Maravilhas da lei seca

Paulo Rebêlo | julho.2008 | email Bezerra não é da Silva, mas está feliz da vida. Sua pequena barraca com cerveja quente e espetinho de rato – porque gato é luxo – nunca foi tão requisitada. Outrora reduto dos papudinhos crentes no santo fiado e nos condenados que precisam esperar o bacurau na parada de ônibus, a barraca do velho Bezerra hoje agrega almas diversas. Do mais alma sebosa ao doutor que estudou em Harvard, passando pela patricinha de subúrbio à espera das amigas no táxi e pela pseudo-socialite que leu na revista que espetinho de rua é ‘tudo de bom’.

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Aula de Ioga

Paulo Rebêlo // fevereiro.2007 As pessoas têm uma dificuldade imensa em aceitar a própria natureza. Outro dia, uma colega ucraniana vem dizer que eu deveria experimentar uma aula de ioga. Supostamente, assim teria mais energia e não ficaria bocejando a tarde inteira. Fiquei pensando se não seria mais fácil e teria o mesmo efeito se eu, na hora do almoço, comesse algo um pouco mais leve no lugar do bife com feijão, macarrão, batata e maionese. Talvez eu pudesse dispensar a maionese. A ucraniana insistiu. ‘Você vai gostar, depois da aula me sinto tão leve, cheia de energia, o mundo parece melhor, parece que estou flutuando’… – disse ela. Nessa hora, não sabia mais se ainda estávamos falando de ioga ou se ela me chamava para fumar um baseado importado da Ucrânia. Seria ioga a marca do fumo? Pacientemente, expliquei à criatura que certas pessoas têm todos os motivos do mundo para não praticarem ioga. Primeiro, ioga é saudável. É como suco natural da fruta, meu organismo não foi moldado para coisas saudáveis. Segundo, ioga custa caro. Cada aula custaria R$ 7,00 para apenas uma hora. Pela mesma duração e com o mesmo valor, podemos comprar duas cervejas e um

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Cartilha Feminina Universal – CFU

Paulo Rebêlo // setembro.2005 Com o passar dos anos, os homens vão identificando cada processo que antecede os chiliques femininos, popularmente conhecidos como piti. É comum ouvir reclamações que os homens não entendem as mulheres. É um clichê. E como todo clichê, é uma afirmação pueril.

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Perdido na noite

Paulo Rebêlo // maio.2004 É incrível como todo mundo quer se dar bem no sábado à noite. Coisa meio sobrenatural. Não importa o lugar ou a pessoa. Tem gente que passa horas dançando na boate e não admite voltar para casa sem conseguir ao menos uma beiçada. Quando não consegue, é quase como ter perdido o final de semana inteiro. Um dia eu hei de abrir um motel. Só vai funcionar entre 21h do sábado e 10h do domingo. O nome do distinto estabelecimento será: ‘Chalés Furunfais do Super Ranzinza’ – abrimos somente aos sábados, não insista. Todo o dinheiro arrecadado será investido na aquisição de micro-câmeras disfarçadas de luz negra.

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Como escrever uma crônica – II

Paulo Rebêlo // abril.2004 Coça a barba e medita. É incrível como todo mundo quer se dar bem no sábado à noite. Ou o povo vai para lugar de azaração, onde as pessoas escolhem a dedo quem vão “pegar”, ou para um lugar cheio de casal. Também é ruim para beber sozinho. Mas… antes isso do que ficar assistindo Zorra Total. Toma banho, coloca um chinelo, bota a calça e pega o último Halls preto. Vai na barraca da esquina: jogar sinuca, escutar Reginaldo Rossi, tomar caju-amigo e comer miúdo de galinha. Faz anotações no caderninho, de novo, sabendo que amanhã não vai lembrar das palavras-chaves.

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