Aposentadoria Bill Gates : o legado do Windows (todas as versões)

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Paulo Rebêlo
Universo Online | 27.junho.2008
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A primeiríssima versão do Windows é bem distante do que se passou a entender como “Windows” a partir dos anos 90. A proposta inicial da Microsoft ao lançar esta versão, em 1985, era apresentar apenas um intermediário gráfico para os aplicativos de DOS. Uma introdução ao que viria a ser o multitarefa, mas, na prática, apenas uma pobre interface gráfica para os aplicativos de modo-texto.


Válido para o mercado, apesar de pouco conhecido, o Windows 1.0 trouxe algo que à época ninguém usava: cores.

Mesmo anos depois, com o lançamento do Windows 3.0 e 3.1, a maioria dos monitores ainda era de luz verde ou monocromático (preto e branco), passando a policromáticos (colorido) nos anos seguintes. Quem usou a primeira versão do Windows, na verdade, estava usando o Windows 1.01 (ao menos no Brasil), pois o 1.0 serviu apenas para testes e apresentações em feiras de informática da época, segundo a própria Microsoft.

Em 1986 veio a 1.02 e 1.03, um ano depois a 1.04 e ainda em 1987 chegou o Windows 2.0. A segunda versão do Windows não trazia nada de novo, além de bugs corrigidos e melhores gerenciamento e apresentação das janelas. Foi somente com o Windows 3.0 em 1990 que o sistema operacional ganhou corpo e se tornou necessidade básica da maioria dos usuários de informática.

3ª versão

O visual do Windows 3.0 era significativamente superior aos anteriores, em uma época em que os monitores coloridos tornaram-se padrão no exterior e, no Brasil, apareciam os primeiros nas grandes empresas e nos gabinetes dos endinheirados. Comercialmente, também foi o primeiro Windows a fazer sucesso.

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O DOS (sigla para o inglês “Disk Operating System”) é o corpo de código pelo qual o computador “funciona”. Teve várias versões, feitas em países diferentes, inclusive no Brasil. O MS-DOS (Microsoft-DOS) surgiu em 1981 e deixou de ser desenvolvido no ano 2000.
A última versão de uso independente ao Windows foi a 6.22, pouco antes do lançamento do Windows 95. A versão 7.0 rodava internamente, dentro do Windows 95. A oitava e derradeira edição do MS-DOS existe dentro do Windows XP, herança de arquivos do Windows ME, em pasta específica.
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O Windows 3.0 ocupava menos de 10 MB instalados, algo gigantesco para a época. O Windows 3.1 de 1992 ocupava basicamente a mesma coisa, revigorava o visual e o acesso a hardware e memória. Um ano depois, um update com suporte a estações de trabalho (workgroups) deu o nome de Windows 3.11 for Workgroups.

Mesmo com o Windows 3.11 for Workgroups, o sistema era totalmente dependente do código do DOS e considerado uma mera interface. Mesmo assim, sobretudo a partir do Windows 3.0, os aplicativos mais utilizados só rodavam no ambiente gráfico, a começar pelos próprios programas de escritório da Microsoft, que passaram a caminhar em paralelo: versões para DOS e para Windows.

O mais curioso é que o Windows 3.1 continuou a ser usado em larga escala há até pouco tempo. Para que você tenha uma idéia, existe uma versão do Internet Explorer 5.0 para o sistema. Não houve IE 1.0 para o Windows 3.1, mas houve IE 2.0. No Brasil, a maioria dos primeiros acessos à Internet ocorriam com o bom e velho ‘Winsock’ para Windows 3.1 e navegadores Mosaic, Netscape etc.

Windows NT é tido até hoje como uma das melhores versões do sistema

Existem várias histórias sobre a origem do termo ‘NT’. A mais folclórica conta que seriam as iniciais de um dos principais programadores, enquanto a mais clássica é de que as letras significariam ‘NeTworking’. Para quem acha que o NT surgiu para suprir as deficiências do Windows 95, é bom lembrar que ele começou a ser desenvolvido em 1989 e foi lançado em 1993.

A primeira versão foi a NT 3.1 e era basicamente um Windows 3.1 com suporte para hardware avançado, incluindo recursos oriundos da plataforma Unix e um amplo suporte a multiprocessadores e multitarefa, até então inexistentes no Windows 3.1 doméstico.

O NT 3.1 foi incipiente, e a interface era praticamente idêntica à do Windows 3.1, mas tecnicamente representou um enorme trunfo ao ser o primeiro sistema operacional com suporte nativo a 32-bit, sem depender do DOS. Ao mesmo tempo, com a exclusão do DOS, o uso do NT era estritamente técnico e corporativo, visto que a maioria dos aplicativos rodava em DOS nesta época.

Versões diferenciadas do NT foram lançadas para plataformas específicas de computador. Hoje, a plataforma PC é praticamente a única que as pessoas conhecem, mas antigamente havia PowerPC, MIPS, Alpha, SPARC, entre outras.

A busca por um sistema operacional sólido e robusto nasceu desde esta primeira versão, na qual o NTFS (sigla, em inglês para “NT File System”), um sistema de arquivos exclusivo para o NT, foi desenvolvido pela equipe. Mas o NT também podia ser instalado em sistemas FAT e HPFS, este último usado na época pelo OS/2 da IBM.

Até hoje, o Windows NT (a versão 4.0) disputa com o Windows 2000 o posto de melhor sistema operacional já lançado pela Microsoft. Vale lembrar que o Win2000 nasceu a partir do código do NT, ou seja, é um avanço do NT. Ressalte-se, ainda, que o Win2000 roda até hoje com hardwares relativamente novos, enquanto o NT mal consegue ser instalado em um PC atual. Ele não tem suporte a USB e nem a aceleração de vídeo, entre várias outras deficiências para o mundo atual.

Principais novidades

– NTFS: hoje, é o único sistema de arquivos disponível (a partir do Windows Vista), por causa da robustez e segurança. Mas quando foi apresentado com o NT, muita gente preferiu continuar com o FAT, pois, apesar de menos seguro, era mais rápido. Com o avanço do NT, o NTFS foi ganhando em performance e, enfim, tornando-se um padrão. Os arquivos se fragmentam menos, são encontrados a partir de uma base de dados interna no disco e, caso ocorram problemas (queda de energia, desligamento brusco etc), há bem menos riscos de se perder dados ou danificar arquivos.

