Dez anos sem solidão

Paulo Rebêlo NE10 | 03.junho.2012 | link Sobrevivi a dez anos sem televisão em casa. Não foi protesto contra a qualidade da programação, muito menos um rompante intelectualóide. Foi apenas falta de tempo e de vontade para usufruir da companhia daquela caixa barulhenta de 14 polegadas cuja antena parecia uma fábrica de bombril. Muita gente diz que morar sozinho sem televisão é deprimente e solitário. Sempre achei uma noção curiosa, pois nada me deixa mais aliviado do que chegar em casa e ouvir apenas o ronco do motor da geladeira velha e o tilintar do gelo quando a gente derrama aquele resto de uísque ruim que nunca acaba. Foram dez anos muito bons. E, para minha surpresa, sem nenhuma ponta de solidão. No início, foi difícil. A mim, a TV nunca fez muita falta de verdade. Mas sempre foi uma desculpa conveniente para as visitas. Um trunfo auxiliado pelo Corujão e pela Sessão de Gala naquelas madrugadas mais longas quando as moças não querem voltar para a casa delas. Sem a TV de argumento, o jeito é ficar na varanda com dois copos e dois ouvidos, pois não tardava a ouvir os conflitos existenciais dessas pequenas burguesas preocupadas com o

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Enfim, o reconhecimento

Paulo Rebêlo Diario de Pernambuco 03.maio.2009 Aventureiros e exploradores costumavam dizer que as relíquias mais importantes de um povo nunca seriam reveladas por completo aos forasteiros. Séculos depois, a ciência e a história provaram que tantas maravilhas naturais e históricas sempre estiveram debaixo do nosso nariz e, se não foram encontradas antes, é porque geralmente costumamos olhar primeiro para muito longe. É no mínimo curioso conferir alguns nomes do Prêmio Humberto de Maracanã – Culturas Populares do Ministério da Cultura. Somente em Glória do Goitá, a 66 km do Recife, entre três premiados há dois representantes culturais que dificilmente teriam suas histórias e artes conhecidas fora de Pernambuco se continuassem a depender somente de datas festivas, carnaval e da “boa vontade” política típica das cidades além do eixo metropolitano. Até então longe dos holofotes, mestres da cultura popular têm trabalho premiado pelo Ministério da Cultura Aos 81 anos, o Mestre Ciriaco do Coco pode se orgulhar de muita coisa que fez na vida, a começar pelos seus 24 filhos, 34 netos e 20 bisnetos. Nascido João Sebastião do Nascimento em 26 de junho de 1928, Mestre Ciriaco não existe no Google. Parece besteira, mas em tempos de uma sociedade da

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Nação Cultural reforça ação no interior

Festival que vai circular por dez regiões do estado levou a Goiana discussões sobre o fazer cultural e oficinas de bonecos, adereços e cinema de animação Paulo Rebêlo Diario de Pernambuco 06.abril.2009 Goiana – Via de regra, shows em praça pública costumam ser o ponto alto das iniciativas de governos no interior do estado, quando não são, de fato, a única atração. Em Goiana, a 63 km do Recife, a festa também se destacou no encerramento do Festival Pernambuco Nação Cultural da Mata Norte na sexta, sábado e também ontem. Mas é o aprendizado das oficinas, ministradas durante toda a semana passada em Goiana, uma das apostas da Fundarpe para abrir novas perspectivas à população, seja ampliando as fontes de renda ou a bagagem cultural das pessoas. O festival faz parte de uma série de ações prometidas pela Fundarpe e incentivadas pelo Ministério da Cultura para aprimorar a interiorização da cultura, juntando-se à ampliação dos pontos de cultura espalhados em Pernambuco. A próxima etapa será entre os dias 25 e 31 de maio, em São José do Belmonte, no Sertão Central. Outras dez regiões do estado – Sertão do São Francisco, do Araripe, de Itaparica, do Pajeú, do Moxotó, Agreste

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Do São Francisco ao Capibaribe

CULTURA POPULAR // Grupos Caçuá e Bongar se unem para manter vivas tradições dos griôs Paulo Rebêlo (texto/fotos) Diario de Pernambuco 05.abril.2009 Griô é um caminhante, educador, poeta, contador de histórias. Às vezes, até mediador político. Antes de mais nada, mestres griôs são artistas populares. Carregam na memória as artes seculares, ensinadas por antepassados africanos, cada vez mais esquecidas pelos jovens. Do rio São Francisco, desde a foz no estado de Alagoas, eles cantam, dançam, produzem, contam histórias e querem mostrar um pouco do que sabem aqui no Recife. Hoje, o auditório da Livraria Cultura recebe às 17h a fusão de duas sonoridades distintas, a partir de um curioso projeto do Grupo Bongar, de Olinda, aliado ao Grupo Caçuá, da cidade alagoana de Piaçabuçu, a 140 km de Maceió. O Bongar nasceu de um trabalho musical realizado desde 2001 pelo vocalista Guitinho da Xambá, nascido e criado na comunidade Quilombola Xambá – considerado o único povoado desta linhagem africana no Brasil. O Caçuá, por sua vez, surgiu da necessidade de manter vivas as tradições esquecidas, seja por meioda música, do teatro ou artesanato alagoano. Juntos, os dois grupos resolveram investir na convivência com os mestres griôs. Ouvir as histórias, aprender

