A mulher infeliz

Paulo Rebêlo | setembro.2009 Ela pode ser linda a ponto de a gente ficar horas em silêncio olhando para aquelas curvas e cheirando aquela pele. Mesmo assim, é difícil admirar uma mulher infeliz. Não sabemos exatamente o porquê, mas hoje para onde olhamos parece só haver mulheres infelizes ou à espera de uma vida de novela. E a gente nem se parece com o Zé Mayer. Quando estão sozinhas, é uma infelicidade imensa porque estão sozinhas. Se jogam nas baladas, nos shows, nos cursos de todos os tipos, aulas de dança, ligam para amigas que nem lembravam mais (mas que conhecem muita gente) e assim passam os dias como se o escolhido da Matrix da vida delas fosse aparecer sempre hoje. E o azar dela é sempre a sorte de um zé ruela. Sim, porque sempre há um zé ruela de plantão. E o primeiro que aparece e liga no dia seguinte se transforma no dono da chave do seu coração da noite para o dia, a solução de todos os problemas tabajara. O desastre vindouro é amplamente conhecido de todas as mulheres do mundo, mas elas adoram um zé ruela. O tempo passa e, entre tantos zé ruelas espalhados pela cidade, não

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Eu não sou cachorro, não

Paulo Rebêlo | novembro.2008 | e-mail De todos os xingamentos que a gente já ouviu das mulheres, e perceba bem que não são poucos, tem um completamente injusto e sem noção. É quando elas gritam seu cachorro!!!!! Podem nos chamar de tudo, menos de cachorro. Até porque cachorro é um bicho fiel. E fica muito feliz quando você volta para casa só uma hora depois de ter saído.

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Eremita Insone S.A.

Paulo Rebêlo // nov.2007 Quando você aprende a conviver em harmonia com a insônia, ela pode até se tornar uma aliada. Enquanto os outros dormem, abre-se um universo paralelo que inclui pessoas, lugares, cheiros, comidas e até animais que, a priori, não existem para a sociedade do horário comercial. Depois de anos por amaldiçoar frustrações passadas pela insônia, com o tempo de aprendizado noturno as pessoas começam a reclamar é quando o sono chega antes de o sol nascer. Pois é justamente nesse horário, no qual até os meliantes adormecem, que você consegue apreciar o azul de uma bebida, o sabor de uma conversa e a compaixão de um vira-lata. Com o tempo, você identifica aqueles lugares cujas portas não fecham antes do primeiro raio de sol. Ali, você vai encontrar sempre os mesmos garçons puxando uma soneca enquanto não aparece um cliente. Ao entrar, eles se recompõem, ajeitam a gravata na gola e se aproximam rapidamente. Não para trazer o cardápio, não para perguntar qual é a bebida. Porque tudo isso eles já sabem decorado. Aproximam-se para reclamar. Afinal, já faz tempo desde sua última visita. Eventualmente, pedem para você olhar um caderno com exercícios do supletivo que o

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Sociedade bundalizada

Paulo Rebêlo // julho.2005 Não são apenas as mulheres interessantes que estão em extinção. Pessoas interessantes também. A sociedade está, cada vez mais, preocupada em seguir à risca certos padrões uniformes que não são nossos, são dos outros. Roupas, comportamentos, utensílios e até mesmo palavras precisam se enquadrar em um ambiente padronizado, limpo, politicamente correto, moderninho e eventualmente cult. Um tédio, o qual acaba por gerar pessoas tediosas.

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