Às margens da transposição

Paulo Rebêlo (email) Terra Magazine | 14.novembro.2009 Ao estacionar o carro debaixo de uma árvore para se proteger do sempre escaldante sol sertanejo, conseguimos avistar Tonha de longe. Fui a seu encontro muito satisfeito, não apenas por ter conseguido visitar novamente aquela família a quem eu tanto devia. Mas, também, por enfim cumprir uma promessa feita um ano antes naquele mesmo local, sob aquele mesmo teto, às margens do rio São Francisco na Ilha de Assunção em Cabrobó, Sertão de Pernambuco. Abri um sorriso para Tonha e apressei-me em dizer: não esqueci. Mostrei as fotografias da família dela e lembrei do desafio de seu pai quando disse que dificilmente voltaríamos para visitá-los.

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Do São Francisco ao Capibaribe

CULTURA POPULAR // Grupos Caçuá e Bongar se unem para manter vivas tradições dos griôs Paulo Rebêlo (texto/fotos) Diario de Pernambuco 05.abril.2009 Griô é um caminhante, educador, poeta, contador de histórias. Às vezes, até mediador político. Antes de mais nada, mestres griôs são artistas populares. Carregam na memória as artes seculares, ensinadas por antepassados africanos, cada vez mais esquecidas pelos jovens. Do rio São Francisco, desde a foz no estado de Alagoas, eles cantam, dançam, produzem, contam histórias e querem mostrar um pouco do que sabem aqui no Recife. Hoje, o auditório da Livraria Cultura recebe às 17h a fusão de duas sonoridades distintas, a partir de um curioso projeto do Grupo Bongar, de Olinda, aliado ao Grupo Caçuá, da cidade alagoana de Piaçabuçu, a 140 km de Maceió. O Bongar nasceu de um trabalho musical realizado desde 2001 pelo vocalista Guitinho da Xambá, nascido e criado na comunidade Quilombola Xambá – considerado o único povoado desta linhagem africana no Brasil. O Caçuá, por sua vez, surgiu da necessidade de manter vivas as tradições esquecidas, seja por meioda música, do teatro ou artesanato alagoano. Juntos, os dois grupos resolveram investir na convivência com os mestres griôs. Ouvir as histórias, aprender

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Sonoridades do São Francisco

Grupo Caçuá, do ponto de cultura Olha o Chico, de Piaçabuçu, em Alagoas, e o Bongar, de Pernambuco, juntaram forças para resgatar arte de mestres griôs. Paulo Rebêlo (texto/fotos) Diario de Pernambuco 28.março.2009 Analfabeto, iletrado e sem conhecimento suficiente para ensinar nada. Quem não conhece Cícero Lino, pode até acreditar. Porque assim ele se apresenta aos desavisados que se aproximam dos muros verdes de sua casa. Estamos no centro de Piaçabuçu, um pequeno município na foz do rio São Francisco em Alagoas, a 140 km de Maceió e 400 km do Recife, pelo litoral. A exemplo de outras cidades abraçadas pelo rio, não é apenas o cotidiano das pessoas que depende das águas. Aqui, os sons, a poesia e as histórias estão diretamente ligadas à onipresença do Velho Chico. O jeito de se apresentar não é falsa modéstia de Cícero Lino. Apenas fruto da curiosa trajetória deste simpático mestre pifeiro, natural de um sítio na fazenda Gameleira, distrito de Penedo. Aos 65 anos de idade, dos quais os últimos 19 em Piaçabuçu, Cícero Lino consegue “tirar” som de qualquer pífano que chegue às mãos. Certa vez, a pedidos, ele mesmo fez dois instrumentos usando apenas cano PVC. E os guarda

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São Francisco // Ribeirinhos alheios à transposição

RECURSOS HÍDRICOS // População que vive às margens do São Francisco não aceita os argumentos sobre prejuízos e benefícios Paulo Rebêlo Diario de Pernambuco – 27.abr.2008 fotos: João Carlos Mazella Outrora conhecido como o maior centro de distribuição do chamado Polígono da Maconha, que produz e exporta a droga para vários pontos da região, hoje o município de Cabrobó, com apenas 28 mil habitantes, é um dos principais entraves para o governo federal no ambicioso projeto de transposição do Rio São Francisco. Inicialmente previsto para terminar em 2010, o empreendimento promete levar água para áreas menos favorecidas do Nordeste Setentrional e, segundo promessas oficiais, beneficiar 12 milhões de pessoas e gerar oportunidades para agricultura familiar e o agronegócio. Não obstante a bandeira social de levar água a quem tem sede, passados três anos desde a licença prévia concedida pelo Ibama em abril de 2005, a transposição conseguiu um feito que dificilmente alguém imaginaria e, ainda hoje, é pouco explorado por estudiosos e governos: o conflito entre irmãos. Ponto nevrálgico entre os sertanejos, a esperança por água tornou-se alicerce de uma discórdia que não escolhe classe social, raça, profissão, ideologia e até religião.