– Hardware: instalar um novo hardware sempre foi uma das maiores complicações do NT, porém, uma vez instalado você pode ter certeza que não precisará mais se preocupar com conflitos ou telas azuis. Sem o recurso de plug and play da plataforma Win95/98, o hardware geralmente precisava ser instalado manualmente configurando as portas pelo gerenciador de dispositivos.

– WoW: trata-se de ‘Windows over Windows’. Em outras palavras, é o subsistema por onde o Windows interpreta aplicativos de outra plataforma. No caso, como o NT é nativamente 32-bit, ao rodar programas 16-bit eles ficavam alocados em outro espaço de memória. Mesmo que desse problema (e no NT 3.1 dava bastante), o restante do sistema não era afetado, não travava. Bem diferente do Windows 3.1 e todas as versões do Win9x, por exemplo, que travavam por qualquer complicação nos aplicativos. Até hoje, o WoW é utilizado. No caso, as edições 64-bit do Windows usam o WoW para rodar os aplicativos 32-bit, que ainda são 99% da oferta.

– Servidores: a partir do NT começam a se estabelecer as múltiplas edições de um mesmo Windows. No caso, a versão Servidor, Servidor Avançado e assim por diante. Inicialmente, o NT tinha apenas a Workstation, que passou a ser utilizada por usuários domésticos com mais experiência e profissionais de informática; e a NT Server, para servidores. Com o NT 4.0, surgiu o Enterprise Server (Edition) e o Terminal Server. Esta última transformou-se em apenas um recurso extra com o lançamento do Windows 2000.

Versões e instalação

Em 1993 chega o Windows NT 3.1, apenas um Windows 3.1 com suporte a hardware avançado e toda uma linha de código diferente, feito para não causar problemas e nem conflitos de hardware. O NT 3.5 foi lançado no ano seguinte e a partir dele a plataforma NT ganha corpo entre profissionais e empresas.

No entanto, apenas em julho de 1996 o Windows NT 4.0 é lançado, agora com o visual diferente do Windows 95, uma versão bem primária do Internet Explorer e estabilidade nunca antes vista na plataforma Windows.

O avanço do NT4 foi bem impressionante. Dois meses após lançado, a Microsoft libera o primeiro pacote de serviços e atualização (o Service Pack), melhorando ainda mais alguns quesitos problemáticos na instalação de hardware. A maioria das pessoas que usaram o NT4, na verdade, já começaram a usar a partir do SP1. No total, foram seis Service Packs, com o segundo chegando naquele mesmo ano de 1996.

Foi a partir do SP3 (1997) que o interesse de profissionais pelo NT4 aumentou, pois agora o sistema começava a se tornar mais fácil de instalar e manusear em computadores com kit multimídia. No entanto, foi no SP4 (1998) que esse sentimento atingiu o ápice e muito usuário doméstico que não ligava para games passou a adotar o NT4 como sistema operacional primário, diante de sua notável superioridade em relação aos Win95/98.

Também foi a partir do SP4 que o visual requintado trazido pelo Internet Explorer 4.0 podia ser instalado, sem maiores problemas, mudando a interface do NT4 para algo mais amigável.

Os próximos três Service Pack foram lançados em 1999, com o SP6 ganhando um update chamado de SP6a. A última grande atualização do NT4 ocorreu em 2001, com um novo grupo de updates para o SP6, chamado de post-Service Pack.

Instalar o NT 3.1 ou 3.5 exigia apenas 8 MB de RAM, equivalente ao mínimo exigido pelo Windows 95, apesar de a Microsoft avisar na caixa do Win95 que com 4 MB você podia usar a instalação mínima. O processador mínimo exigido era um 386 de 25 MHz. Com o NT4, o mínimo é um 486 de 33 MHz e 12 MB de RAM, mas o sistema só funciona bem a partir dos 32 MB e recomenda-se 64 MB de RAM.

Windows 95 teve lançamento histérico e foi a maior revolução da Microsoft

Com direito a apresentação dos Rolling Stones nos Estados Unidos, o lançamento do Windows 95, no dia 24 de agosto de 1995, foi histérico. Não à toa e apesar de todas as dificuldades enfrentadas com o passar dos anos, até hoje é considerado a maior revolução da Microsoft e o sistema operacional de maior sucesso comercial já produzido.

Durante a fase de testes do “Chicago” —o codinome da versão beta do Windows 4.0, o qual viria se tornar Win95— foi fruto de bastante antecipação da mídia especializada da época. Mas ninguém imaginava que o legado do Win95 iria permanecer por tanto tempo, ditando as regras para os próximos sistemas operacionais da Microsoft até os dias de hoje.

Muitos consideram o Win95 uma revolução por causa dos aspectos técnicos para a época. Contudo, apenas profissionais e entusiastas conseguiam perceber as mudanças de código, ao menos no início. Para o usuário comum, a revolução foi outra, mudando o comportamento das pessoas em frente ao computador e abrindo novas possibilidades de trabalho e interação.

Muito se deve à popularização da Internet que, mesmo no exterior, ainda era incipiente. Foi apenas nas versões “revisadas” do Win95 que o Internet Explorer ganhou corpo como navegador a ponto de quebrar (a partir da versão 4.0) a hegemonia do Netscape Navigator.

O Win95 foi o primeiro passo para libertar o Windows da escravidão do MS-DOS. Tecnicamente, contudo, o sistema ainda depende intimamente do DOS para funcionar, rodando em código híbrido de 16-bit e 32-bit. O usuário não sabia, pois, que ao ligar o computador e esperar os minutos de inicialização, abria-se aquela nova interface, renovada, com aquele curioso botão ‘Iniciar’ até então inexistente.

Ao observar as principais novidades trazidas pelo Win95, é fácil notar como a maioria persiste até hoje. Não somente funções pontuais, como o Windows Explorer, mas sobretudo os recursos de sistema e modos de uso da plataforma Windows, como o editor de registro (“regedit”), a memória virtual (“swap file” ou “arquivo de troca”), o uso intensivo do segundo botão do mouse (até então subutilizado no Windows 3.1), os conflitos de hardware no gerenciador de dispositivos e o início da integração entre o Windows e aplicativos diversos da Microsoft.

