Crônicas

O cão vegano do segundo livro

Paulo Rebêlo | mai.2017

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Capiroto, me perdoa. Eu comi uma coxinha vegana e gostei. Sei que foi uma heresia. Mas a safada estava melhor do que a maioria das coxinhas de galinha que o Deus Mercado me oferece.

Não criemos pânico. Ainda não há risco ao nosso altar, ali na BR-232, porque a coxinha com catupiry do Rei das Coxinhas continua sendo o nosso norte, nosso alimento sagrado, nosso rumo e nossa vida ao óleo e óleo.

Não obstante cá estou, orando a ti, pedindo força e disciplina, para não mais cair em tentação e não mais aceitar outros experimentos hereges quando me fizerem oferendas gastronômicas.

Diga-me, o que seria do nosso universo em descontrole se houvesse uma empada vegana? Tenho pesadelos ao imaginar um terrorista vegano descobrindo a fórmula de uma empada vegana de queijo do reino.

Seria o apocalipse zumbi, o fim dos tempos, o dia em que o sertão vai virar mar, o Armagedom sem o Bruce Willis para nos salvar e as vacas criando asas para voar.

Nesse dia, até o nosso cão do segundo livro vai virar um gatinho fofo de Facebook.

O que essa gente vegana tem feito com nossos princípios?

Gente perigosa. Desconfio que essa seita maligna coloca mulheres lindas em nosso caminho para nos desvirtuar. Com aqueles corpinhos de sereias herbívoras cujas curvas se encaixam perfeitamente ao nosso bucho de picanha. Com o propósito maquiavélico de nos deixar famintos e abestalhados, aceitando qualquer alimento sem questionar as escrituras dos ingredientes.

Começo a crer que as lendas do tio Bel estavam certas. Tudo começa a fazer sentido. Em nome do bem maior, ele abdicou do próprio nome para batizar uma raça inteira de bovinos, o gado Zebu, cuja origem fica onde, mas onde mesmo? Justamente na Índia. Você percebe a cilada disso tudo?

Nosso tio Belzebu nunca mais foi o mesmo depois que abriu mão do próprio nome para nos deixar o legado bovino que agora começa a ser abatido com a máxima crueldade. De coxinha em coxinha.

Tudo premeditado. Querem nos tomar o mundo. Eles assistem ao Planeta dos Macacos e torcem para os macacos. Mesmo nas continuações horríveis com aqueles efeitos especiais de novela, ainda assim eles torcem para os macaquinhos indefesos.

Eles não conseguem enxergar a beleza da seleção natural, dos milhões de anos que fomos perseguidos pelos dinossauros que faziam espetinho da gente. Não foi fácil chegar ao topo da cadeia alimentar. Mesmo com a ajuda do meteoro.

Eles não conseguem engolir o prazer que nós temos de bater no peito (desfiado, sem osso) e dizer que estamos no topo dessa escala. Que estamos acima do Rei Leão, acima até mesmo do rei Joffrey Baratheon do Game of Thrones. Ele também bateu as botas e a gente continua aqui.

A beleza disso é indescritível, somos mais donos do mundo do que o Leonardo DiCaprio na ponta do Titanic, somos exterminadores mais eficientes do que o Arnold Schwarzenegger dando tiro de 12 na Skynet.

E o que esse povo vegano diz em relação a isso?

Não dizem nada. Apenas pedem para a gente segurar por um minuto a quentinha de coxinhas veganas e bolinhos crocantes de jerimum e ficam nos olhando com aquela lascívia vegetal.

Eles nos conhecem melhor do que nós conhecemos a eles. Eles usam o tempo livre para ler Sun Tzu e tratados de ética e filosofia animal, tornando-se generais de alta patente no churrasco do fim de semana. Enquanto a gente usa o nosso tempo para assistir Family Guy no Netflix e enrolar o nosso cérebro em bacon.

A seita dos veganos talvez siga a cartilha das igrejas universalmente eficientes do mercado. Conseguem treinar as pessoas certas, nas horas certas, para colocar no caminho dos glutões barrigudinhos.

E as sereias veganas não falam em benefícios da saúde, não falam em alimentação saudável e nenhuma dessas baboseiras pseudo-religiosas daquele povo que até hoje tá procurando a Rosana nas alturas e não encontra a danada.

Elas apenas se colocam na sua frente, de vestidinho e sandália, daí você percebe que saúde é essa!!!, meu capiroto do céu. Não é possível que não tenha ali uma maionese, uma cremogema artificial, um rastro das vaquinhas mimosas.

Por falar em mimosas, temos outro problema que vamos precisar combater o quanto antes. Mas eu também não sei como. Mas como do mesmo jeito.

E enquanto eu comia um bobó vegano de cogumelos shitake com castanha de caju e tomava aquela Pitúzinha gelada, consegui identificar o problema maior: as sereias veganas também querem acabar com o mercado de tecnologia.

Querem levar à catástrofe econômica todo um setor que movimenta milhões de empregos no mundo e, por tabela, levando à falência pequenas empresas que sobrevivem das maravilhas que a tecnologia pode oferecer.

Como elas fazem isso?

Com a proliferação pérfida de uma criatura do mal chamada Buffet Vegano.

Quando você conhecer o buffet vegano, vai entender que o Tinder perde todo o sentido de existir. Pior ainda, o buffetzinho quer lhe mostrar que as fotos de perfil do Facebook existem de verdade.

Capi, vamos lá no próximo almoço de domingo e você vai ver que não é papo de profeta. O perigo é real. O Steve já se foi, mas o Bill ainda está na área e precisamos alertá-lo. O inverno está chegando. E se ele for vegano?

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