Kwaidan número um

Paulo Rebêlo Terra Magazine * 05.abril.2011 Uma fração das mulheres mais lindas que conheci na vida talvez nunca tenham existido de verdade. A exemplo de uma das histórias do Kwaidan original, clássico de 1964 do cinema japonês, você pode jurar que elas continuarão ali. Até o dia em que ela desaparece sem deixar rastros. Hoje conto apenas uma dessas pequenas histórias, enquanto relembro outras aparições desse tipo que podem ser publicadas. Oxalá não venham puxar meu dedão do pé de madrugada. Depois de uma palestra na UFRJ, perdi a hora conversando com uns estudantes marotos e, assim, perdi também minha carona para voltar ao hotel. Quase 23h de um sábado, não havia mais ninguém por perto além de um vigilante que mostrou onde era a parada do ônibus, com um ponto de táxi por perto. Andei até lá e bateu um certo medo. Não havia ninguém na parada além de uma pessoa com casaco de capuz. Não consegui enxergar quem estava por trás do capuz. Não havia táxi. Não havia ônibus. Só o breu. E aquele capuz. Sentei na outra ponta do banco, esperando qualquer movimento daquele cidadão de capuz. Mas por baixo do capuz havia uma das mulheres mais

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Aula de Ioga

Paulo Rebêlo // fevereiro.2007 As pessoas têm uma dificuldade imensa em aceitar a própria natureza. Outro dia, uma colega ucraniana vem dizer que eu deveria experimentar uma aula de ioga. Supostamente, assim teria mais energia e não ficaria bocejando a tarde inteira. Fiquei pensando se não seria mais fácil e teria o mesmo efeito se eu, na hora do almoço, comesse algo um pouco mais leve no lugar do bife com feijão, macarrão, batata e maionese. Talvez eu pudesse dispensar a maionese. A ucraniana insistiu. ‘Você vai gostar, depois da aula me sinto tão leve, cheia de energia, o mundo parece melhor, parece que estou flutuando’… – disse ela. Nessa hora, não sabia mais se ainda estávamos falando de ioga ou se ela me chamava para fumar um baseado importado da Ucrânia. Seria ioga a marca do fumo? Pacientemente, expliquei à criatura que certas pessoas têm todos os motivos do mundo para não praticarem ioga. Primeiro, ioga é saudável. É como suco natural da fruta, meu organismo não foi moldado para coisas saudáveis. Segundo, ioga custa caro. Cada aula custaria R$ 7,00 para apenas uma hora. Pela mesma duração e com o mesmo valor, podemos comprar duas cervejas e um

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Viagens insólitas

Paulo Rebêlo // outubro.2006 Atualmente, não sei do que tenho mais medo: viajar de avião ou abrir a internet e ler sobre mais uma aeronave que caiu. Desde antes do vôo 1907 da Gol, eu já tinha vários motivos pessoais para não simpatizar com viagens de avião, como pode ser visto nas duas últimas crônicas disponíveis neste espaço. Penso cá com meus botões que, a partir de agora, mesmo em vôos domésticos precisarei chegar duas horas antes do embarque: meia hora para o check-in e uma hora e meia para encher a cara de uísque no bar do aeroporto. Só assim para ficar a viagem inteira desacordado sem depender de substâncias químicas que fazem mal à saúde. Uísque pelo menos tem o malte.

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