O homem elefante

Paulo Rebêlo 23.novembro.2010 Terra Magazine Invejo as pessoas de memória fraca. E desconfio que elas sejam mais felizes. Antigamente, minha memória avantajada era motivo de orgulho. Hoje é um pouco maldição. Pode ter sido alguma pancada na cabeça. Antes dos três anos de idade, não lembro de absolutamente nada. Parece-me normal. O que me parece pouco normal é lembrar, dos três anos em diante, até da posição onde ficavam os brinquedos do primeiro colégio onde estudei, o Abelhinha, em Santarém, no Pará. E de todos os outros. E de todos os amigos. E dos sonhos deles, das frustrações e das alegrias também. E de tantos detalhes de diálogos, atividades, argumentos e até paisagens de um monte de gente que, às vezes, só vi uma vez na vida. Os anos passam e a gente não esquece de (quase) ninguém, querendo saber por onde estão e por que deixamos eles sumirem do mapa sem deixar um telefone, um endereço, um pombo correio. A gente se muda pela décima quinta vez na vida e, em vez de malas com roupas, objetos e compras, trazemos apenas o peso da lembrança de pessoas interessantes e bons amigos que ficam para trás. Amaldiçoados sejam eles. Porque nós já somos. E

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Pequenas burguesas, grandes afeições

Paulo Rebêlo // fevereiro.2007 Janeiro é quando as pessoas costumam fazer aquelas listas inúteis de prioridades. É sempre a mesma coisa, em fevereiro a gente nem lembra mais da lista e no final do ano não fizemos metade do que imaginamos. E no próximo ano, o ciclo se repete e, num piscar de olhos, uma década se passa e a gente ainda não escreveu aquele livro, não plantou aquela árvore e não fez aquele filho. (oficialmente) Em vez de perder cinco minutos pensando sobre nossos feitos e desfeitos, poderíamos perder cinco minutos refletindo sobre os feitos e desfeitos das outras pessoas na nossa vida e fazer uma lista de prioridades contra elas. É que depois de alguns anos, a gente olha para trás e percebe que, afinal, aquelas burguesas e patricinhas não eram tão burguesas e patricinhas assim. Hoje, quem sabe, tenham se transformado em donas-de-casa.

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Pílula do Esquecimento

Paulo Rebêlo // maio.2005 Muita gente gostaria de voltar no tempo. Para consertar quebradeiras, acertar o que deu errado, tentar de outro jeito, não deixar aquela pessoa ir embora. Como a viagem no tempo só existe nas fórmulas matemáticas dos físicos, o jeito é esperar que a ciência consiga inventar uma pílula do esquecimento. Afinal, se não podemos voltar no tempo para remediar as burrices da vida, ao menos poderíamos tomar um remédio diário para esquecer as piores frustrações. O efeito seria paulatino. Um comprimido por dia e, aos poucos, você vai esquecendo.

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Loucura Coletiva

Paulo Rebêlo // maio.2005 A psicologia como ciência (e não como mercado) consegue identificar e, às vezes, até mesmo explicar uma gama de pequenas loucuras na cabeça das pessoas. E com uma certa análise e meditação, a gente mesmo descobre a origem da maioria das nossas neuras. A ciência até identifica o que leva pessoas às loucuras perenes ou temporárias, até mesmo aqueles habituais chiliques femininos.

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