Os cachorros de Bucareste

Da minha primeira incursão na capital da Romênia, nada me chamou mais atenção do que a quantidade de cachorros enormes e peludos pelas ruas de Bucareste. Pareciam ursos domésticos dentro de uma coleira fininha.

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Budapeste, oito anos

O vovô boxeador que jogava pôquer bateu as botas. Eu já devia ter desconfiado, talvez por causa da demora em responder aos e-mails sobre minha provável visita para mais um churrasco de salsicha. Éramos apenas quatro, às vezes cinco. E ele sempre contava como aprendeu a jogar durante a Guerra da Coréia nos anos 50.

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André José Adler / Endre József Adler (1944-2012)

— Eu gostava de irritar o André José Adler dizendo que era fã dele e que me sentia um privilegiado por dividir várias garrafas de Tokaj e pratos de Goulash na companhia do diretor de ‘Nem as enfermeiras escapam’, um clássico da chanchada brasileira produzido em 1977. Ele respondia: “escrevi o roteiro de tanto filme bom, participei de programas e seriados históricos na TV Tupi, ganhei prêmios, fui o primeiro Pedrinho da televisão brasileira (do Sítio do Pica Pau Amarelo), tive uma longa carreira na ESPN, mas você só lembra justamente da única coisa que me arrependo de ter feito!” E assim muitos meses se passaram conversando sobre cinema e jornalismo esportivo. Ele bem que tentou, mas nunca consegui entender o tal de futebol americano. Até hoje não faço ideia. Quando ele se empolgava demais tentando explicar os jargões e o funcionamento do jogo, eu começava a perguntar sobre os bastidores das enfermeiras que não escaparam. Ele ria, respondendo: “só não fico com raiva porque não consigo levar a sério alguém que gosta de Calypso“. Nascido Endre József Adler em Budapeste, capital da Hungria, André Adler veio para o Brasil ainda criança, com a família. Depois da carreira meio acidental

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O mundo é uma bola

Em uma ruazinha escura na parte alta de Budapeste, encontrei uma taberna belga onde, quase sempre, eu parecia ser o único cliente disposto a voltar. De todos os colegas que levei, só dois ou três admitiram ter gostado, mas ninguém pedia para voltar. Gostava não apenas pela cerveja e pelo tempero diferente, mas porque o dono, um senhor belga de poucas palavras, sempre colocava um jazz bem tradicional para ouvir. E foi ali que mentalmente precisei pedir desculpas a Thomas Friedman e seu excelente livro-argumento de 2005 de que o mundo é plano. Não é. Friedman diz (no livro) que precisou ir à Bangalore para entender como a globalização tem mudado os conceitos socioeconômicos e que hoje o mundo tornou-se plano. Sorte a dele. Porque eu precisei de bem mais do que algumas, talvez muitas viagens ao desconhecido para achar que o mundo é só uma bola. E de uma música ridícula para ter certeza. Depois de cinco litros de Leffe Blond, uma iguaria dos mestres cervejeiros belgas, sai da caixa de som a voz sintetizada de Dido, uma insossa e magrela cantora britânica. Devo ter perdido o horizonte por uns minutos e o máximo que pude responder a meu curioso interlocutor

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Things I will miss

Paulo Rebêlo The Budapest Sun – 13.junho.2007 link original After almost one year living in Budapest, if someone asks me to make a list of what I have learned or what most caught my attention, it would be a problem to fit everything in this space. What I know for sure is what I will miss, some things more than others, of course. Usually, what catches your attention is not something necessarily good or bad, but the unexpected. And the first thing to catch my attention, completely unexpectedly, was the different treatment you get being a foreigner and being a Hungarian.

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The ties of bureaucracy

Paulo RebêloThe Budapest Sun – 09.maio.2007 – link original Excessive bureaucracy is part of eastern Europe folklore. You will always find yourself in a situation when a bureaucrat is behind a desk and you’re the next in line. He’ll make a fuss about forms and different offices you should go, sometimes related to small and insignificant things that do not make sense at all.

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Black coffee, white devil

Paulo Rebêlo ( email ) The Budapest Sun – 11 .April. 2007 link original Those that say there is a coffee tradition in Budapest are not telling the truth. At least not exactly. That does not mean to say they are lying. Most probably they just do not appreciate coffee enough to realize how difficult it is to find good coffee around here. Or maybe they are not as addicted as the average Latin American.

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Budapest: the little giant

Paulo Rebêlo The Budapest Sun – 14.mar.2007 Is Budapest a big city? It depends on whom you ask. One of the demographic oddities of Latin American countries is the general absence of medium-sized cities. We have huge metropoli – usually capital of a State – where most people live nowadays. And then we have thousands of small cities, especially in the rural areas. In Brazil, this is particularly odd, because the landmass has such continental measures that, in theory, we should have more medium-sized cities and less populated mega- cities.

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The Budapest Billing Game

Paulo Rebêlo The Budapest Sun – 14.fev.2007 – link original You have just finished a delicious duck breast with croquette potatoes. You are feeling good after the nice wine, directly from the Hungarian countryside. The palacsinta pancake for dessert was marvelous. You are full, your belly feels happy (and bigger) and all you want on Earth right now is to pay the bill, go home and have a good night’s sleep. There’s only one problem: you can’t leave the bloody place. No matter how hard you try to look for the waiter, or raise your hand once in a while, no one will see you. No one will notice that you are done and want to actually pay; they will make you wait until a good soul finally comes to see if you need anything. When they realize you just want to pay and leave, they will make you wait again. And then a bit more.

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