Principais novidades

– Suporte a nomes longos de arquivo (até 255 caracteres), deixando para trás a limitação de 8 letras com 3 de extensão. A partir do Win95, não era mais preciso decorar o nome dos arquivos ou criar siglas e palavras-chave para encontrar seus documentos.

– Um novo gerenciador de arquivos, o Windows Explorer. Durante anos, muita gente continuou usando o bom e velho ‘winfile.exe’, o gerenciador do Windows 3.1 que ficava disponível, escondido, na instalação do Win95. Ele não aparecia no Menu Iniciar, mas bastava procurá-lo na pasta Windows. O winfile.exe não reconhece os ícones dos programas e nem os nomes longos, entre outras limitações. O progman.exe também podia ser utilizado, herança do Win 3.1

– Uso intensivo do botão direito do mouse, até então somente utilizado em jogos para MS-DOS e raríssimas funções externas. A partir do Win95, o botão direito passa a fazer parte da usabilidade do sistema, mantendo o usuário Windows até hoje dependente do recurso. Ele não apenas abria novas funções, como possibilitava o atalho a várias outras. Logo no início do Win95, quem dominava o uso do botão direito era considerado ‘cobra’ da informática.

– Plug and Play (PnP), o modo “fácil” de detectar e configurar seu hardware. Graças ao PnP, foi possível ver a arquitetura de hardware detalhada e até mesmo fazer modificações internas com poucos cliques.

– Uma prévia do impacto da Internet, a partir do Microsoft Network (MSN), que na época estava mais para uma BBS global, competindo com a famosa CompuServe.

Versões e revisões

O Windows 95 teve cinco versões. Na verdade, foram revisões do sistema operacional para adicionar extras como o Internet Explorer e o suporte a novos recursos, como USB e o sistema de arquivos FAT32. Pouco depois do lançamento oficial da edição original (4.00.950) em agosto, a Microsoft despachou em dezembro o Win95 com um pacote de serviços, dando início ao modelo de Service Packs mantido até hoje.

O SP1 serviu basicamente para acrescentar a segunda versão do Internet Explorer na instalação, agora a 4.00.950a. Em 1996, veio a popular edição OSR (sigla, em inglês, para “OEM Service Release”), que eram sistemas integrados às fabricantes de computadores e revendedoras. Quem comprava o Win95 novo na caixa deveria ter a versão mais atualizada. No entanto, em países periféricos (como o Brasil), nem sempre era o que acontecia.

As versões OSR1 nada mais eram do que o SP1 revisado, mas foram anunciadas apenas no início de 1996. A mais popular mundialmente foi a OSR2, que agora vinha com o Internet Explorer 3.0, suporte inicial a UDMA e inclusão do FAT32 como sistema de arquivos opcional. Também ficou conhecida como Windows 95B.

Com o OSR 2.1, o Win95 ganhou suporte bem primário ao padrão USB e, em 1997, a última versão OSR 2.5 dava ao Windows o Internet Explorer 4.0 e toda a interface com cara de Internet proporcionada pela integração (shell) do navegador com o Windows. Conhecida como Windows 95C, esta edição também foi apelidada no Brasil de Windows 97 e, mesmo após o lançamento do Windows 98, continuou na preferência de profissionais e usuários experientes.

Instalação, requisitos e problemas

O mínimo exigido pela Microsoft na instalação do Windows 95 era um processador 386 com 4 MB de RAM e 50 MB de espaço em disco. Os incautos que tentavam instalar o sistema nesta configuração precisavam, com sorte, de até quatro horas de tempo livre e muita reza forte. Por conta das novas leituras de hardware e lentidão de um PC com 4 MB de RAM para o Win95, era comum a instalação simplesmente travar, após horas de espera e muita ave-maria.

Quem tivesse PC em rede nem conseguia instalar com 4 MB de RAM, por exemplo. Os computadores de ponta para rodar Win95 precisavam ter, pelo menos, 8 MB de RAM e processador 486. Na última versão – a OSR 2.5 – do Windows 95, uma instalação completa ocupava entre 150 MB e 215 MB de disco, a depender de suas necessidades com o Microsoft Exchange, bem diferentes dos 50 MB mínimos da primeira versão.

Poucos computadores da época tinham drive de CD, então inicialmente o sistema vinha em 13 disquetes. As edições recentes (OSR), contudo, ultrapassavam a marca dos 22 disquetes, por conta de novos suportes a hardware (drivers), Internet Explorer e Exchange.

Ao tentar instalar o Win95, a parte mais crítica era a ‘detecção de hardware’. Ali, o usuário via em ação o poder do novo recurso plug and play, porém, ainda em seus primeiros passos. No caso de rede e áudio, geralmente ainda era preciso realizar configurações posteriores à instalação, além de ‘avisar’ ao Windows que você tinha as placas instaladas no PC.

Problemas críticos

Toda revolução traz problemas. No caso do Windows 95, somente com o passar dos anos e a popularização da informática e dos acessos às redes é que os profissionais entenderam, na prática, como a arquitetura do sistema era falha. Alguns bugs beiravam o ridículo, como digitar “c:concon” no Windows Explorer ou no menu Executar.

O resultado? O Windows trava completamente, a famosa tela azul da morte (sigla BSOD, do inglês “Blue Screen of Death”). O mesmo vale para “c:nulnul”. O bug persistiu mesmo após as edições revisadas e pode ser testado até hoje. Não houve correção.

As famosas telas azuis se tornaram uma constante a partir do momento em que a inclusão de novo hardware não conseguia ser ‘decifrada’ pelo sistema. Falhas com memória virtual e memória RAM também foram se tornando comuns. Uma das maiores raridades era encontrar um PC ‘redondo’, ou seja, com hardware sem conflitos.

