O monstro do Lago Paranoá

Paulo Rebêlo Terra Magazine 23.março.2011 Voltar a nadar foi uma das decisões mais acertadas que tive nos últimos tempos, se não fosse pelas crianças. Dos outros. Por não ter horário fixo e chegar em qualquer horário, imaginei que poderia dar minhas braçadas em paz, sem distrações e sem concorrer com ninguém. A mocinha da secretaria tentou me alertar sobre elas, mas foi em vão. No primeiro dia da coincidência de horários, fui fazer meu alongamento normalmente, mas agora estava diante de todo aquele barulho infernal típico de quando várias crianças estão na piscina brincando. Fiquei com vontade de jogar ácido muriático na água, mas depois pensei melhor e deu até pena. Não das crianças, mas dos pais. Naquele estabelecimento, aparentemente só tocam dois CDs: um da Ivete Sangalo (Ao Vivo em Salvador) e outro de uma compilação bate-estaca dos “Baladeiros de Goiânia”. Está escrito na capa do CD, tive que ir lá conferir para ter certeza que não estava delirando. Fui cobrar um desconto na mensalidade (por insalubridade e sanidade mental) e as professorinhas de maiô entrando na bunda me acharam um tiozinho muito engraçadinho, como se tivesse contado uma piada. Se eu soltasse uma piadinha de verdade sobre o

texto completo

Bíblia do Solteiro Apostólico IV

Paulo Rebêlo // maio.2003 Parte 4 – O feng-shui do solteiro – Seu cafofo — aquele zungu onde você mora ou se esconde — exerce um importante papel em sua caminhada doutrinal. Não se iluda: elas prestam magnânima atenção ao cafofo onde você pretende, digamos assim, celebrar o ápice da doutrina Tico-Tico no Fubá. Como todo bom ranzinza, é possível que você tenha dificuldade natural em convencer qualquer mulher a fazer-lhe uma inocente visita. Uma visita ingênua, apenas para tomar vinho em copo de plástico ou comer um nissin-miojo requentado. Se bem que agora tem Cup Noodles, bem mais prático.

texto completo

Ordenação do Frei Ranzinza

Paulo Rebêlo // janeiro.2003 Nosso anti-herói precisou voltar à terra natal – Ranzincity — e aproveitou para fazer uma visita a velhos amigos de um monastério. Na ocasião, terminou por hospedar-se em retiro compulsório. Uma semana depois, escreve uma carta a uma grande amiga, mas que provavelmente ninguém vai usar como Primeira Leitura na missa de domingo:

texto completo

Apagão, louvado sejas tu

Paulo Rebêlo // maio.2001 É incrível como ainda existem pessoas que não conseguem ser simpáticas ao apagão. Parece mentira, mas ainda tem gente que não aprende: esta é uma oportunidade única em nossas vidas. São tantas coisas boas em conseqüência do apagão que apenas uma crônica não foi suficiente. O tal Ministro do Apagão, Pedro Parente (parente de quem, ninguém sabe), anunciou que o governo começa a analisar a possibilidade de decretar como feriado nacional a segunda-feira. Todas elas.

texto completo

Baby boom do apagão

Paulo Rebêlo // maio.2001 Estou impressionado com a quantidade de pessoas que reclamam sobre o iminente apagão generalizado que pode ocorrer no Brasil. Incrível como o pessimismo reina perante a sociedade quando, ao menos, poderiam pensar em tantas coisas boas para se fazer no escuro. Neste exato momento eu não consigo pensar em tantas, mas quem precisa de opções quando se tem o melhor argumento: vamos fazer menino?

texto completo

Revolta dos eletrodomésticos 2/2

Paulo Rebêlo // maio.2001 Duas horas (cronometradas) depois do pipoco seguido da falta de energia, ligo ao prontidão da CELPE e recebo como resposta: “meu senhor, não está faltando energia no seu bairro, estou olhando nos computadores e não tem nada aqui.” Computadores, a culpa é sempre deles. A perdição do homem contemporâneo. Não mandei os computadores para aquele canto porque já basta o que o meu precisa ouvir quando o Windows trava. E, cá para nós, trava muito.

texto completo

Revolta dos eletrodomésticos 1/2

Paulo Rebêlo // maio.2001 Para o dicionário, ranzinza é aquele indivíduo birrento, insistente, teimoso, aborrecido, rabugento, impertinente, ranheta. O pai dos burros é demasiadamente meticuloso. Pode-se definir ranzinza apenas como aquele cidadão muito, muito chato. Simples assim. Pelos motivos acima expostos e outros quinhentos a mais, um ranzinza precisa morar só. Trata-se de um respeito social com os demais. Questão puramente cognitiva: se o ranzinza não vai ter em quem descontar a chatice, vai sobrar para a geladeira, o fogão, o microondas, a televisão…

texto completo

A pena misteriosa

Paulo Rebêlo // abril.2001 Quem mora sozinho, deve presenciar barulhos estranhos e situações inusitadas que sempre ocorrem e você não tem ninguém para lançar aquele olhar inquisitório e indagar sobre o acontecimento. Afinal, sem dúvida, duas cabeças sempre pensam melhor do que uma. É comum, no meio da madrugada, ouvir uma martelada oriunda do andar superior e ficar imaginando hipóteses das mais extravagantes. Enfim, são fenômenos domésticos os quais, apesar de esdrúxulos, normalmente não geram dores de cabeça para descobrir as causas. Como, por exemplo, acordar no meio da noite com o cheiro de queimado no ar e só então lembrar que esqueceu o forno ligado. Era uma vez o jantar requantado de duas semanas.

texto completo

Site Footer

Sliding Sidebar

Instagram