câmara Americana de Comércio (Amcham).

Para Mark Tunney, existe um detalhe fundamental que todas as cidades com potencial turístico deveriam entender: a proximidade com a rede hoteleira. Dependente de fundos dos governos municipal e estadual, além dos membros associados, o Convention de Chicago atribui a maior dose do sucesso às taxas cobradas pelos turistas quando visitam a cidade. E não são poucas, as taxas.

No caso de Miami, além da taxa hoteleira e dos repasses no orçamento público, o governo ainda transfere ao Convention uma porção de outra taxa: a de restaurantes. Não à toa, o presidente do Miami Convention, William Talbert, assustou-se quando soube que, no Brasil, a chamada “taxa de turismo” não é compulsória, masapenas uma contribuição voluntária dos visitantes ao fecharem a conta do hotel.

De acordo com Tatiana Menezes, diretora-executiva do RCVB, cerca de 40% dos turistas contribuem quando visitam Pernambuco. Para Talbert, “se você vai taxar os turistas, nós certamente iremos conseguir atrair ainda mais turistas”, gaba-se Talbert, que garante promover um “marketing agressivo” durante 24h por dia para a região da Grande Miami. “Enquanto os outros dormem, nós vendemos nossos destinos”, deixa o recado.

Taxas – As fontes de receitas do Convention Bureau em Miami seguem uma lógica simples: 15% da iniciativa privada e 85% de dinheiro público, incluindo as diversas taxas cobradas a visitantes, que só fazem aumentar a cada ano. “O prefeito tem total confiança no trabalho feito por nós”, diz o presidente William Talbert. “Temos várias fontes de receita, consequentemte a pressão é muito grande sobre nossa contabilidade. Por isso, tudo é transparente e aberto: números, procedimentos, cotas e operações”, resume.

Americanos no Recife

Miami e Chicago – Quem é o turista americano com potencial de visitar o Nordeste, principalmente Pernambuco, com a inauguração de novos vôos diretos entre o Recife e os Estados Unidos? Com a crise econômica atualmente em curso nos EUA, a pergunta tem tirado o sono dos principais executivos e operadores de turismo nos dois países.

A partir de novembro, com a retomada da rota Recife-Miami pela American Airlines; e em dezembro, com a ligação Recife-Atlanta pela Delta, a infra-estrutura para recepcionar os turistas em Pernambuco será, teoricamente, colocada à prova. Nos bastidores, contudo, a impressão é que pouco ou nada irá mudar no sentido de trazer americanos para a região. “Certamente, os novos vôos vão servir para o público brasileiro que poderá visitar, com mais facilidade, os EUA”, acredita Geraldo Marques, um dos diretores da Brasil Online (Brol) em Miami.

As vendas já começaram e o turista pernambucano pode conseguir tarifas promocionais para Miami durante o primeiro mês de operação. No caso do americano, contudo, a história é outra. “Americano não vai para o Brasil por conta própria. Ele tem parentes, amigos bem próximos ou alguma ligação pessoal com o país. São poucos”, garante Miguel Mazza, da Tropi Tour em Miami. A opinião é compartilhada por todos os operadores de turismo entrevistados pela primeira missão empresarial de Pernambuco aos EUA, organizada pelo Recife Convention & Visitors Bureau (RCVB) e a Câmara Americana de Comércio (Amcham).

A aposta do turista nordestino que deseja visitar os EUA pode ser traduzida em números. Na região da Grande Miami, somente o Brasil responde por 400 mil visitantes por ano. E segundo o presidente do Miami Convention Bureau, William Talbert, os brasileiros estão entre “os que mais compram” de todos os turistas internacionais.

Entre os americanos curiosos, aqueles sem qualquer tipo de ligação prévia com o Brasil e que sondam uma possível viagem de férias, o principal temor continua sendo a segurança pública. Outro exemplo: quem vem de Chicago, conhecida como a “cidademais acessível do mundo”, dificilmente voltará com boa impressão da região Nordeste ao conhecer a infra-estrutura disponível para pedestres, ciclistas e pessoas com necessidades especiais.
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* O repórter acompanhou a missão empresarial a convite da Amcham e do RCVB.

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