Mas nada era pior do que o efeito retardado do gerenciamento de memória, que fazia o Windows perder velocidade com o passar das horas de uso. O problema persistiu no Windows 98 e Windows ME, sendo resolvido somente com o Windows NT e, depois, Windows 2000. Para se ter uma idéia, o Win95 tinha o teórico limite máximo de 49 dias de uso sem a reinicialização. Na prática, quem passava mais de dois dias sem precisar dar um ‘reset’ se considerava querido pelos céus.

Os problemas aumentavam ainda mais com a instalação do Internet Explorer 4.0, pois a integração do navegador modificava a interface e a integridade de diversos arquivos críticos do sistema. Ao mesmo tempo em que mostrava um visual mais apurado e bonito, levava o usuário a perder memória… E fios de cabelo.

Windows 98 estreou em um mundo no qual a Internet já se consolidava

Sem tocar na palavra ‘revolução’, a Microsoft tratou o Win98 como uma ‘evolução’ do Win95. A exemplo do antecessor, uma longa caminhada de versões beta ocorreu até o seu lançamento, em junho de 1998.

O Win98 chegou em uma época bem diferente do Win95. A Internet já atingira seu primeiro auge de uso residencial (no exterior) e agora se podia dizer que o mundo estava conectado, diferentemente de 1995.

O IE já mostrava suas garras, o Netscape aos poucos começava a virar lenda, e o padrão USB começara a se tornar uma constante, além do crescimento bem mais rápido de memórias RAM, processadores etc.

Por conta dos acentuados problemas enfrentados pelo Win95, cujo código se mostrava cada vez mais frágil diante das novidades técnicas e da Internet, a expectativa em cima do Win98 foi bem maior do que o Win95.

Até porque, ao lançar o Win95, não havia tanta expectativa assim, já que era o “novo” chegando, e ninguém sabia direito o que esperar. Com o Win98 baseado na promessa de melhorar tudo que não prestava no Win95, nunca as versões de teste do sistema operacional foram tão desejadas pelos programadores.

O Windows Memphis, na forma apresentada durante as primeiras edições beta, era um parrudo sistema operacional. Bem mais estável e rápido que o Win95. Em alguma intersecção até hoje inexplicada, o Memphis mudou e, ao ganhar o nome oficial de Windows 98, tornou-se uma espécie de híbrido do Win95 OSR 2.5 com mais suporte a hardware. Inicialmente, a proposta era lançá-lo sob o nome Windows 97, mas os constantes atrasos não permitiram.

Quando chegou, o Win98 continuava a depender carnalmente do código 16-bit do MS-DOS, não consertou os problemas de gerenciamento de memória, manteve os constantes conflitos de hardware e bibliotecas que causavam as telas azuis. Entre diversos outras confusões típicas do Win95, apenas suavemente melhoradas.

O maior exemplo de legado problemático do Win98 ocorreu quando Bill Gates foi pessoalmente apresentar uma edição ‘quase final’ do produto durante uma feira de tecnologia (a Comdex) em 1998, poucos meses antes do lançamento final.

Para mostrar como o suporte ao hardware plug and play melhorou, ele pediu para um técnico plugar um scanner com o PC ligado e rodando Win98, para mostrar o sistema de auto-detecção. Quando conectou o cabo, deu pau e no telão da feira o que todos viram foi a famosa tela azul da morte: um conflito de hardware. O PC travou. Reset. Veja vídeo.

Por outro lado, no quesito Internet —fator de suma importância já na época— o Win98 deixava o sistema anterior no chinelo.

Primeiro, a integração total com o visual Web do IE4. Se no Win95 o recurso era opcional e integrado apenas após a instalação do Windows, agora estava totalmente integrado e obrigatório. Deixou de ser opcional.

Recursos de redes domésticas e corporativas também melhoraram bastante. Um dos diferenciais do Win98 foi a quantidade de ‘pequenos utilitários’ embutidos no sistema.

Principais novidades

. Desfragmentador de disco: pela primeira vez, ocorria uma tentativa de criar um cache no disco rígido para rápida inicialização, que se tornaria célebre anos depois com o Windows XP. No Win98, o sistema criava um log e separava os programas por categoria e em sequência, para acesso mais rápido. Nunca funcionava como o prometido, mas a idéia estava lá.

. HelpDesk: conecta-se com o site da Microsoft pela Internet, para suporte técnico, biblioteca de termos, reportar bugs etc.

. Windows “System” Update: mantém o usuário informado sobre drivers mais novos e updates.

. System File Checker: checa todos os arquivos de sistema para determinar se houve alguma modificação ou danificação. É possível restaurar os originais ou manter os atuais.

. Windows Tune-Up Wizard: executa aplicativos em horário determinado pelo usuário.

. Microsoft System Information Utility: se compara ao conhecido “MsInfo” dos Windows anteriores, onde visualiza todos os recursos, versões, DLL executadas, módulos 16-bit e mais.

. Novo Dr. Watson: se mantém na barra de tarefas e inspeciona seu sistema para diagnosticar conflitos e erros de proteção durante a execução de algum aplicativo ou chamada inválida de DLL. Nunca funcionava como deveria.

. Novo Backup: suporte para periféricos SCSI e fitas DAT.

. Scandisk automático: quando o computador não é desligado através do Menu Iniciar, o scandisk é acionado no próximo boot (ao ligar) do computador para evitar erros em disco, bem comum para a época.

. FAT32 e conversor: Com o novo sistema de arquivos, a organização interna é feita muito mais rápida. Um conversor de FAT16 para FAT32 já vem incluído.

. Servidor de Acesso Remoto: agora seu computador pode se transformar em um servidor Dial-Up, através dos protocolos IPX/SPX ou NetBEUI. Acesso remoto entre duas máquinas usando o Dial-Up ficou muito mais fácil.

Diferentes versões, instalações e problemas

Ao contrário do Win95 e suas cinco versões revisadas, o Win98 contou apenas com uma segunda versão e, mesmo assim, oficial e lançada no mercado. Tratou-se da famosa Windows 98 Second Edition (ou, simplesmente, Win98SE. Lançada um ano depois, em maio de 1999.

