Ordenação do Frei Ranzinza

Paulo Rebêlo // janeiro.2003 Nosso anti-herói precisou voltar à terra natal – Ranzincity — e aproveitou para fazer uma visita a velhos amigos de um monastério. Na ocasião, terminou por hospedar-se em retiro compulsório. Uma semana depois, escreve uma carta a uma grande amiga, mas que provavelmente ninguém vai usar como Primeira Leitura na missa de domingo:

texto completo

Vício itinerante

Paulo Rebêlo // janeiro.2003 Dizem que o hábito de ler jornal todo dia é um vício similar ao fumo: quando você consegue parar, fica se achando um tolo porque vê que não é tão difícil assim e que aquele vício, na prática, não lhe acrescentava em nada; você pode muito bem viver sem ele. Talvez seja por isso que, em alguns locais do Brasil, o jornal-papel é carinhosamente apelidado de “o mentiroso”.

texto completo

Parente nem sempre é serpente

Paulo Rebêlo // dezembro.2002 Todo Natal e Ano-Novo é a mesma coisa: familiares se reencontram, tapinhas nas costas, abraços, beijinhos falsos e às vezes a tradicional troca de presentes. Se é para trocar presentes, ao menos que sejam presentes úteis. O problema de reencontrar familiares distantes no Natal é o mico de ter que levar presentes para uma pessoa que, às vezes, pode estar tão diferente a ponto de você se perguntar se entrou na casa certa.

texto completo

O mistério da bolsa feminina

Paulo Rebêlo // novembro.2002 Anos atrás, eu não entendia o porquê de as mulheres levarem tanto bagulho nas bolsas. Pasta e escova de dente, colírio, pente, toalhinhas, lenços e dúzias de bugigangas. Era o tal “mistério da bolsa feminina”, popularmente conhecido como frescura de mulher. Elas sempre estiveram certas e nós, homens de pouca visão (literalmente), é que somos tolos.

texto completo

A lenda da alma gêmea

Paulo Rebêlo // outubro.2002 Pegar a estrada, de norte a sul do País, conhecendo lugares, visitando pontos históricos e conversando com as mais diferentes pessoas – é a maior prova de que é preciso ter muita, mas muita fé para acreditar naquela fábula de “alma gêmea”. Para quem jura de pé junto que já encontrou a sua, não há motivos para pânico. A Xuxa não acredita em duendes? Então. Fé é um negócio que existe mesmo. Segura e confia.

texto completo

As cinco mulheres de todo homem

Uma viagem etílico-filosófica sobre a presença feminina na vida dos homens. Paulo Rebêlo // agosto.2002 Outro dia pude comprovar mais uma irredutível prova da burrice masculina. Sentado à mesa no bar do Carranca – aqui do lado de casa e um dos poucos que ainda descolam uma pendura – um colega chamado Ambrósio (nome fictício) puxou a carteira e tirou um pedaço de papel. Desdobrou-o e notei que era quase uma folha inteira, com uma lista de nomes escritos em letra miúda e com observações esmiuçadas. Tipo uma planilha. Era a lista de todas as mulheres que o Ambrósio já, digamos assim, teve algum tipo de relacionamento. Relacionamento puramente carnal, há de se explicar. Durante minutos, o Super Ranzinza que vos escreve quase cai da cadeira de tanto zoar, mas o momento hilário não durou o suficiente para conter aquela ponta de desafio: olhar a lista e dar uma sacudida cerebral para tentar recordar, desde os tempos áureos (era pré-ranzinza mesozóica), se o conta-giros tinha condições de concorrer com o A4 do Ambrósio. Ao menos o Ambrósio foi ético. Não colocou o sobrenome das pobrecoitadas, apenas o primeiro nome ou apelido, junto a uma observação rápida – para que ele

texto completo

Síndrome da escova de dentes

Paulo Rebêlo // maio.2002 Quando dizem que adultos são tão ou mais crianças do que os próprios filhos, você pode até ousar admitir ser uma frase batida e piegas. Eu admito. No entanto, admita também que não é uma verdade apenas contextual, mas uma verdade tão factual que chega a ser embaraçoso. O fim de um relacionamento, mesmo aquele que não tenha tido tanto significado assim para você, é o momento no qual podemos parar em frente ao espelho e admitir que somos muito mais crianças do que nossos filhos ou sobrinhos. Quem não é filho único, deve lembrar bastante. Na infância, passamos o dia inteiro procurando um motivo para arrumar confusão com o(a) irmã(o). Vale qualquer coisa. O mínimo detalhe é suficiente para causar gritaria, puxão de cabelo, unhada, empurrão, fofoca e choro-ro-rô. E assim os anos vão passando e os irmãos sempre brigando, brigando, brigando. O que os pais da gente diziam? Os meus, quando esgotavam todos os argumentos racionais, filosóficos e humanitários que nenhuma criança de sete anos entende, falavam: só briga dois, quando um quer. No dia que você não quiser brigar (apontando para mim), sua irmã vai lhe deixar em paz. Mas é claro que

texto completo

Homens não ligam no dia seguinte

Paulo Rebêlo | nov.2001 Estava eu folheando um semanário quando, de repente, leio uma propaganda de uma operadora de cartão de crédito que dizia mais ou menos assim: “perfume tal: 50 reais; vestido novo para a festa: 120 reais; ele ligar no dia seguinte: não tem preço”. Na propaganda, aparece uma mulher de roupão, deitada no sofá, com aquele sorriso que bate na testa, tamanha a satisfação. Em minha impopular (porém imbatível) sensibilidade e romantismo de botequim da esquina, achei essa apelação um motivo suficiente para comentar sobre a pieguice neofeminista que prega o chavão de que nós, homens, seres humanos de duas cabeças impensantes, não gostamos de ligar no dia seguinte porque somos machistas, cafajestes, vulgares, biltres, infames e outros adjetivos ocasionalmente não muito falsos. O interessante é a celeuma com a qual homens e mulheres criaram em torno da ligação no dia seguinte. Aquela velha ladainha: se fulano ligar é porque está interessado. Se fulano não ligar é porque só quis passar uma noite. Acredite: às vezes homem também tem dessas frescuras contemporâneas. Outro dia li o depoimento de uma colega que resolveu se juntar ao meu protesto anti-neofeminista. Ela nos dá um exemplo ímpar sobre a lengalenga

texto completo

Mulheres de 30

Paulo Rebêlo // setembro.2001 E não é que a Globo inventou de reprisar a bendita Presença que Irrita? Agora que Anita voltou, é hora de tentar explicar o porquê de Nabokov e Balzac estarem se remexendo em suas respectivas tumbas sagradas. A púbere conseguiu o que centenas de pseudo-intelectuais tentaram, sem sucesso até hoje: escamotear duas primorosas obras sobre mulheres em lados distintos da escala evolutiva.

texto completo

Site Footer

Sliding Sidebar

Instagram