A bola dos outros

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Outro dia, vi duas crianças discutindo o futuro delas como profissionais. Uma queria ser desenhista, outra queria ser médica. Fiquei em choque. Quando eu era guri, queria ser jogador de futebol; igual à maioria dos meninos. Só queria jogar bola. Depois percebi que os meninos que jogavam bem tinham sempre mais atenção das meninas mais bonitas. Na rua, no colégio, na praia e até debaixo do viaduto.

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Quando elas dizem sim

Paulo Rebêlo Portal NE10 | 07-maio-2012 | link Uma das maiores surpresas da minha vida foi quando convidei uma mulher bonita para sair e ela aceitou. Sem saber, ela acabara de violar a regra mais universal da adolescência masculina: a de que mulheres bonitas só querem sair com homens bonitos. Todos os meus objetivos de vida perderam o sentido. Eu não precisava mais ser fortão para que as mulheres bonitas olhassem para mim. Não precisava mais estudar para arrumar emprego. Não precisava mais ler vários livros por mês para parecer inteligente. Não precisava mais assistir filme francês para parecer descolado. Não precisava mais ser marxista para dar pinta de cabecista. Não precisava mais rezar antes de dormir para ver se acordava um pouco menos feio. Não precisava mais reclamar da genética por ser baixinho e míope. Enfim, não precisava mais tentar ser alguém teoricamente interessante para mulheres supostamente interessantes. Então o que sobrava para eu fazer da vida? Foi a abertura do Portal de Belzebu para um mundo totalmente novo e inexplorado. Fui à livraria procurar algum manual ou guia ilustrado, mas não encontrei. Deixei os filmes europeus de lado e fui assistir James Dean e Marlon Brando, mas não aprendi nada porque

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Brazil’s Security Concerns Rise as 2014 FIFA World Cup Approaches

Paulo Rebêlo Diálogo – March 5, 2012 link original BRASÍLIA — The head of the Federal Police in São Paulo is preparing his officers for Brazil’s upcoming 2014 FIFA World Cup. South America’s largest country has never had to deal with a major terrorist attack and officially dismisses the existence of terrorists within its borders. But Roberto Troncon Filho told Brazil’s largest daily newspaper that the World Cup will present local authorities in a dozen cities with unique safety challenges. “In Brazil, the [threat] level is very low, but an event like the World Cup can provide the opportunity for an attack, not against the Brazilian people, but against an international delegation,” Troncon told Folha de S. Paulo in a recent interview. The month-long event, scheduled for June 12 to July 13, 2014, will mark only the second time in history that soccer’s most important tournament has taken place in Brazil; the first time was back in 1950. Twelve Brazilian cities were selected as World Cup venues out of the 17 that applied. The 12 are Belo Horizonte, Brasília, Cuiabá, Curitiba, Fortaleza, Manaus, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador and São Paulo. Targeted infrastructure initiatives in the host

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As crianças de Brasília

Paulo Rebêlo Revista MeiaUm – ed. 4 – junho.2011 * ilustração por Claudia Dias Quando coloquei os pés em Brasília pela primeira vez – lá se vão quase 25 anos – pensei comigo mesmo: as crianças daqui devem ser muito felizes. Senti uma inveja retardatária. Os anos passam e, durante todas minhas viagens a trabalho para cá, sempre carreguei o mesmo pensamento. Crescer em Brasília deveria ser o paraíso. Contudo, por estar sempre a trabalho, não tinha tempo para nada. Muito menos para observar se as crianças daqui eram mesmo felizes. Hoje, morando no Plano Piloto pela segunda vez, não sei dizer se elas são mais felizes do que as outras crianças. Agora, com tempo para observar mais de perto, sempre me pergunto: onde estão as crianças de Brasília? Não as vejo em lugar algum. Olho para tanto espaço livre e não as encontro.

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Eleições 2010: candidatos TOP GG (joinha-joinha)

Esporte Acelino Popó Freitas (PRB-BA)- O boxeador concorre a deputado estadual Maguila (PTN-SP)- Ex-boxeador, quer ser deputado federal Marcelinho Carioca (PSB-SP)- Ex-jogador, concorre a deputado federal Romário (PSB-RJ)- Ex-jogador, busca uma vaga na Câmara Federal Vampeta (PTB-SP) – Ex-jogador, concorre a deputado federal Fabiano (PMDB-RS) – Ex-atacante do Inter, é candidato a deputado estadual Danrlei (PTB-RS) – Ex-goleiro do Grêmio, concorre a deputado federal Música: Gaúcho da Fronteira (PTB-RS) – Músico concorre a deputado estadual Kiko (DEM-SP) – Membro do grupo KLB, concorre a deputado federal Leandro (DEM-SP) – Integrante do KLB, concorre a deputado estadualNetinho (PCdoB-SP) – Cantor do grupo Negritude, concorre a senador (Aquele que bateu na mulher, lembram?)Reginaldo Rossi (PDT-PE) – Cantor, concorre a deputado estadualRenner (PP-GO) – Integrante da dupla Rick&Renner, concorre ao SenadoSérgio Reis (PR-MG) – Cantor e ator, concorre a deputado federalTati Quebra-Barraco (PTC-RJ) – Funkeira, concorre a deputada federal Televisão: Ronaldo Esper (PTC-SP) – O estilista quer ser deputado federal Pedro Manso (PRB-RJ) – Humorista, disputa na vaga na Assembleia Legislativa Dedé Santana (PSC-PR) – Humorista, quer ser deputado estadual Tiririca (PR-SP) – Humorista, disputa uma vaga na Câmara Federal Batoré (PP-SP) – Humorista, quer uma vaga na Câmara Federal Frutas: Mulher Melão

