Os novos donzelos

Terra Magazine – abril.2010 Dia desses, pediram minha opinião profissional sobre uma dúvida muito complexa: como ganhar dinheiro fazendo um site de mulheres sem sacanagem? Não tem mistério. É só colocar sacanagem. Vai chover de mané com cartão de crédito. Porque de todas as mazelas que o computador nos trouxe, poucas superam o surgimento desta nova classe de donzelos conectados. Eles conseguem até telefone de garota de programa pela internet, veja que maravilha. Lógico, somente depois de conferir fotos em alta resolução que elas enviam por e-mail pelo notebook baratinho da Positivo que elas ganharam de presente de um cliente. Tudo muito higiênico e seguro, sem perigo de esbarrar em cafetão. Lascívia delivery. Com desconto e cartão infidelidade. De passagem por São Paulo no feriadão, me escondo daquela chuva interminável debaixo da marquise na Augusta. Enquanto espero o táxi anfíbio, duas moças conversam em polvorosa. A jovem donzela lamentava o fim do namoro. Não foi por ter pego o cônjuge na cama deles com uma sirigaita qualquer, como acontecia antes. Até porque hoje ninguém mais sabe o que é sirigaita. Ela abriu o computador do donzelo e o site mais acessado era um tal de Bitch Maps. Fez as malas do coitado e chutou-lhe a bunda.

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Pequenas burguesas, grandes afeições

Paulo Rebêlo // fevereiro.2007 Janeiro é quando as pessoas costumam fazer aquelas listas inúteis de prioridades. É sempre a mesma coisa, em fevereiro a gente nem lembra mais da lista e no final do ano não fizemos metade do que imaginamos. E no próximo ano, o ciclo se repete e, num piscar de olhos, uma década se passa e a gente ainda não escreveu aquele livro, não plantou aquela árvore e não fez aquele filho. (oficialmente) Em vez de perder cinco minutos pensando sobre nossos feitos e desfeitos, poderíamos perder cinco minutos refletindo sobre os feitos e desfeitos das outras pessoas na nossa vida e fazer uma lista de prioridades contra elas. É que depois de alguns anos, a gente olha para trás e percebe que, afinal, aquelas burguesas e patricinhas não eram tão burguesas e patricinhas assim. Hoje, quem sabe, tenham se transformado em donas-de-casa.

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O azeitador de maquinário

Paulo Rebêlo // julho.2003 A palavra azeitador não está classificada no dicionário. Não tem nada a ver com azeite. Ou até tem, depende do ponto de vista. Azeitador é simplesmente o bondoso cidadão responsável por fazer a troca de óleo nas mulheres, a partir das necessidades exclusivas delas. Bem-azeiturados são aqueles que já assimilaram a verdade: os engates do maquinário feminino requerem troca de óleo tanto quanto os engates masculinos. A natureza assim definiu.

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Bíblia do Solteiro Apostólico V

Paulo Rebêlo // junho.2003 Parte 5 (final) – Cama, mesa e banho: o fim da revelação – Então você resolveu seguir nossas dicas esotéricas da crônica anterior e, finalmente, uma beata resolveu criar coragem para conhecer o seu cafofo. Significa que você está prestes a celebrar o ápice doutrinário: a cerimônia da fusão dos corpos. A arrumação da cama é um aspecto muito importante. Depois de tanto tempo para convencê-la a ir tomar um vinho em copo de plástico, é hora de você trocar os lençóis, as fronhas dos travesseiros e deixar a cama toda arrumada para a ocasião. E é justamente na arrumação que a porca torce o rabo.

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Homens não ligam no dia seguinte

Paulo Rebêlo | nov.2001 Estava eu folheando um semanário quando, de repente, leio uma propaganda de uma operadora de cartão de crédito que dizia mais ou menos assim: “perfume tal: 50 reais; vestido novo para a festa: 120 reais; ele ligar no dia seguinte: não tem preço”. Na propaganda, aparece uma mulher de roupão, deitada no sofá, com aquele sorriso que bate na testa, tamanha a satisfação. Em minha impopular (porém imbatível) sensibilidade e romantismo de botequim da esquina, achei essa apelação um motivo suficiente para comentar sobre a pieguice neofeminista que prega o chavão de que nós, homens, seres humanos de duas cabeças impensantes, não gostamos de ligar no dia seguinte porque somos machistas, cafajestes, vulgares, biltres, infames e outros adjetivos ocasionalmente não muito falsos. O interessante é a celeuma com a qual homens e mulheres criaram em torno da ligação no dia seguinte. Aquela velha ladainha: se fulano ligar é porque está interessado. Se fulano não ligar é porque só quis passar uma noite. Acredite: às vezes homem também tem dessas frescuras contemporâneas. Outro dia li o depoimento de uma colega que resolveu se juntar ao meu protesto anti-neofeminista. Ela nos dá um exemplo ímpar sobre a lengalenga

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Pijamas e namoros

Paulo Rebêlo // junho.2000 O nhém-nhém-nhém começa em maio. Algumas agências de publicidade se arriscam a anunciar o dia dos namorados um mês antes, com os clichês que ninguém conhece: “você não vai deixar de comprar o presente da sua namorada na última hora, vai?”. Ainda em maio, os motéis começam a anunciar as promoções para o mês de junho: “em junho, mês dos namorados, suítes luxo pelo preço das simples” e por aí vai. Tudo muito belo, tudo muito bonito. Chega o mês de junho, e logo nos primeiros dias o bombardeio de publicidade começa. No trânsito, parece que todos os outdoors falam o mesmo idioma: promoções para o dia dos namorados, belos casais se abraçando — com a logomarca de determinadas empresas ao lado — e mensagens românticas estampadas no letreiro. É interessante notar como, nas propagandas, todos os namorados são iguais. Belos, brancos, felizes e com dinheiro para gastar.

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