Basicamente, o 98SE é a edição com bugs corrigidos (e outros adicionados), suporte mais estável ao hardware USB e, o principal, a inclusão da nova versão 5.0 do Internet Explorer. A partir deste IE5, não tinha mais para ninguém e a Microsoft ganhava o mercado de navegadores por definitivo. O IE5 era mais leve e menos problemático do que o IE4. Se valia a pena ou atualizar não, era outra história.

Havia outras melhoras no 98SE, quase todas voltadas para redes e Internet. Pela primeira vez em ambiente doméstico, computadores em rede podiam compartilhar uma conexão Internet. Também inédito, o suporte nativo do Windows para drives de DVD. Aqui começava o início da era DVD para os usuários domésticos.

Não demorou para o Win98SE tornar-se o sistema operacional de referência no mercado. Além de apresentar correções da versão anterior, ele exigia o mesmo hardware e já estava atualizado ainda mais para Internet, com a nova versão do IE, o DirectX 6.1 (para jogos), um dial-up melhor (1.3) e o Windows Media Player 6.2

Válido lembrar que a maioria das atualizações podiam ser instaladas, separadamente, no Windows 98 original e até mesmo no Windows 95, como foi o caso do dial-up 1.3, que tanto ajudou os marinheiros de primeira viagem no mundo da Internet residencial — e lenta.

Instalação e problemas

O Windows 98 exige o dobro do Windows 95: processador de 66 MHz e 16 MB de RAM. O espaço em disco exigido (máximo) é de 350 MB, um assombro para a época. Ainda hoje, uma instalação personalizada do Windows XP pode ocupar menos de 400 MB. A maior parte dos requisitos ocorrem por conta da integração total do IE4 (e o novo visual de web) e os suportes a hardware, que exigiram seu pedaço de código e, consequentemente, de performance.

Instalar o Win98 numa máquina com apenas os 16 MB exigidos era suicídio. No entanto, mesmo em computadores com 32 MB ou 64 MB, a instalação demorava um bom bocado. O maior problema, como sempre se esperava, era no hardware. O Windows fazia nada menos do que três longas detecções. Uma durante a instalação, outra ao final e a última durante a primeira inicialização do sistema operacional.

Por manter quase os mesmos problemas do Win95 no gerenciamento de memória, o resultado é que o Win98 gastava, logo de cara, até 15% mais recursos do que o Win95. Ou seja, mesmo que você tivesse mais memória, o sistema continuaria usando bem mais do que o necessário. Outro problema crítico é a quantidade de programas inúteis que o Windows carrega ao iniciar, logo após a instalação.

Com o passar do tempo, as pessoas entenderam que 90% dos programas inicializados automaticamente são desnecessários. Isto é, quando não causam problemas. Os macetes para ganhar performance no Win98 eram idênticos ao Win95, mudando o papel do sistema de ‘desktop’ para ‘network server’ (servidor de rede), ajustando a memória virtual e apagando programas da inicialização.

Para fãs, Windows 2000 é o melhor dos sistemas já criados pela MS

Os fãs dizem ser o melhor sistema operacional já lançado pela Microsoft. Com menos entusiasmo, os anti-Microsoft dizem ser o único sistema operacional decente.

Opiniões à parte, o Win2000 mudou paradigmas da indústria de informática ao apresentar, pela primeira vez, um sistema voltado a ‘servidores’ e ‘corporações’ que se adaptava ao consumidor bem mais do que qualquer outro.

Não foi à toa. Criado do zero com base no código do NT, o Win2000 possui a robustez do antecessor sem deixar de lado a flexibilidade com hardware e recursos multimídia — os dois maiores calos da plataforma NT.

Com uma interface colorida e ícones bem mais arrojados, o Win2000 segue imbatível até os dias de hoje, onde ainda roda em máquinas antigas e novas.

O Win2000 foi lançado em fevereiro de 2000. Por conta do maior requisito de hardware e por ser inicialmente destinado ao mundo corporativo, a Microsoft prometeu uma versão para consumidores (usuário final) do produto, que mais tarde deu luz ao fiasco do Windows Millennium Edition.

Embutido no Win2000 estão os programas que se destacaram no Win98, como IE5 e Outlook Express, novo Windows Media Player, DirectX (7.0), Netmeeting; suporte a FAT32 (que o NT não tem). A maior parte das novidades residem no código, invisíveis ao usuário, de modo a tornar o sistema bem mais estável e rápido.

A versão original do Win2000 ainda não era perfeita, do ponto de vista doméstico. Havia problemas na aceleração gráfica e para jogos, mas aos poucos foi solucionado com os Service Packs. Não demorou para que, com o mesmo hardware, fosse possível usar o Windows e jogar de modo mais estável e rápido do que com o Win98/Me.

Principais novidades

. Windows Explorer: o mesmo gerenciador de arquivos, mas com pequenas novas funções que deixavam as coisas mais práticas, como o ícone para mover e copiar. Todas as janelas do Windows também ganharam o aspecto meio de internet (HTML) e com uma pré-visualização de arquivos multimídia.

. NTFS: o sistema de arquivos ganhou um update, a versão 3.0 do NT File System introduziu a possibilidade de estabelecer quotas para os usuários e ficou mais rápido (leia-se: menos lento) que o NTFS anterior. Aos poucos, foi se tornando o sistema de arquivos padrão.

. Criptografia: entre as vantagens do NTFS 3.0, a possibilidade de criptografar de modo nativo seus arquivos e pastas, sem necessidade de usar programas de terceiros.

. Active Directory: a resposta da Microsoft à Novell para servidores organizarem múltiplas estações de trabalho e domínios. De pouco uso para usuários doméstico, assim como uma série de novidades voltadas a servidores e redes corporativas inclusas ou introduzidas pelo Win2000.

Versões e requisitos

Professional, Server, Advanced Server e Datacenter Server são as quatro versões disponíveis do Win2000. Em 2001, a Microsoft criou edições especiais para as plataformas Itanium, da Intel, de 64-bit. Como o Itanium não deu muito certo, o Win2000 64-bit também não.

O Win2000 básico (Workstation) requer 64 Mb de RAM e processador 133 MHz. A diferença para a edição servidor é que esta pede 128 Mb de RAM, quantidade considerada a básica para uma boa performance também no Workstation, aliás.

