A lágrima masculina

Paulo Rebêlo |   abril 2009 Homens também choram. Nem sempre pelos motivos mais nobres, é verdade. Mas nem por isso podemos desvalorizar cada gota de lágrima a escorrer pela barba. Há nove anos, quando o Sport Recife perdeu de virada para o Palmeiras o inédito título da Copa dos Campeões, faltou saliva para engolir. Era o ano 2000 no estádio Rei Pelé em Maceió. Sentado no alambrado, de olhos marejados, subi as mãos à cabeça diante de tamanha desgraça de uma vida inteira. E por um minuto hesitei. Vi um marmanjo de 1,95m a chorar. Minutos atrás, imaginei que aquele cidadão fosse invadir o campo, puxar uma pistola da cintura e atirar a esmo, tamanha a brutalidade durante os 90 minutos anteriores. Deitado sob o colo de uma senhora, provavelmente a senhora sua mãe, o brutamontes chorava. Copiosamente.  

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