Futuro incerto para o Internet Explorer 6.0

Paulo Rebêlo | fevereiro.2001

A Microsoft promete lançar, até o fim deste ano, o Internet Explorer 6.0. O DIARIO teve acesso à uma versão beta (para testes) do novo navegador e adianta, em primeira mão, as novidades e as dúvidas que pairam sobre o aguardado lançamento e, inclusive, sobre uma eventual descontinuidade do programa.


O IE6 usa a mesma arquitetura da versão anterior (5.x), motivo pelo qual os usuários notarão poucas mudanças relevantes. De novidade, há duas barras laterais cujo objetivo é facilitar o acesso a programas e sites Microsoft. Pelo próprio navegador, tornou-se possível gerenciar e se comunicar com os seus contatos do MSN Messenger – a alternativa Microsoft para trocas de mensagens instantâneas, a exemplo do ICQ. Uma outra barra dá acesso ao Windows Media Player. Ideal para ouvir músicas sem precisar abrir uma nova janela.

As novidades ao usuário doméstico são basicamente as novas barras. Para desenvolvedores e webmasters, a versão final contará com suporte à uma nova extensão de HTML dinâmico (DHTML) e outras funcionalidades a permitir um maior aproveitamento de tecnologia e interatividade na confecção de páginas.

Não obstante a expectativa em relação ao lançamento, o futuro do IE é incerto para a Microsoft. Em novembro do ano passado, a empresa lançou o MSN Explorer, uma versão alternativa do navegador voltada especialmente ao usuário leigo/doméstico. O MSN Explorer possui uma ampla integração com outras soluções Microsoft, como o Hotmail, MSN Messenger, MSN Calendar, MSN eShop, Money Central e Windows Media Player. Com uma tímida disseminação no Brasil, o MSN Explorer é a resposta da Microsoft contra o navegador da America Online, o AOL Browser, que também se integra aos sites e soluções internas da empresa.

O provedor de acesso Microsoft Network – ou simplesmente MSN – é o maior concorrente da AOL nos Estados Unidos. O problema, porém, é que no Brasil ambos são desconhecidos. Apenas a AOL provê acesso à Internet no Brasil, mas com uma atuação pífia – são pouco mais de 300 mil assinantes em toda a América Latina – e, mesmo assim, poucos usam o AOL Browser.

Para se ter uma idéia, ainda não há certeza se o IE6 ficará disponível para download, quando pronto. Até a versão final, a Microsoft decidirá se o navegador poderá ser baixado pela Internet e, conseqüentemente, instalado no Windows; ou se será utilizado exclusivamente como parte integrante do Windows XP, a revisão do Windows 2000 e próximo sistema operacional da empresa, a ser lançado no fim deste ano ou início do próximo. As atuais versões beta do Windows XP, antes conhecido como Whistler, já trazem o IE6 embutido.

Partindo da premissa de que o IE6 poderá ser utilizado apenas no WinXP, a Microsoft passaria a investir maciçamente no MSN Explorer que, doravante, seria “empurrado” aos usuários domésticos. Destarte, as versões do WinXP para usuários domésticos contariam com o MSN Explorer, enquanto as versões para servidores e usuários mais experientes ficariam com o IE6.

Mesmo assim, há suspeitas de que não haja sequer continuidade no projeto do Internet Explorer. Paralelo à iniciativa .NET (leia-se: dotnet) da Microsoft, onde as pessoas poderão usar os aplicativos através de um modelo do tipo assinatura mensal, a empresa desenvolve o ainda desconhecido Netdocs, que será um dos primeiros frutos da .NET. A nomenclatura Netdocs é o codinome referente ao conjunto de aplicativos que pode vir a substituir o Office, o Internet Explorer, o Outlook e outros. Tratar-se-ia de uma gama de soluções integradas para navegação, e-mail, ferramentas de escritório e produtividade, além de utilitários menores, como mensagens instantâneas, media player, comércio eletrônico etc.

Na eventualidade de a Microsoft deixar de lado o IE6 em favor do MSN Explorer, o Netdocs seria, sem dúvida, a próxima cartada. Resta saber como será a receptividade dos usuários, em âmbito mundial, a uma solução tão integrada e, possivelmente, paga por assinatura mensal. A vantagem da iniciativa .NET, contudo, é que as pessoas haverão de pagar apenas por aquilo que realmente usam. Ou seja, não será mais necessário comprar todo o pacote Office para usar apenas o Word, por exemplo.

Por influxo de tantas dúvidas e previsões, talvez seja a chance de a Netscape reconquistar o mercado perdido para a Microsoft nos últimos anos.

NETSCAPE À DERIVA – De líder disparado no segmento a uma solução obsoleta, o Navigator da Netscape transformou-se em um mero observador na disputa dos browsers para Internet. Grande parte em conseqüência da integração do IE com o Windows, a Microsoft segue à frente enquanto a Netscape não consegue recuperar o tempo perdido.

A distância entre as empresas aumentou após o lançamento da versão 5.0 do Internet Explorer, cujas melhorias foram significativas. Após mais de um ano sem atualizações de grande porte, a Netscape falhou em não lançar uma versão 5 do Navigator e manteve a 4.x abastecida por singelas atualizações e correções de bugs. A atitude fez com que o navegador ficasse para trás no bonde da tecnologia e, paulatinamente, fosse esquecido na ocasião de webmasters desenvolverem páginas para a Internet.

A partir de então, a Netscape anunciou o projeto Mozilla, uma iniciativa visando o lançamento de um “super” navegador de código aberto, onde qualquer pessoa com conhecimentos em programação pudesse ajudar no desenvolvimento e aprimoramento do produto. O projeto Mozilla não apresentou resultados satisfatórios até o presente momento. A primeira versão do navegador, o Mozilla 1.0, deve ser lançada no segundo semestre deste ano e usará uma tecnologia chamada Gecko que, supostamente, acelera a navegação na Internet.

No intervalo de tempo, a Netscape resolveu pular a versão 5.0 e lançou o Navigator 6.0, com muitas promessas e expectativas. Passada a inicial algazarra ao redor do lançamento, o Navigator 6.0 mostrou-se um navegador relativamente frágil, recheado de problemas (bugs), pouco compatível com muitos sites existentes e, diferentemente do que prometera a Netscape, com pouca diferença em relação à velocidade de navegação.

O Navigator 6.0 possui um visual requintado e futurista, além de várias barras laterais que permitem acesso rápido ao AOL Instant Messenger – parecido com o ICQ, que também é da America Online – e a sites específicos de notícias, entretenimento, moda, e assim por diante. Na época, a inclusão das barras laterais foi duramente criticada pela Microsoft que, agora, faz o mesmo no IE6. As poucas melhorias do Navigator 6.0 também incluem um cliente de e-mail mais sofisticado e um assistente de instalação mais prático. Mesmo assim, ainda não foram o suficiente para ganhar a confiança dos usuários antigos e atrair novos adeptos.

O Navigator 6.0 não fez uso da mesma arquitetura das versões anteriores. Ao contrário, incorporou tecnologias e soluções do Mozilla. A Netscape se defende afirmando que o 6.0 deve ser considerado apenas como uma prévia do que está por vir com o Mozilla 1.0 – o qual, segundo a empresa, poderá competir em pé de igualdade com o Internet Explorer. Aos amantes do Navigator, resta confiar e esperar.

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