A partir de 64 Mb de RAM, a “impressão” do usuário é que o Win9x ainda parece mais rápido. No entanto, muitos migraram para o Win2000 mesmo assim, pois não tinham as constantes telas azuis e nem perdiam em performance após horas de uso, como ocorria no Win9x. Com 128 Mb de RAM, o Win2000 já é perceptivelmente superior em todos os fatores.

A única razão pela qual o Win2000 ainda não é instalado nas máquinas novas de hoje é o fim do suporte a hardware e software da Microsoft. Por exemplo, o IE7 não pode ser instalado, assim como as novas versões do DirectX e Windows Media Player. Muita gente, sobretudo em estações de trabalho na empresa, adotam o Firefox e conseguem usar o Win2000 mais ou menos atualizado.

No total, foram quatro Service Packs, com direito a dois updates pós-SP4. Na internet, é fácil achar um Service Pack 5, não oficial, contendo mais de 250 Mb de updates e componentes atualizados.

O Win2000 também teve uma rápida aceitação entre profissionais de tecnologia porque, na época, despontavam as primeiras linhas de alta performance para transferência de dados. Ou seja, tornou-se fácil fazer instalações via rede ou até mesmo transferir de modo ilegal o CD de instalação para amigos.

A internet rápida foi o maior impulso para a pirataria de software, bem antes de a indústria fonográfica olhar para o MP3.

Windows Millennium: o Windows que a Microsoft gostaria de esquecer

A Microsoft atingiu o fundo do poço com a belezura chamada Windows Millennium Edition. Até o nome é ruim, pois nem mesmo os americanos sabiam escrever direito a palavra ‘millennium’, muitas vezes engolindo um ‘n’. Imagine no Brasil. Jornais e revistas chegavam a escrever ‘Milenium’ constantemente.

Não à toa, nos EUA também ficou conhecido como Windows ‘Mistake Edition’, uma ironia da revista PC World americana. A mesma revista deu o título de ‘Worst Product of All Time’ (o pior produto de todos os tempos) para esta cria da Microsoft.

O WinME foi uma resposta ao mercado que demandava uma edição caseira do excelente Windows 2000, lançado poucos meses antes. O que a empresa fez foi apresentar o WinME como a versão ‘doméstica’ do Windows 2000, para consumidores, com destaque para as opções multimídia e entretenimento.

Ocorre que o WinME não era nada disso, muito pelo contrário. A empresa gerou um híbrido do já híbrido Windows 98. Pegou a versão 98SE, deu um visual mais colorido e herdado do Win2000, atualizou utilitários como o Windows Media Player e o Internet Explorer e lançou o sistema operacional mais inútil e problemático já visto até hoje.

O WinME era lento, travava bem mais do que o Win98 e não apresenta melhoras perceptíveis. Baseado no mesmo código desde o Win95, os novos requisitos de hardware terminaram por fazer o sistema ter um gerenciamento de memória e conflitos de hardware ainda mais sérios do que as edições anteriores.

A exemplo do que ocorreu em 2008 com o Windows Vista, quando muita gente quis voltar para o XP, bastava poucas horas de uso do WinME para a maioria querer voltar ao Win98SE.

Lançado em setembro de 2000, inclui o IE 5.5, Windows Media Player 7 e o novo Windows Movie Maker, existente até hoje em versões atualizadas. Até o fim do ciclo de vida do WinME, os usuários podiam atualizá-lo com o IE6 original e o Windows Media Player 9.

Principais novidades

. System Restore: a praga chamada ‘Restauração do Sistema’ nasceu no WinME. Felizmente, melhorou com o tempo com as próximas versões do Windows, mas no WinME tornou-se célebre por ter a incrível função de restaurar até mesmo vírus.

. System File Protection: começou com o Win2000, manteve-se no ME. A proteção de arquivos críticos do sistema, incluindo drivers. Pouco adiantava no ME.

. Universal Plug and Play: o início do UPnP, até hoje mantido.

. Automatic Updates: nada mais do que uma prévia do hoje Windows Update.

. Preview de imagens: não é mais necessário ter um programa para visualizar fotos e imagens, o Windows tem um utilitário próprio a partir do ME.

. Suporte a armazenamento USB: na série Win9x, apenas o WinME vem com drivers para usar discos USB e pen drives em geral. Antes, era preciso instalar drivers específicos. Mas os pen drives só chegaram bem depois.

. Fim do DOS: foi o último sistema operacional a depender do código 16-bit de DOS.

Versões e problemas da edição Millennium

Há apenas uma única versão do Windows ME — até mesmo porque a migração em massa foi para o Windows 2000, considerado o melhor sistema operacional lançado pela Microsoft até hoje.

O principal problema do WinME, anunciado como um sistema para usuários domésticos, foi justamente o fato de não atender às necessidades desses usuários que ainda utilizavam aplicativos e jogos para o MS-DOS. Apesar de ainda ser um híbrido e dependente do código antigo baseado em DOS, o WinME tinha um ‘acesso’ diferente a este código.

Na teoria, a Microsoft classificou a ‘novidade’ como um acesso restrito ao código do DOS, pelo qual o Windows poderia ter uma inicialização mais rápida. Veja que a própria empresa não divulgava um aumento de performance no uso diário, mas apenas na inicialização. O resultado prático foi pouco percebido pela maioria. De fato, era imperceptível.

Entretanto, com o tal do acesso restrito, vários jogos e programas não funcionavam mais, pois ainda se baseavam em DOS e precisavam do modo de acesso antigo Principalmente os jogos e utilitários de disco. A proposta inicial da Microsoft para o WinME foi de torná-lo uma sala de espera até o lançamento do Windows XP, em 2001. Mas todos foram parar, mesmo, no Windows 2000.

Os requisitos do WinME também espantaram várias pessoas. Agora, o mínimo exigido é de 32 MB de RAM e um processador de 150 MHz, contra os 16 MB mínimos do Windows 98 que ainda se apresenta como um sistema melhor hoje. No entanto, o desempenho do ME só fica satisfatório a partir de 64 MB de RAM. Melhora para os felizardos com 128 MB de RAM.