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Cinema acalenta população ribeirinha do rio São Francisco

Quarta edição do projeto que leva filmes às cidades banhadas pelo Rio São Francisco percorre comunidades do sertão nordestino, emocionando platéias. Programa leva o cinema a lugares remotos e desprovidos de salas de exibição e interfere no imaginário das comunidades. Paulo Rebêlo Diario de Pernambuco – 23.mar.2008 Pernambuco, Bahia e Alagoas – Difícil saber de onde vem o brilho mais forte. Da tela de cinema ou daqueles olhos brilhantes e estáticos, congelados frente aos diálogos e imagens em movimento. Quem ainda acha que “a magia do cinema” é um termo inventado para denominar a potência do som Dolby Surround ou a nitidez de uma imagem em alta definição, certamente não faz idéia do significado de mesclar espanto, alegria e saudade ao assistir, pela primeira vez, um filme de cinema. Ou de chegar aos 80 anos tendo visto apenas novela em uma televisão de 14 polegadas – que funciona apenas quando quer, diga-se de passagem.

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Paraíba // Caravana de apoio à transposição do São Francisco

Paulo Rebêlo Diario de Pernambuco – 14.mar.2008 Monteiro (PB) – Carros de som e fogos de artifício logo cedo, às 6h da manhã. Foi o jeito pontual e nada sutil de convocar as pessoas à praça pública para o ato em defesa da transposição do Rio São Francisco, realizado nesta cidade do Cariri paraibano, a 350 km do Recife. Os fogos eram o início da grande acolhida popular que estava por vir, à tarde, com a chegada do ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima.

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Estados cobram agilidade nas obras da transposição

SÃO FRANCISCO // Governadores e prefeitos promovem ato para exigir ação do governo Paulo Rebêlo Diario de Pernambuco – 13.mar.2008 Monteiro (PB) – Quem tem sede, apóia. Eis o lema que move governadores e quase 100 prefeitos da região Nordeste reunidos hoje, desde cedo, nesta cidade do cariri paraibano para um ato a favor da transposição do rio São Francisco. Até o final do dia, são esperadas 10 mil pessoas em praça pública para cobrar do governo federal, representado pelo ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, uma solução aos impasses que continuam travando o avanço das obras. Ele se junta aos governadores, o tucano Cássio Cunha Lima (PB) e os socialistas Cid Gomes (CE) e Wilma de Faria (RN). O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), não vem para o ato. Segundo sua assessoria, hoje à tarde ele tem uma reunião e irá receber uma medalha em Teresina, no Piauí.

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São Francisco se transforma no rio da discórdia

Projeto de transpor as águas coloca em lados opostos ribeirinhos e sertanejos Paulo Rebêlo Folha de S. Paulo | 26/dez/2007 link O chão é árido a ponto de rachar. Os galhos quebram com facilidade de tão secos. Açudes e palmas de cactos que servem como alimento de animais -e até de seres humanos- também secam. Se vivo estivesse, Graciliano Ramos certamente diria que as vidas nunca deixaram de ser secas. Ele só não saberia explicar como pode haver tanta água a poucos quilômetros de um cenário tão ríspido. Às margens do rio São Francisco, o agricultor Valdemar Bezerra Luna criou filhos e netos nessa região longe de grandes cidades e carente de infra-estrutura. Afinal, dos 84 anos 54 foram à beira do rio no sertão pernambucano. Depois de tanto tempo, ele garante que sua própria existência tornou-se uma extensão do rio, com benesses desde a água para consumo até a manutenção de uma pequena roça com a qual alimenta a família. A vida de seu Valdemar não é muito diferente da de milhares de famílias às margens do gigantesco rio com 2.863 km de extensão, cuja nascente fica na Serra da Canastra (MG). As turvas águas da bacia hidrográfica do

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