Batalha vital aos partidos de oposição

ELEIÇÕES // Grupos adversários ao prefeito João Paulo lutam para tentar quebrar hegemonia dos governistas nos três níveis de poder

Paulo Rebêlo
Diario de Pernambuco – 29.junho.2008

O PT encarnou o espírito de Nostradamus ao tentar fazer previsões com muita antecipação sobre as eleições municipais de outubro. Depois de João Paulo, que diz acreditar piamente na vitória logo no primeiro turno, agora é a vez de João da Costa sair com o nome do candidato que irá concorrer (com ele) no segundo turno: Mendonça Filho (DEM). Em entrevista à Rádio Folha, na última sexta-feira (27), o pré-candidato petista apenas ratificou as conversas de bastidores. Mas a importância desta eleição para Mendonça Filho, contudo, vai muito além de uma mera polarização com o candidato governista, cuja campanha é coordenada e idealizada pelo prefeito João Paulo.

Mesmo que o candidato do PT perca, a situação da “esquerda” em Pernambuco continua favorável, diante da atual conjuntura estadual, com Eduardo Campos (PSB) à frente do estado e claro candidato à reeleição em 2010; e com os últimos dois anos da gestão de Lula como presidente. Conforto semelhante não tem a oposição. Em caso de derrota, é difícil o cenário para Mendonça em campanhas majoritárias, depois de ter perdido a eleição para governador em 2006 vindo de uma gestão (como vice de Jarbas Vasconcelos) bem aprovada pelas pesquisas e com o poder da máquina na campanha.

O agravante maior é a responsabilidade de Mendonça, líder nas pesquisas de opinião, se for mesmo para o segundo turno, situação na qual possivelmente reuniria o bloco de oposição ao governo de João Paulo. A importância deste embate entre situação e oposição, neste ano de 2008, será crucial para o início das articulações visando 2010, com campanhas para o Senado e para o governo do estado.

Para o cientista político e analisa de pesquisas Adriano Oliveira, uma eventual vitória de Mendonça Filho se trata, na verdade, do credenciamento nato para concorrer ao governo estadual em 2010. “Por outro lado, se perder, o histórico não será bom e sobrará apenas a candidatura a deputado federal. Ele não vai ter condições de disputar outra majoritária diante de uma nova derrota”, pondera Oliveira. O poder de fogo do democrata, caso consiga reunir o bloco de oposição no segundo turno, seria crucial. “Para o PT, a eleição precisa ser decidida no primeiro turno. Não é apenas uma questão de crença ou esperança”, explica o pesquisador.

Sobre o risco pelo qual o PT passa em um eventual segundo turno, Adriano Oliveira acha que o peso maior cairá sobre os ombros do atual prefeito. “O PT em Pernambuco é João Paulo. E para complicar um pouco mais, ele sabe que se perder as eleições, quem sai fortalecido é o grupo de Humberto Costa, principalmente Maurício Rands. Os depoimentos recentes de Humberto mostram claramente como o ressentimento com o grupo de João Paulo ainda é presente, nítido”, garante Oliveira, referindo-se à reclamação de Humberto sobre o apoio do PSDC, presidido pelo vereador Luiz Vidal, à campanha de João da Costa.

Trampolim para saltos maiores

Historicamente, os cargos majoritários em Pernambuco são a porta de entrada para uma maior projeção nacional. E dentro deste contexto, a Prefeitura do Recife é o principal trampolim para o governo estadual. De 1983 até agora, os governadores foram Roberto Magalhães, Gustavo Krause, Miguel Arraes, Carlos Wilson, Joaquim Francisco, Miguel Arraes (de novo), Jarbas Vasconcelos e Mendonça Filho. À exceção deste último, todos os anteriores exerceram cargos significativos na esfera federal ou representaram seus partidos com bastante publicidade nacional. Destes, Roberto Magalhães, Jarbas, Krause e Joaquim foram prefeitos do Recife.

Para o cientista político Túlio Velho Barreto, da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), a tese do trampolim é mais do que correta. No caso de Mendonça, que conta com o recall da última eleição estadual em 2006, a tese é ainda mais nítida. “Para ele, o significado é maior porque o DEM não tem outro nome à altura para concorrer. Quem mais teria chances de ir contra Jarbas Vasconcelos e seu candidato Raul Henry, e contra o candidato da situação João da Costa? Só Mendonça”, acredita.

Velho Barreto lembra, contudo, que o trampolim não funciona apenas para a oposição, mas também cairia como uma luva para o prefeito João Paulo, caso consiga eleger João da Costa. “Quem bancou o nome de João da Costa, diante de tantas adversidades e negações? O maior vitorioso seria ele (João Paulo), sem dúvida. Ele quer mais do que ser simplesmente o primeiro prefeito eleito do PT no Recife, ele quer ser a principal liderança em Pernambuco”, arrisca o pesquisador.

Na opinião do pesquisador da Fundaj, João Paulo disputa espaço com Eduardo Campos para ver quem é a maior liderança de Pernambuco, logo, é compreensível que queira dar um salto maior em sua carreira política. “Pode até ser com um ministério no governo Lula, como muita gente insinua. Inclusive, é fácil existir já alguma articulação nesse sentido, de repente faz parte do acordo para que Eduardo apóie a chapa e, assim, não se crie uma sombra para ele [Eduardo]”, arrisca.

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