Encanador Joe ganha fama instantânea

DEBATE // Eleitor que ganhou ares de norte-americano médio foi o nome mais citado por Obama e John McCain em 90 minutos

Paulo Rebêlo
Diario de Pernambuco
17.outubro.2008

O nome dele foi pronunciado 25 vezes durante os 90 minutos do debate entre Barack Obama e John McCain, na quarta-feira. Somente nos primeiros minutos do evento, foram 13 vezes. Para comparar, o termo “economia” – supostamente o trunfo do confronto entre os presidenciáveis norte-americanos – foi pronunciado apenas 16 vezes. Estamos falando de Joe, o encanador.

A maior estrela do terceiro e último debate, transmitido ao vivo pela CNN, é um careca de meia-idade chamado Joe Wurzelbacher. E seus quinze minutos de fama, como bem pregava Andy Warhol, foram multiplicados várias vezes diante das atenções mundiais sobre o democrata Obama e o republicano McCain frente às câmeras.

O encanador Joe está em todas. No Youtube, um vídeo caseiro (feito por ele mesmo) revela suas preocupações em relação à economia e aos programas de governo dos candidatos, principalmente sobre o maior anseio dos norte-americanos: a redução de impostos. Nos principais jornais e sites americanos, fotos de Joe estampam até mesmo as primeiras páginas. Em blogs, não se fala em outra coisa.

Logo no início do debate na CNN, McCain comentou sobre uma conversa entre Obama e Joe, o encanador. Na versão de McCain, o programa de governo de Obama iria aumentar impostos para pessoas como Joe. A partir da premissa, Joe foi o centro das atenções, inclusive, com os candidatos se dirigindo à câmera como se falassem com Joe.

O encontro entre Joe e Obama ocorreu no último domingo (12), quando o candidato esteve na cidade de Toledo, em Ohio. A caminho do hotel, Obama parou para fotos e conversas com a população local. Foi quando Joe apareceu, dizendo: “Trabalhei como encanador durante 15 anos e agora quero montar meu próprio negócio. Terei que pagar mais impostos pelo seu programa de governo?”, questionou.

A saia justa foi imediata. O plano econômico de Obama prevê mais impostos para quem fatura mais de US$ 250 mil por ano, o que representa de 4% a 6% da população norte-americana, segundo cálculos de suaequipe. O negócio que Joe pretende montar ultrapassaria o teto firmado por Obama e sofreria mais taxação.

Para McCain, foi a deixa para confrontar o adversário democrata. Para Joe, o encanador, foi o passaporte para os quinze minutos de fama internacional. E para Obama, foi um jeito peculiar de explicar novamente que se orgulha do trabalho dos norte-americanos mais “ricos”, mas que eles devem ter alguma compensação para custear o corte de impostos para a maioria da população.

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