Orquestra do medo

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Quando o fiscal da Prefeitura do Recife levou dois tiros na última terça-feira (13), ao meio dia e em frente ao Mercado de São José, estávamos a apenas 50 metros dele. Tiros, correria, informação errada de que era um arrastão, medo estampado no rosto de toda aquela gente, uma pessoa caída no chão com o sangue escorrendo, a população tirando fotos com o celular, a ausência de socorro, a completa falta de policiamento… nada disso é novidade.

Paulo Rebêlo
NE10 | 20.jan.2015 | link

Quando o fiscal da Prefeitura do Recife levou dois tiros na última terça-feira (13), ao meio dia e em frente ao Mercado de São José, estávamos a apenas 50 metros dele.

Tiros, correria, informação errada de que era um arrastão, medo estampado no rosto de toda aquela gente, uma pessoa caída no chão com o sangue escorrendo, a população tirando fotos com o celular, a ausência de socorro, a completa falta de policiamento… nada disso é novidade.

E nada disso foi assustador. Justamente porque não é novidade.

Assustador foi a rapidez dos lojistas que colocaram as pessoas para dentro de seus estabelecimentos e numa fração de segundo fecharam as portas e isolaram os cidadãos da rua.

De repente, tudo ficou escuro dentro das lojas. Um desavisado (feito eu) poderia pensar que se tratava do apocalipse zumbi.

E talvez seja. Ao conversar com os lojistas e não ter mais onde anotar tantas ocorrências de roubos a mão armada e pequenos arrastões, parece mesmo que a segurança pública é um grande zumbi gordo.

Se até lojistas de shopping estão com medo, o que diremos dos lojistas e consumidores desta região historicamente mais ignorada pelo poder público, o centro da cidade?

Trabalham como uma orquestra genuinamente afinada depois de anos e anos de treino. Basta uma correria qualquer, um barulho parecido ao som de revólver, um grito de arrastão.

Pena que não haja a menor poesia nessa música que se perpetua no Recife.

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