A liberdade não é azul, é urubu

Paulo Rebêlo Terra Magazine * 22.fevereiro.2011 Quando um relacionamento acaba, qual é a primeira coisa que se faz? Depois do tradicional (e cada vez mais curto) luto sentimental, o senso comum mostra que os homens correm para a agenda de telefones e começam a atirar para todos os lados. Enquanto as mulheres voltam a ser “amigas” de um monte de “amigas” que há muito não viam e, juntas, vão para a balada até amanhecer o dia. Com a benção socialmente aceitável do “fim”, é a liberdade nua e crua. Mais nua do que crua, por assim dizer. O problema do senso comum é de ser similar aos filmes: tem uma ponta de verdade, mesmo estando muito longe da verdade. Em horas assim, não tem iPhone que faça a agenda de telefones funcionar. Algumas estarão casadas, com filhos, em outras cidades. Em geral, elas continuam solteiras, mas agora você é o último da fila. E, como elas adoram nos dizer, a fila anda… ou corre. Via de regra, uma mulher só precisa ser razoavelmente interessante para fazer chover. Ela estala os dedos e, num passe de mágica, chove homem bondoso, compreensivo, carinhoso, que ama os pais e quer ter filhos… e

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Uma mesa de pôquer

Paulo Rebêlo // março.2007 Por um motivo alheio à razão de quem joga, pôquer é um jogo que encanta os homens rapidamente e, na mesma proporção, não exerce a mesma influência nas mulheres. Tem gente que tenta procurar a relação do pôquer com futebol ou automóvel, até agora sem sucesso, para explicar o fenômeno. O irônico é que, das poucas mulheres que conheço adeptas de pôquer, todas jogam bem.

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A fuga das Copinhas

Paulo Rebêlo // junho.2006 Santa paciência, Batman. Ninguém mais agüenta ouvir falar em Copa do Mundo. Nunca foi preciso derrubar tantas árvores no planeta para ler as mesmas análises enfadonhas em praticamente todos os jornais brasileiros. Enquanto a mídia, que está careca de Ronaldo e sob todo o peso da atividade diária, perde-se em abobrinhas sobre a vida e os costumes na Alemanha, as pessoas espertas aqui mesmo no Brasil, debaixo do seu nariz, estão aproveitando a Copa para fazer o que pode ser feito de melhor durante um evento de tamanha grandiosidade: pular a cerca.

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Carnaval dos Casados

Paulo Rebêlo // fevereiro.2006 Não é novidade que carnaval é tempo de libidinagem. É o júbilo das pessoas solteiras. O problema é que só funciona desse jeito, ou seja, para quem é solteiro. Outro dia, um colega sugeriu juntar a reca dos pobres-coitados e fazer um carnaval de casados, onde as pessoas poderiam brincar, beber e pular sem preocupações com a mão-boba alheia. Não funciona, perde a graça. Ficaria limpinho demais. A maioria dos foliões tende a achar que carnaval só é bom quando se pode sair agarrando todo mundo sem culpa, sobretudo quando, a cada ano, parece que mais e mais pessoas vão somente para isso mesmo. Não é por isso. Quer dizer, não só por isso. A ruína dos homens casados é bem mais simples: não importa se você vai pular com ou sem a mulher, o resultado é que a brincadeira se transforma numa dor de cabeça. Opção 1 – Caso você consiga um habeas-corpus para ir brincar carnaval com os amigos, a tendência é achar que será o paraíso. Afinal, ficará solto na buraqueira para fazer o que quer. Ledo e fatal engano. Pois, são nas ladeiras de Olinda e nas ruas esburacadas do Recife Antigo

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Perdido na noite

Paulo Rebêlo // maio.2004 É incrível como todo mundo quer se dar bem no sábado à noite. Coisa meio sobrenatural. Não importa o lugar ou a pessoa. Tem gente que passa horas dançando na boate e não admite voltar para casa sem conseguir ao menos uma beiçada. Quando não consegue, é quase como ter perdido o final de semana inteiro. Um dia eu hei de abrir um motel. Só vai funcionar entre 21h do sábado e 10h do domingo. O nome do distinto estabelecimento será: ‘Chalés Furunfais do Super Ranzinza’ – abrimos somente aos sábados, não insista. Todo o dinheiro arrecadado será investido na aquisição de micro-câmeras disfarçadas de luz negra.

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Bíblia do Solteiro Apostólico V

Paulo Rebêlo // junho.2003 Parte 5 (final) – Cama, mesa e banho: o fim da revelação – Então você resolveu seguir nossas dicas esotéricas da crônica anterior e, finalmente, uma beata resolveu criar coragem para conhecer o seu cafofo. Significa que você está prestes a celebrar o ápice doutrinário: a cerimônia da fusão dos corpos. A arrumação da cama é um aspecto muito importante. Depois de tanto tempo para convencê-la a ir tomar um vinho em copo de plástico, é hora de você trocar os lençóis, as fronhas dos travesseiros e deixar a cama toda arrumada para a ocasião. E é justamente na arrumação que a porca torce o rabo.

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Bíblia do Solteiro Apostólico IV

Paulo Rebêlo // maio.2003 Parte 4 – O feng-shui do solteiro – Seu cafofo — aquele zungu onde você mora ou se esconde — exerce um importante papel em sua caminhada doutrinal. Não se iluda: elas prestam magnânima atenção ao cafofo onde você pretende, digamos assim, celebrar o ápice da doutrina Tico-Tico no Fubá. Como todo bom ranzinza, é possível que você tenha dificuldade natural em convencer qualquer mulher a fazer-lhe uma inocente visita. Uma visita ingênua, apenas para tomar vinho em copo de plástico ou comer um nissin-miojo requentado. Se bem que agora tem Cup Noodles, bem mais prático.

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Bíblia do Solteiro Apostólico III

Paulo Rebêlo // abril.2003 Parte 3: As ovelhas recheadas estão bombando – Horário de almoço é uma excelente oportunidade para aumentar seu rebanho de ovelhas bundudas. Não se iluda: se todo dia você vai almoçar no mesmo lugar, com aqueles seus mesmos colegas de trabalho, é capaz de você ficar igual ou pior ao Frei Ranzinza. Não corra o risco. Mudar a rotina de vez em quando faz bem à saúde e fortalece sua fé. Vá a restaurantes diferentes e vá sozinho, nem que seja preciso andar mais um pouco ou saltar uma parada depois da habitual. Caminhar também faz bem.

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Bíblia do Solteiro Apostólico II

Paulo Rebêlo – abril.2003 Parte II – Rebanho de Ovelhas Bundudas – O solteiro apostólico precisa ser, antes de tudo, um exímio pregador dos mandamentos sagrados da doutrina Tico-Tico no Fubá, a fim de poder atingir o ápice doutrinário: aumentar o rebanho das ovelhas-beatas ávidas por mostrar-lhe a belíssima trindade. Frei Ranzinza tenta seguir as escrituras sagradas (“escrituradas” por ele mesmo) e até agora só tem convertido barangas, jaburus, neuróticas e psicóticas. Quem sabe você não tem mais sorte?

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