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Cervejeiros de araque

Não entendo nada de futebol. Nem de matemática. Mas entendo um pouco de cerveja. Daí minha dificuldade de levar a sério o Dunga como profissional de qualquer coisa. E tantos outros aratacas. Há duzentos anos não vejo ninguém pedir uma Brahma na mesa de bar. Agora todo mundo é brameiro. Tire o ‘h’ da marca e consulte pai Aurélio. Não é o Miguel. De futebol não entendo se a escalação do Brasil é boa ou ruim, nunca ouvi falar de metade dos jogadores. Conheço o Grafite, jogou na minha terra pelo Santa Cruz (2001-2002), time hoje confortavelmente situado na disputada Série D do Campeonato Brasileiro. De matemática, não entendo se é humanamente possível uma pessoa faturar uns 500 mil reais por mês e sentir qualquer diferença se ganha ou perde um jogo de futebol. Aqui ou além-mar. Mas, de cerveja, entendo o mínimo para não levar a sério ninguém que se prontifica a me dizer que cerveja ruim é cerveja boa como se eu tivesse nascido ontem do cruzamento de um ministro da TFP com uma missionária Jeová. Num país onde ninguém lembra quem colocou para mandar na vida da gente no Senado, essa história de brameiro e guerreiro é um

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Anormais

A ciência tem muito a aprender com o carnaval brasileiro. Durante os dias de folia, a sociedade se divide (por conta própria) em pessoas normais que vão brincar carnaval ou aproveitar o feriadão viajando; e as pessoas anormais que ficam em casa e trabalham sem ninguém pedir ou querem fugir da esbórnia momesca. Poderia ser simples assim, mas não é. Fulano passa o ano inteiro sedentário, não sobe sequer um andar de escada quando falta luz no edifício (melhor esperar fumando na portaria) e, durante o carnaval, o mesmo ser humano dorme apenas quatro horas por dia e passa cinco dias subindo e descendo ladeira, pulando atrás de trio-elétrico por oito horas seguidas, não faz nenhuma refeição decente e vive apenas comendo batata frita e coxinha de aquário. No dia seguinte a criatura está inteirinha da silva, zero bala, já acorda fantasiada, gritando e pulando igual ao boneco Chucky do Brinquedo Assassino, aparentemente entalado de pilhas alcalinas e metanol nas entranhas. Como isso pode ser normal? A televisão já produziu o Hulk – era um cientista antes do acidente no laboratório – mas até hoje a nossa ciência não descobriu de onde essas pessoas normais, que brincam carnaval, tiram tanta energia do nada. Agora

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A lágrima masculina

Paulo Rebêlo |   abril 2009 Homens também choram. Nem sempre pelos motivos mais nobres, é verdade. Mas nem por isso podemos desvalorizar cada gota de lágrima a escorrer pela barba. Há nove anos, quando o Sport Recife perdeu de virada para o Palmeiras o inédito título da Copa dos Campeões, faltou saliva para engolir. Era o ano 2000 no estádio Rei Pelé em Maceió. Sentado no alambrado, de olhos marejados, subi as mãos à cabeça diante de tamanha desgraça de uma vida inteira. E por um minuto hesitei. Vi um marmanjo de 1,95m a chorar. Minutos atrás, imaginei que aquele cidadão fosse invadir o campo, puxar uma pistola da cintura e atirar a esmo, tamanha a brutalidade durante os 90 minutos anteriores. Deitado sob o colo de uma senhora, provavelmente a senhora sua mãe, o brutamontes chorava. Copiosamente.  

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Lembranças de uma peladinha, no bom sentido

Paulo Rebêlo // junho.2006 As mulheres talvez nunca compreendam a magia que o futebol proporciona ao ego bronco-masculino. Por mais perna-de-pau que seja, todo macho já foi boleiro um dia. Até chegar o momento em que ele acorda e percebe que existe vida (e contas a pagar) fora dos campinhos de barro. A secura infanto-juvenil pela bola desconhece limites. Contraria os preceitos da Física, debocha das leis (pai e mãe) e é uma verdadeira escola superior para qualquer pretendente a MST.

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