Natal dos incluídos

Distante do luxo de buffets e shows fechados, os palcos alternativos fervem de cultura popular nas noites de Natal e Réveillon Paulo Rebêlo Diario de Pernambuco 24.dezembro.2008 Enquanto muita gente vai pagar R$ 200 para ceias de natal em luxuosos restaurantes do Recife, outros vão desembolsar valor parecido para shows de bandas famosas do Sul e do Sudeste. De hoje à noite até o réveillon, não faltam opções. E quanto mais caro, mais difícil é achar uma vaga ou ingresso. Mas, para quem deseja respirar cultura de verdade, os lugares são outros. Os pólos alternativos para natal e ano-novo, longe do centro e do luxo, contam com o que há de melhor em termos de dança, música e apresentações populares. De graça. Além dos tradicionais Marco Zero, Sítio da Trindade e Pátio de São Pedro, é hora de ir para Brasília Teimosa, Ibura, UR-7/Várzea, Bongi, Jardim São Paulo, Morro da Conceição e Nascedouro de Peixinhos.

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De reis profanos e folclores religiosos

Dança de origem portuguesa, o reisado ganhou destaque no 4º Encontro Mestres do Mundo realizado no interior do Ceará Paulo Rebêlo (texto e fotos) Diario de Pernambuco 08.dez.2008 Crato (CE) – Fendas e rachaduras no solo são vistas em toda parte, a começar pelo pouso no minúsculo aeroporto em Juazeiro do Norte, a 600 km de Fortaleza e 700 km do Recife. O mormaço de fritar ovo em chão só dá uma trégua quando o sol se põe. Depois, o ônibus chega no bairro de Vila Lobo, 20 km adiante, na periferia do Crato. Tudo escuro, mas há um barulho diferente na Rua Antônio Gonzaga de Melo. A festa vem da residência de número 202, não por coincidência a casa de José Aldenir Aguiar, mestre do reisado no Crato. Ele é um dos primeiros mestres de cultura popular diplomados pelo governo cearense, ainda em 2004. É difícil achar Mestre Aldenir no meio daquele mundo de crianças coloridas e pulantes, devidamente caracterizadas e em perfeita sincronia com a voz do mestre e com o som oriundo de duas caixas velhas e surradas. Aldenir mal se mexe. Quando solta a voz, canta que é uma beleza.

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Aos mestres com carinho

Encontro reúne, em três municípios no Cariri cearense, figuras da cultura popular: do som, do corpo, da oralidade, do sagrado e das mãos Paulo Rebêlo (texto e fotos) Diario de Pernambuco 07.dezembro.2008 Crato (CE) – Quando sofreu o acidente que lhe tirou o sustento, o pescador José Pereira de Oliveira achou que era o fim de sua vida no mar. Com o laudo médico de invalidez, aposentou-se. Então com 45 anos e sem perspectivas, passava o tempo olhando para sua jangada ancorada na praia de Aquiraz, a 25 km de Fortaleza, hoje um dos principais pontos turísticos do Ceará. E de tanta saudade, surgiu o mestre de mãos hábeis a retalhar, com curiosa precisão, miniaturas perfeitas das jangadas de pesca. Aos 82 anos, Seu Oliveira vive deste “mar” há 37 e tornou-se uma das figuras mais conhecidas de quem passa por Aquiraz. Cada peça leva um dia inteiro para ficar pronta, vendida a R$ 10. A maioria nem imagina que ele usa apenas uma faca e um pouco de cola como instrumentos de trabalho. Mas hoje ele não está na praia onde nasceu e criou os oito filhos, dos quais apenas a caçula (37) permanece sob o mesmo teto.

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Arte da memória

Mestres da cultura popular se reunem em três cidades cearenses para trocas de experiências e apresentações individuais e coletivas Paulo Rebêlo (texto e fotos) Diario de Pernambuco 06.dezembro.2008 Juazeiro do Norte (CE) – Quente, tranqüila e silenciosa como sempre, Juazeiro parece não dar atenção à efervescência de cultura popular aqui presente. Desde o dia 2 de dezembro, o Cariri cearense recebe o 4º Encontro Mestres do Mundo, dividido entre as cidades vizinhas do Crato e de Barbalha, a 600 km da capital Fortaleza. Até este domingo, mestres populares das mais variadas artes e lugares participam de apresentações individuais ou coletivas, rodas de debate e palestras no Memorial Padre Cícero, em paralelo ao 3º Seminário Nacional de Culturas Populares. Os eventos são promovidos pelo Ministério da Cultura e pela Secretaria de Cultura do Ceará.

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Zabé da Loca, rainha do pife

Paulo Rebêlo Revista Carta Capital Ed. 454 – 25.julho.2007 Aos olhos de um Brasil que desconhece o Brasil, a descrição de Isabel Marques da Silva se parece com a descrição de uma típica mulher do sertão nordestino. Aos 84 anos, é alcoólatra, fumante compulsiva, tem as marcas do trabalho pesado nos pés, carrega no rosto os profundos vincos formados por anos de exposição ao sol forte, criou-se e formou-se com a enxada na mão. Seus dias parecem se resumir a apreciar, à soleira da porta, a mesma paisagem seca que a acompanha há décadas, olhar as mesmas pessoas que passam por aquele distante pedaço de terra quase perdido na fazenda Santa Catarina, uma região permeada de rochas gigantes a 20 quilômetros de Monteiro, sudoeste da Paraíba. Isabel, a Zabé da Loca, é sem dúvida uma sertaneja, mas de comum tem apenas a aparência. Porque para um Brasil que desconhece o Brasil, pouco adianta dizer que ela é a rainha do pife, esse instrumento rústico de som agudo, uma flauta com nove orifícios que se assemelha ao oboé italiano, feito a partir de vários materiais. Entre os pifes utilizados por Zabé em quase oito décadas de dedicação, é possível encontrar até

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