Os novos donzelos

Terra Magazine – abril.2010 Dia desses, pediram minha opinião profissional sobre uma dúvida muito complexa: como ganhar dinheiro fazendo um site de mulheres sem sacanagem? Não tem mistério. É só colocar sacanagem. Vai chover de mané com cartão de crédito. Porque de todas as mazelas que o computador nos trouxe, poucas superam o surgimento desta nova classe de donzelos conectados. Eles conseguem até telefone de garota de programa pela internet, veja que maravilha. Lógico, somente depois de conferir fotos em alta resolução que elas enviam por e-mail pelo notebook baratinho da Positivo que elas ganharam de presente de um cliente. Tudo muito higiênico e seguro, sem perigo de esbarrar em cafetão. Lascívia delivery. Com desconto e cartão infidelidade. De passagem por São Paulo no feriadão, me escondo daquela chuva interminável debaixo da marquise na Augusta. Enquanto espero o táxi anfíbio, duas moças conversam em polvorosa. A jovem donzela lamentava o fim do namoro. Não foi por ter pego o cônjuge na cama deles com uma sirigaita qualquer, como acontecia antes. Até porque hoje ninguém mais sabe o que é sirigaita. Ela abriu o computador do donzelo e o site mais acessado era um tal de Bitch Maps. Fez as malas do coitado e chutou-lhe a bunda.

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A dívida feminina

Paulo Rebêlo 08.março.2010 Terra Magazine link Não sei a quem devo mais: às mulheres que um dia passaram pela minha vida ou ao Banco do Brasil. A diferença é que, um dia, talvez eu consiga quitar minha dívida com o banco. Com as mulheres, vamos morrer em débito. Com elas aprendemos a amar e a trair. E que às vezes amar é trair. E trair nem sempre é exatamente falta de amar. Mas, na vida de um bruto, o maior legado das mulheres é ensinar que amar também é deixar ir embora. Porque mais difícil do que ir embora do presente, é ir embora do seu futuro. E ninguém sabe fazer isso tão bem quanto elas. Somem como fumaça e montam uma nova vida como um passe de mágica. Enquanto o seu único abracadabra são noites insones a esperar que ela bata na porta de madrugada. Demora muito, às vezes uma vida inteira, até você aprender que não se trata somente de deixar ir embora. Trata-se, principalmente, de deixá-la ir embora e torcer para que ela tenha toda a felicidade que você sempre quis dar e não conseguiu. Não importa se por incompetência, inércia, conformismo ou pouca fé. Ela iria embora independente das causas. Até

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O homem das mulheres

Alguns homens nascem virados para a lua, outros para a mesa de bar. Desde muito jovem, nunca entendi como era possível existir homens os quais as mulheres sempre corriam atrás, enlouquecidas, como se eles fossem a última coca-cola no deserto ou a bala que matou Kennedy. Eles não precisam falar nada, não são os mais bonitos e nem os mais inteligentes. Apenas nasceram virados para lua ou com o gene do Zé Mayer. Para os demais mortais, nós, restava apenas um pouco de inveja. Afinal, mulheres lindas são sempre mulheres lindas, por mais bem casado que você esteja e por mais linda que seja a sua fofinha. Esses caras abençoados conquistam as mulheres mais lindas sem o menor esforço. Tanto faz se eles são advogados ricos ou bandidos, com ou sem redundância. Elas parecem não se importar. E o que dá mais raiva é que eles nem precisam fingir que gostam de teatro, artes plásticas e comédias românticas. Nossa única vantagem é que não precisamos mais do que três doses de uísque para transformar em alívio toda a inveja universal. Você senta ao lado de um homem das mulheres para, antes da terceira dose, perceber como é tecnicamente impossível estabelecer um diálogo concatenado, minimamente

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Homens não ligam no dia seguinte

Paulo Rebêlo | nov.2001 Estava eu folheando um semanário quando, de repente, leio uma propaganda de uma operadora de cartão de crédito que dizia mais ou menos assim: “perfume tal: 50 reais; vestido novo para a festa: 120 reais; ele ligar no dia seguinte: não tem preço”. Na propaganda, aparece uma mulher de roupão, deitada no sofá, com aquele sorriso que bate na testa, tamanha a satisfação. Em minha impopular (porém imbatível) sensibilidade e romantismo de botequim da esquina, achei essa apelação um motivo suficiente para comentar sobre a pieguice neofeminista que prega o chavão de que nós, homens, seres humanos de duas cabeças impensantes, não gostamos de ligar no dia seguinte porque somos machistas, cafajestes, vulgares, biltres, infames e outros adjetivos ocasionalmente não muito falsos. O interessante é a celeuma com a qual homens e mulheres criaram em torno da ligação no dia seguinte. Aquela velha ladainha: se fulano ligar é porque está interessado. Se fulano não ligar é porque só quis passar uma noite. Acredite: às vezes homem também tem dessas frescuras contemporâneas. Outro dia li o depoimento de uma colega que resolveu se juntar ao meu protesto anti-neofeminista. Ela nos dá um exemplo ímpar sobre a lengalenga

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