O monstro do Lago Paranoá

Paulo Rebêlo Terra Magazine 23.março.2011 Voltar a nadar foi uma das decisões mais acertadas que tive nos últimos tempos, se não fosse pelas crianças. Dos outros. Por não ter horário fixo e chegar em qualquer horário, imaginei que poderia dar minhas braçadas em paz, sem distrações e sem concorrer com ninguém. A mocinha da secretaria tentou me alertar sobre elas, mas foi em vão. No primeiro dia da coincidência de horários, fui fazer meu alongamento normalmente, mas agora estava diante de todo aquele barulho infernal típico de quando várias crianças estão na piscina brincando. Fiquei com vontade de jogar ácido muriático na água, mas depois pensei melhor e deu até pena. Não das crianças, mas dos pais. Naquele estabelecimento, aparentemente só tocam dois CDs: um da Ivete Sangalo (Ao Vivo em Salvador) e outro de uma compilação bate-estaca dos “Baladeiros de Goiânia”. Está escrito na capa do CD, tive que ir lá conferir para ter certeza que não estava delirando. Fui cobrar um desconto na mensalidade (por insalubridade e sanidade mental) e as professorinhas de maiô entrando na bunda me acharam um tiozinho muito engraçadinho, como se tivesse contado uma piada. Se eu soltasse uma piadinha de verdade sobre o

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O super vô ranzinza da barbona branca

Paulo Rebêlo // setembro.2003 Depois da última crônica, não consegui parar de pensar na possibilidade de ter netos sem precisar ter filhos. Será possível? Domingão é sempre um dia bom para refletir nos mandos e desmandos da vida. De ceroulão em manhã chuvosa, resolvo terminar aquele restinho de Contreau (tira a ressaca que é uma beleza) e acender um charutinho para, quem sabe, colocar em prática tudo aquilo que não aprendi nas aulas de biologia. Posso eu ser avô sem ser pai? Modéstia à parte, eu seria um excelente avô. E tem mais: a maioria dos avôs são, praticamente, versões suavemente melhoradas do que seria o Super Vô Ranzinza da Barbona Branca. Todos eles carregam uma protuberante saliência fronto-abdominal. Eu também. Todos eles são carecas. Eu estou em vias avançadas de ter um aeroporto internacional de muriçocas. Eles têm barba branca. A minha é meio galega, mas suspeito de que não vá demorar muito para branquear. Eles são caladões. E eu vivo sendo chamado de taciturno por muita gente… Pensando bem, acho que eu poderia ser avô agora mesmo. O papel do avô é muito bacana. A gente não precisa (já estou me incluindo no grupo) ficar naquele fricote com

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Mudança, filhos e futricos

Paulo Rebêlo // agosto.2003 O trabalho que dá para empacotar, arrumar e transportar até a nova casa, ciente de que depois será preciso desempacotar e arrumar tudo novamente, faz pensar: por que não guardamos nossas coisas em caixas? Seria tão mais prático. Era só escrever: essa aqui é a roupa, aquela ali é a louça de luxo (pratos e copos descartáveis) e a caixa grande são os bagulhos gerais. O melhor de tudo é que é incrível como caixas de papelão se adaptam em qualquer ambiente. Deve ter algo a ver com o feng shui. O pior é descobrir que, em um apartamento minúsculo como aquele cafofo antigão, cabia três vezes mais bagulhos do que sempre imaginei. E depois de tanta papelada e trecos jogados fora, vem a dúvida: por que um lugar maior? Bendito financiamento. Em ocasiões assim, nunca se deve pedir conselho aos pais. O pai diz: meu filho, melhor resolver isso agora enquanto você é solteiro e ainda consegue financiar alguma coisa… e tem mais, um dia você pode casar e vai precisar de um quarto extra para seus filhos. Assim mesmo, filhos, no plural. A mãe completa: no dia que você casar (ela nunca usa o

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