Mesmo sucedido, Windows XP é favorito dos gamers e uma das mais estáveis versões

Em outubro de 2001, o Windows XP foi lançado em uma tentativa de realizar várias coisas ao mesmo tempo. Boa parte delas só ocorreram anos depois. Primeiro, a proposta de unificar as plataformas caseiras e corporativas em uma só.

A idéia logo se tornou frustrada quando as pessoas viram que o XP Home Edition e o XP Professional são, na verdade, o mesmo produto. A única diferença é que certos recursos de rede estão desativados na primeira, mas a performance de ambas é exatamente a mesma. O XP Professional também possui suporte para múltiplos processadores.

Ao tentar transformar o XP em um produto multiplataforma, a proposta era tê-lo em notebooks, PDAs, estações de trabalho e media centers. Também há certo folclore por trás da sigla XP, que hoje se entende por vir de ‘eXPerience’, mas durante bastante tempo tomou-se como ‘eXtreme Performance’, baseado em uma entrevista de Bill Gates na época e na propaganda de que o XP era o Windows mais rápido já feito.

A segunda tentativa da Microsoft foi apostar em uma interface razoavelmente renovada e em um Menu Iniciar totalmente novo. Para felicidade geral dos usuários mais antigos, a opção de reverter a interface para o modo clássico permaneceu, mas aos poucos o novo Iniciar ganhou adeptos fiéis e hoje se mantém como a forma padrão de uso nas máquinas com XP —para quem não conhece os menus anteriores do Win9x/2000.

Devidamente atualizado, o XP é tão estável quanto o 2000, ou até mais estável se você estiver trabalhando com hardware novo, mas não foi sempre assim.

No início, o XP obteve a mesma resistência enfrentada pelo Windows Vista: exigia computador demais para funções de menos. Indo contra sua proposta de apresentar um produto para usuários novatos, a instalação do XP segue o modo “nada intuitivo” dos Windows anteriores e várias pessoas se viram com o disco rígido formatado sem querer.

A terceira tentativa para o XP foi a de estabelecer um modo ‘forçado’ para o usuário atualizar o sistema com as correções de segurança, mas também não deu certo no início. Aliás, no dia do lançamento oficial do produto, os especialistas contabilizaram uma dúzia de furos críticos de segurança.

De cara, contudo, o XP apresentava um ganho considerável sobre o Win2000: os recursos multimídia, incluindo aí os jogos de nova geração, que rodavam mais facilmente. Enquanto os profissionais procuraram manter o Win2000 por bem mais tempo, os gamers e entusiastas turbinaram o PC para rodar o XP com velocidade aceitável.

Principais novidades

. Interface: saem os populares ‘temas’ do Win9x e agora entram os três modos – Luna (azul), Silver (prata) e Oliver Green (verde oliva), aliados ao novo Menu Iniciar e janelas arrojadas. A interface revigorada nunca deve ser usada com menos de 128 MB, ao preço de uma notável perda de performance. Apenas com 256 MB em diante é que o usuário começa a “esquecer” o peso.

. Hibernação: desligue o computador sem precisar reiniciar, sua área de trabalho fica armazenada em uma porção em separado de disco. Trouxe mais problemas do que soluções e, ainda hoje, é um recurso bem mais difundido para notebooks.

. Reversão de drivers: ao instalar um driver novo, você pode voltar ao driver anterior caso esteja encontrando problemas. Hoje, quase inútil; mas durante anos, foi uma verdadeira mão na roda para placas de vídeo, por exemplo.

. ClearType: uma nova renderização das fontes exibidas na tela —boa para os monitores LCD que começavam a se popularizar no mercado a partir de 2001, mas nunca caiu no gosto dos usuários.

. Banda larga: suporte aos modem de alta velocidade para Internet banda larga, além de conexões sem fio (wireless). Não era mais preciso usar discadores ou instalar drivers específicos de cada provedor que oferecesse Internet rápida.

. Multimídia: pelo próprio Windows Explorer, você pode gravar seus CDs, sem usar softwares externos. O fluxo de dados para aceleração gráfica também é bem melhor do que o Win2000. Com o tempo e até os dias de hoje, o XP continua sendo a opção preferencial para os gamers.

Versões e requisitos

Além da Home Edition e a Professional, com o passar dos anos a Microsoft lançou o XP Media Center Edition e a Tablet PC Edition.

O primeiro não difere em quase nada do Professional, apenas traz o hoje conhecido Media Center para periféricos multimídia que nunca se popularizaram no Brasil. E a Tablet, como o nome diz, é para notebooks do tipo Tablet PC, daqueles em que o usuário pode escrever na tela.

O XP também se tornou o primeiro sistema operacional a ajudar na popularização da plataforma 64-bit para usuários domésticos e profissionais. O Windows XP 64-bit, porém, tem por base o código do Windows Server 2003, em vez do XP original de 2001.

O primeiro Service Pack (pacote de atualização), em 2002, foi apenas uma série de correções e remendos, nos bugs e furos de segurança. Uma única novidade real foi o suporte a USB 2.0. O segundo Service Pack, porém, trouxe bem mais do que os usuários esperavam.

A partir do SP2, em 2004, o XP se tornou um sistema operacional realmente independente. Trouxe um firewall embutido e ativado de fábrica, suporte a Wi-Fi (Internet sem fio), bloqueador de pop-ups para o IE6 e algumas mudanças no código e na execução de hardware.

O mais recente pacote – o SP3 – foi lançado em abril de 2008 e é a última atualização, segundo a Microsoft. O SP3 corrige bugs e remenda mais de 100 furos de segurança, compatibilidade ou performance.

Com o Windows XP, a Microsoft começou a levar ao extremo a questão das cópias ilegais. O início do WGA (Windows Genuine Advantage) foi um terror para bastante gente, visto que mesmo cópias originais se negavam a operar quando havia alguma mudança de hardware. Rapidamente, o WGA foi crackeado e hoje é motivo de piada.

Por fim, há o Windows Starter Edition uma versão ‘light’ do XP para mercados emergentes (leia-se: terceiro mundo), mais barata, com menos recursos e muitas limitações.

