Eleição nos EUA: o dia D dos Estados Unidos

Depois de quase dois anos de tumultuada campanha, os norte-americanos escolhem hoje o novo presidente do país

Paulo Rebêlo
Diario de Pernambuco

04.novembro.2008

Durante as próximas 24h, as atenções do mundo inteiro estão voltadas para as urnas eleitorais nos Estados Unidos. Hoje, passados quase dois anos de uma tumultuada campanha, os norte-americanos escolhem quem será o presidente em uma disputa histórica. Líder nas pesquisas de intenções de voto, o democrata Barack Obama pode se tornar o primeiro presidente negro dos EUA.

Embora o resultado oficial deva sair apenas amanhã, a expectativa é que até o fim da noite de hoje seja possível definir quem será o futuro presidente ds Estados Unidos. O adversário de Obama, o republicano John McCain, veterano da Guerra do Vietnã e um dos políticos mais conhecidos daquele país, é do mesmo partido do atual presidente George W. Bush.

Durante toda esta terça-feira, um verdadeiro mutirão de analistas, consultores e voluntários acompanham o processo eleitoral. Nos bastidores, há um temor generalizado de que “problemas” com as urnas possam ocorrer em alguns estados, prejudicando a eleição e colocando a credibilidade do pleito em xeque.

O fantasma da eleição de 2000 ainda ronda o cenário político. Por conta de falhas nas urnas no Estado da Flórida, aliadas ao confuso sistema eleitoral americano (cujos votos são contados por Colégio Eleitoral), George W. Bush venceu Al Gore por uma diferença mínima naquele ano. Bush faturou 271 votos do colegiado, contra 266 de Gore. No entanto, os votos diretos da Flórida foram recontados e os 25 votos remetentes ao Colégio Eleitoral foram para Bush. Entre os votos diretos, Gore obteve quase 1% a mais, o que representou 543 mil pessoas.

Os centros eleitorais estão sendo vigiados por advogados, a fim de que tentativas de fraudes não ocorram. Diferentemente do Brasil, nos EUA são apenas alguns estados que adotam o sistema de urna eletrônica. Os demais usam pequenos formulários pelos quais os eleitores preenchem na hora.

Perfis – Nascido a 1961 em Honolulu, capital do Havaí, Barack Hussein Obama é protestante, filho do economista Barack Obama,do Quênia, com a americana Ann Dunham, branca e natural do estado do Kansas. O pai de Obama foi educado em Harvard, a mesma universidade que o filho cursou com bolsa de estudos. Os pais se divorciaram quando Obama tinha dois anos. Ele morou na Indonésia quando criança, após o segundo casamento (com um indonésio) da mãe, mas também viveu com os avós no Havaí. Ele se casou em 1992 com Michelle Robinson Obama e o casal tem duas filhas.

O republicano John McCain, se for eleito hoje, pode se tornar o presidente mais velho da história norte-americana. Aos 72 anos de idade, McCain é conhecido pela familiaridade com temas belicosos, como política externa e assuntos militares. Não à toa, o senador pelo estado do Arizona tem a sua trajetória política marcada como veterano da Guerra do Vietnã, onde foi preso e torturado em 1967, quando seu avião foi abatido. Em 2000, John McCain disputou a indicação republicana contra o atual presidente George Walker Bush. Filho de um almirante, McCain passou 22 anos na Marinha. Inicioua carreira política no ano de 1982.

Apuração em tempo real no Recife

No Recife, a contagem dos votos será acompanhada em tempo real. Em parceria com a Associação Brasil-América (ABA), o Consulado Americano irá oferecer debates e explicações sobre o sistema eleitoral americano a partir das 20h30 de hoje. No ocasião, haverá uma simulação para contar os votos de quem estiver presente. Cientistas políticos também foram convocados para analisar a campanha dos candidatos e um link direto com a CNN.

De acordo com o cônsul dos EUA na capital pernambucana, Christopher Del Corso, a programação deve entrar pela madrugada e, talvez, as pessoas já acordem sabendo quem é o novo presidente norte-americano. O evento conta, ainda, com a participação de Kate Bentley, adida de diplomacia pública do Consulado, que recentemente voltou dos EUA. Ela aproveitou a oportunidade para votar antecipado e promete contar como foi a experiência. Empresários, políticos e estudantes universitários também são aguardados no ABA para a noite de hoje.

Preocupados com indícios e desconfianças de que o resultado dasurnas não seja compatível com as pesquisas eleitorais – que mostram Obama com nítida vantagem sobre McCain – os democratas enviaram quase 5 mil voluntários para acompanhar a apuração somente na Flórida.

Ontem, os dois candidatos investiram seus últimos atos de campanha naquele Estado, considerado o mais problemático. O núcleo da campanha democrata afirma publicamente que, há oito anos, Bush só chegou ao poder por conta da suposta fraude de 2000. Associações e movimentos sociais também mobilizam, por conta própria, pelo menos 10 mil voluntários para acompanhar o dia em diversas regiões do país.

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