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Sonoridades do São Francisco

Grupo Caçuá, do ponto de cultura Olha o Chico, de Piaçabuçu, em Alagoas, e o Bongar, de Pernambuco, juntaram forças para resgatar arte de mestres griôs. Paulo Rebêlo (texto/fotos) Diario de Pernambuco 28.março.2009 Analfabeto, iletrado e sem conhecimento suficiente para ensinar nada. Quem não conhece Cícero Lino, pode até acreditar. Porque assim ele se apresenta aos desavisados que se aproximam dos muros verdes de sua casa. Estamos no centro de Piaçabuçu, um pequeno município na foz do rio São Francisco em Alagoas, a 140 km de Maceió e 400 km do Recife, pelo litoral. A exemplo de outras cidades abraçadas pelo rio, não é apenas o cotidiano das pessoas que depende das águas. Aqui, os sons, a poesia e as histórias estão diretamente ligadas à onipresença do Velho Chico. O jeito de se apresentar não é falsa modéstia de Cícero Lino. Apenas fruto da curiosa trajetória deste simpático mestre pifeiro, natural de um sítio na fazenda Gameleira, distrito de Penedo. Aos 65 anos de idade, dos quais os últimos 19 em Piaçabuçu, Cícero Lino consegue “tirar” som de qualquer pífano que chegue às mãos. Certa vez, a pedidos, ele mesmo fez dois instrumentos usando apenas cano PVC. E os guarda

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Política Cultural // Lei Rouanet recebe sugestões dos comuns

Paulo Rebêlo Diario de Pernambuco 25.março.2009 Se é para reclamar, que seja para todos ouvirem. Pelos próximos 42 dias, o Ministério da Cultura (Minc) quer saber quais são as principais sugestões dos brasileiros para modificar a atual Lei de Incentivo à Cultura, também conhecida como Lei Rouanet. A proposta de revisão pode ser lida no site do Minc (www.cultura.gov.br) e a consulta pública está aberta. O objetivo é alterar o atual modelo de financiamento para o setor cultural brasileiro.

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Resgate e preservação da identidade cultural

POPULAR // Prêmio da Funarte viabaliza a realização de oficinas culturais gratuitas no ponto de cultura Lia de Itamaracá Paulo Rebêlo Diario de Pernambuco 03.março.2009 A partir deste sábado, a atriz Cinthia Mendonça e o mestre Luiz Paixão prometem enriquecer os ares da Praia de Jaguaribe, na ilha de Itamaracá. Até o mês de maio, durante todos os sábados, os dois promovem oficinas artísticas para jovens e adultos, gratuitamente. Trata-se de um projeto fruto do Prêmio Interações Estéticas e Residências Artísticas em Ponto de Cultura, da Fundação Nacional de Artes (Funarte) em parceria do Ministério da Cultura.

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Velhas questões, novos discursos

Gestores culturais reconhecem necessidade da busca comum de novos rumos para o setor ________ Paulo Rebêlo Diario de Pernambuco 29.janeiro.2009 Qual é o sentido de injetar dinheiro das prefeituras em shows pela cidade se não há segurança para chegar e falta transporte público para voltar? A questão, responsável por acalorados debates entre gestores com visão mais abrangente sobre a ausência de políticas públicas nas gestões culturais, é apenas uma pequena parte dos problemas que os novos secretários da Região Metropolitana do Recife têm pela frente.

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Seis horas que valem uma vida

Jovens do Sertão do Pajeú fazem visita cultural ao Recife e descobrem que o mundo real pode ser mais vibrante que as páginas dos livros didáticos Paulo Rebêlo Diario de Pernambuco 26.janeiro.2009 Se você tivesse apenas uma tarde para conhecer o Recife, ciente de que talvez não haja outra oportunidade de voltar, para onde você iria? E se você nunca viu o mar, nunca colocou os pés na areia da praia em toda sua vida, onde valeria a pena passar a única tarde disponível? Para 80 alunos do Centro da Juventude (CJ) de Afogados da Ingazeira, no Sertão do Pajeú a 380 quilômetros do Recife, a parada foi certeira: o Instituto Ricardo Brennand, no bairro da Várzea.

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