Windows Server: a missão de atualizar o papel de servidores do sistema

O primeiro Windows Server surgiu da necessidade de se atualizar o papel de servidores do Windows 2000, cujas versões Server e Advanced Server eram voltadas para esse nicho. Basicamente, o WS2003 é uma versão revisada do XP, com o código mais enxuto e ainda mais estável.

A exemplo do que ocorreu na migração Win9x para Win2000, com o tempo os profissionais de tecnologia perceberam que, com algumas mudanças básicas, o Windows Server poderia se transformar em um XP caseiro turbinado.

Apesar de bem parecidos, a tecnologia por trás do código do Server e do XP não é exatamente a mesma. Vários usuários já reportaram problemas com a exibição de DVDs e vídeos DivX no Server 2003, por exemplo. Sem contar que o custo de licença da versão servidor é muito superior ao de um XP original.

O Windows Server 2003 foi lançado em abril de 2003 e em dezembro 2005 a versão R2 foi enviada às fabricantes com a inclusão de novos recursos exclusivos para redes corporativas e servidores, além de componentes atualizados. Para usuários domésticos, o R2 não acrescenta em nada, o mais importante é procurar uma versão atualizada com o último Service Pack disponível, o SP2.

Para rodar o sistema, os requisitos são similares ao XP, apenas adicione um pouco mais de RAM. As novidades do Server 2003 são todas direcionadas para servidores, como o Internet Information Server (IIS) 6.0, um suporte avançado a múltiplos processadores (até 8, na versão Enterprise) e muitos gigabytes de RAM. O WS2003 taMBém possui versões 64-bit, com suporte a ainda mais memória RAM.

Em fevereiro de 2008, o WS2003 deu lugar ao Windows Server 2008, também conhecido como a versão ‘servidor’ do Windows Vista. Perceptivelmente mais robusto do que o Vista, ainda irá levar um bom tempo para a migração de WS2003 para WS2008, diante dos requisitos de hardware e espaço em disco. Uma instalação padrão do WS2008 ocupa 12 Gb de espaço.

O processador mínimo para o WS2008 precisa ser de 1 GHz ou 1.4 GHz para 64-bit, mas recomenda-se pelo menos 2 GHz. Em termos de memória, o mínimo (mesmo) é 512 MB de RAM, mas a exemplo do Vista é melhor desistir até de pensar no sistema com menos de 2 Gb de RAM.

Seria o Windows Vista bonitinho, mas ordinário?

Se você quiser enfurecer qualquer funcionário da Microsoft (principalmente os programadores) diga que o Vista é o Windows ME do século 21.

Até agora, mais de um ano após ter sido lançado comercialmente, é difícil não ter a impressão de que o sistema operacional é ‘bonitinho, mas ordinário’. Justiça seja feita, está longe de ser tão problemático e deficiente quanto o Windows ME.

O Windows Vista atrasou pelo menos três anos e não trouxe metade das promessas da Microsoft em novos recursos e funcionalidades, mas entrega ao usuário uma experiência de uso e interface bem superior —isto é, se você tiver um computador superpotente para rodar o sistema em toda sua maestria.

E eis aí o maior ponto fraco do Vista: o excessivo peso, pelo qual a performance termina se tornando sofrível na maior parte dos computadores atuais, em qualquer lugar do mundo.

O Vista coleta tudo que há de novidade tecnológica, em multimídia, hardware e software, num super pacote de instalação que chega a ocupar 10 Gb de espaço em disco após a instalação.

A produção do Vista começou pouco depois do XP, e ele deveria ter sido lançado em 2003. Os novos recursos, até agora inexistentes, são prometidos para o futuro Windows 7.

Somente com o primeiro Service Pack é que o Vista tem se tornado mais aceitável para o gosto da maioria, até mesmo por conta da baixa performance de disco, um de seus (outros) principais calos.

Há diversas dicas e macetes para tentar melhorar a performance do Vista, a exemplo de todas as versões anteriores do Windows. A diferença, contudo, é que mesmo após todos os pequenos segredos o sistema operacional continua operando em negativo aos usuários com menos de 2 Gb de RAM.

Pacote Microsoft Office é quase tão popular quanto os Windows

Presente em praticamente todos os computadores com Windows, o pacote de aplicativos de escritório da Microsoft é quase tão famoso quanto o próprio sistema operacional.

Pouca gente se lembra, mas a primeira versão de fato do Office surgiu primeiro para a plataforma Macintosh, em 1989. Só no ano seguinte surgiu a fusão de Word, Excel e Powerpoint em um pacote único, mas com instalações separadas.

As primeiras edições do Office, contudo, não foram tão famosas. Pelo simples motivo de que não se chamavam ‘Office’ entre os usuários, era mais um termo de marketing adotado internamente. Somente a partir do Office 95, com aqueles gigantescos 22 disquetes de alta densidade – quase o dobro do que os 14 disquetes do Windows 95 – o pacote se tornou o que é hoje.

Sobre o tamanho: enquanto o Word 2.0, ainda na plataforma Windows 3.0, ocupava dois disquetes de instalação, o Word 6.0 ocupava 10 disquetes e também foi lançado para Windows 3.x, numa época em que o Windows 95 ainda não existia. Para comparar, o Windows 3.1 original vinha em apenas três disquetes de alta densidade (3 x 1.44 MB).

Na época de lançamento do Word 6.0, na primeira metade dos anos 90, Bill Gates deu uma célebre entrevista dizendo que os usuários não usavam sequer 10% das funções possíveis no Word. O discurso – e esta mesma realidade – permanece.

Em seguida, vieram Office 97, Office 2000, Office XP e Office 2003. O pacote mais recente, Office 2007, só pode ser instalado a partir do Windows XP em diante. A edição básica ocupa nada menos do que 1 GB de espaço em disco, o mesmo tamanho do Windows XP na instalação padrão (completa), e foi muito antecipada. Inicialmente, se chamaria Office 2006 mas atrasou…

No caminho do Office, alguns programas deixaram de existir. É o caso do Binder (a partir do Office 2000); do FrontPage (no Office 2003, vinha em separado; no 2007, não existe); do Mail, que foi substituído pelo Schedule, que por sua vez desapareceu para dar vez ao Outlook; o Photodraw, que sumiu nos Office pós-2000; entre outros menores e menos conhecidos.