Honesta gravata

Paulo Rebêlo Terra Magazine 21.setembro.2011 link Não gosto de usar paletó. Falando assim, parece o velho clichê de querer ser informal ou tentar reafirmar a condição de homem primitivo. Mas é apenas uma aflição ideológica. Não sei o motivo, mas as pessoas costumam me tratar muito bem quando estou de paletó. E isso faz o nó da gravata apertar demais a minha garganta. Sempre me questiono por que não recebo o mesmo tratamento de estranhos quando estou com minhas calças de pano e meu kichute genérico? É a mesma pessoa. Não é uma aflição recente. Comecei a reparar na diferença quando, ainda bem jovem, ouvi de uma moça que nenhuma mulher resiste a homem de paletó. Não quis nem saber o motivo. Quase corri na loja mais próxima para comprar vinte paletós e quarenta gravatas. Com o passar dos anos e por força eventual do ofício, percebi que não eram apenas as mulheres que me olhavam diferente. Se as mulheres parecem olhar com mais interesse, os homens parecem falar com mais respeito, reverência ou medo. Às vezes é difícil diferenciar uma coisa da outra. Dependendo do lugar e do momento, o paletó transforma-se na Matrix. Uma realidade paralela onde um simples terno

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