Jornal diário: reforma não sai porque o gesso não quebra

Paulo Rebêlo Observatório da Imprensa, ed. 743 23.abril.2013 (link) Reforma é quando jornal resolve enxugar custos na planilha, espaço no papel e funcionários na mesa. Às vezes, também atende pelo nome de inovação. Não existe reforma porque jornal ainda não pretende reformar nada. Falta interesse e conhecimento para mexer no status quo, embora o discurso para público, acionistas, funcionários e colaboradores seja outro. Um jogo de cena conhecido – e alimentado – por quem dele faz parte. Uma reforma, de fato, significa quebrar tabus quase religiosos dessa instituição chamada jornal diário. E o principal tabu é o gesso. Você tem três fotos excelentes para a matéria? Só tem espaço para uma. Tem uma reportagem ótima com duas páginas essenciais? O leitor não vai ler. Não tem notícia suficiente de Economia para hoje? Se vira porque tem quatro páginas para preencher. Coloca qualquer coisa da agência. Há 10 anos, já não fazia sentido manter esse método gesseiro de produção. Continuaram. Hoje, jornal impresso é motivo de piada. Um elefante na sala. E nossa sala tem cada vez menos espaço para papel ruim. Também não há mais espaço para veículos engessados, presos a regras semirreligiosas de produção, edição, diagramação e publicação. O

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Corações furtados

Paulo Rebêlo 11.junho.2010 Terra Magazine link Não é chato quando a gente conhece alguém interessante e não dá certo? Primeiro porque o mundo passa por um acelerado processo de extinção das pessoas razoavelmente interessantes. Tipo, gente que tenha um mínimo de conteúdo para você conversar algo que não seja o resultado do jogo de ontem, a novela de hoje ou as subcelebridades de amanhã. Segundo porque a maioria das pessoas solteiras sempre tropeça no mesmo pensamento: se demorou tanto para aparecer alguém interessante, quem garante que não irá levar outros duzentos anos até aparecer outra? São em momentos assim que a porca torce o rabo e a cobra fuma charuto. Dia dos namorados é quando vemos um monte de gente bonita sucumbindo ao desespero para namorar com o primeiro brucutu que se prontifique a pegar sua mão, levar para passear no shopping lotado, comer uma pizza no domingo à noite, conhecer sua mãe e elogiar aquele estrogonofe que você aprendeu a fazer dez anos atrás na Cozinha Maravilhosa da Ofélia. O padrão mínimo de exigência fica do tamanho de um piolho e você começa a chamar urubu de meu louro. É um roubo. Roubamos oportunidades bem melhores para nossas vidas por causa de

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Sociedade bundalizada

Paulo Rebêlo // julho.2005 Não são apenas as mulheres interessantes que estão em extinção. Pessoas interessantes também. A sociedade está, cada vez mais, preocupada em seguir à risca certos padrões uniformes que não são nossos, são dos outros. Roupas, comportamentos, utensílios e até mesmo palavras precisam se enquadrar em um ambiente padronizado, limpo, politicamente correto, moderninho e eventualmente cult. Um tédio, o qual acaba por gerar pessoas tediosas.

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Bíblia do Solteiro Apostólico V

Paulo Rebêlo // junho.2003 Parte 5 (final) – Cama, mesa e banho: o fim da revelação – Então você resolveu seguir nossas dicas esotéricas da crônica anterior e, finalmente, uma beata resolveu criar coragem para conhecer o seu cafofo. Significa que você está prestes a celebrar o ápice doutrinário: a cerimônia da fusão dos corpos. A arrumação da cama é um aspecto muito importante. Depois de tanto tempo para convencê-la a ir tomar um vinho em copo de plástico, é hora de você trocar os lençóis, as fronhas dos travesseiros e deixar a cama toda arrumada para a ocasião. E é justamente na arrumação que a porca torce o rabo.

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Bíblia do Solteiro Apostólico IV

Paulo Rebêlo // maio.2003 Parte 4 – O feng-shui do solteiro – Seu cafofo — aquele zungu onde você mora ou se esconde — exerce um importante papel em sua caminhada doutrinal. Não se iluda: elas prestam magnânima atenção ao cafofo onde você pretende, digamos assim, celebrar o ápice da doutrina Tico-Tico no Fubá. Como todo bom ranzinza, é possível que você tenha dificuldade natural em convencer qualquer mulher a fazer-lhe uma inocente visita. Uma visita ingênua, apenas para tomar vinho em copo de plástico ou comer um nissin-miojo requentado. Se bem que agora tem Cup Noodles, bem mais prático.

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Bíblia do Solteiro Apostólico II

Paulo Rebêlo – abril.2003 Parte II – Rebanho de Ovelhas Bundudas – O solteiro apostólico precisa ser, antes de tudo, um exímio pregador dos mandamentos sagrados da doutrina Tico-Tico no Fubá, a fim de poder atingir o ápice doutrinário: aumentar o rebanho das ovelhas-beatas ávidas por mostrar-lhe a belíssima trindade. Frei Ranzinza tenta seguir as escrituras sagradas (“escrituradas” por ele mesmo) e até agora só tem convertido barangas, jaburus, neuróticas e psicóticas. Quem sabe você não tem mais sorte?

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Ordenação do Frei Ranzinza

Paulo Rebêlo // janeiro.2003 Nosso anti-herói precisou voltar à terra natal – Ranzincity — e aproveitou para fazer uma visita a velhos amigos de um monastério. Na ocasião, terminou por hospedar-se em retiro compulsório. Uma semana depois, escreve uma carta a uma grande amiga, mas que provavelmente ninguém vai usar como Primeira Leitura na missa de domingo:

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