Dia das mães solteiras

Paulo Rebêlo NE10 | 13.maio.2010 | link A senhora minha mãe que me perdoe, mas no Dia das Mães o meu saudosismo maior não é direcionado a ela. O que realmente me tira o sono é tentar descobrir o que se passa na cabeça das mães solteiras quando elas são bombardeadas pelos outdoors com famílias de novela, assim, nesse mundo perfeito da propaganda onde todos os homens são fiéis e todas as crianças são felizes. Talvez seja esse o maior charme das mães solteiras: elas são as únicas mulheres que realmente conseguem separar ficção da realidade. Mas, com toda a apelação comemorativa do dia, será que elas sentem mais saudades do ex-marido do que nos outros dias? Será que elas se arrependem ou se orgulham de ter tomado a decisão de ir (ou deixar ir) embora e criar os filhos sozinhas? Em momentos assim, me pergunto se elas realmente compreendem que são muito mais mulheres do que as outras mulheres? Quando olho para a fila de espera nos restaurantes e nos shoppings no Dia das Mães, quase não vejo homens. Estão as mães, avós, filhas, netas, sobrinhas, todas reunidas naquele almoço ou jantar, mas geralmente só aparece um tio e

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Namorando a vovó

Paulo Rebêlo Terra Magazine 05.outubro.2011 Segunda-feira, a jovem manceba chega ao escritório com o sorriso na testa. Antecipa-se a todos para dizer que “beijou muito” no fim de semana. Foi para todas as baladas, dançou, esfregou, pegou geral. As colegas aplaudem, comentam, pulam, incentivam. E se aquelas donzelas preferissem trocar toda a pegação da balada por um final de semana em casa, assistindo Zorra Total na televisão, com um pote de häagen-dazs no colo e um namorado coxinha que segure a mão delas enquanto ri com as piadas super engraçadas do Chico Anysio ao telefone com a Dilma? E elas acordariam cedo no domingo para brincar de casinha: ir ao mercado fazer a feira da semana, comprar iogurte light, frutas frescas e verduras orgânicas. Para depois ir almoçar com os pais TFP do coxinha, em verdadeira comunhão familiar. Não é ficção. Ainda não consegui entender como tanta gente, cada vez mais jovem, sonha com uma vida assim já tão cedo. Mesmo depois de todas as revoluções culturais, sociais e sexuais que tivemos nas últimas décadas. Justamente para que nossos filhos e netos pudessem ter a liberdade que a gente não teve. Essas moças e rapazes podem fazer tudo que nossas

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