A arrogância é só uma paixão

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Sem palavras, talvez um pouco bêbado, quando uma mulher é interessante demais a ponto de a gente não saber o que falar. Ou a ponto de ficarmos a procura de qualquer coisa banal para perguntar, com medo que ela perceba que não somos tão interessantes o quanto elas são – ou o quanto elas pensam que somos.

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Largou a mulher e os filhos

Nem são as mais bonitas ou mais inteligentes que já conhecemos. São apenas a equação perfeita de tudo aquilo que admiramos, gostamos e esperamos. Só é uma pena que todo esse equilíbrio, quando a gente encontra, geralmente desequilibra nossa vida inteira.

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O futuro de ontem

Lembro de madrugadas insones quando pensava: o que eu faria se ela batesse à porta agora, às três horas da manhã? Pura retórica. O que consome a gente não é saber o que vamos fazer na hora, pois isso a gente sabe melhor do que ninguém. É saber o que vamos fazer depois.

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Fertilidades carnavalescas

Dizem que Carnaval é uma festa na qual solteiro tem prioridade. Pelo simples fato de ser um campo minado para qualquer relacionamento. Talvez haja um certo exagero na afirmação. Mas o problema não é a afirmação. É a imaginação.

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O amaciador

Paulo Rebêlo 22.jan.2013 Portal NE10 link Quando elas aceitam o fim sem derrubar uma lágrima e vão embora sem olhar para trás, é porque nada mais há para ensinar. Quando todo o resto der errado, ela vai se lembrar desse dia e pensar que, afinal, pode sobreviver a tudo. Quando ela conhecer alguém apenas razoavelmente interessante, vai finalmente entender que somente ela é responsável pelo interesse do mundo. E talvez resolva conhecer melhor todas as pessoas que teve medo de conhecer. Quando ela entrar no carro de alguém, não vai se entediar com a demora. Já passou pela mesma estrada tantas vezes. Aprendeu a dormir e a acordar na curva certa. Quando viajar acompanhada, não importará mais o destino. Depois de tantas viagens, vai sobrar pouco para se surpreender de verdade. Ansiedade, mala, roupas, compras? Tudo no automático. Precisamente no automático. Esqueceu a escova de dentes? Ela tem uma reserva. Esqueceu o desodorante? O dela sempre está na mala. A moça que não sabia fritar um ovo vai querer criticar os livros da Ofélia. A menina que queria desbravar o mundo vai perceber que é o mundo que ainda precisa desbravá-la. Quando as amigas estiverem em crise, é o conselho

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Aquele tal de futuro

Paulo Rebêlo | 18.janeiro.2012 — Quando ela perguntava se iria demorar muito para nos vermos, eu não sabia o que responder. Não entendia a importância de uma data aleatória se estávamos sempre juntos mesmo estando longe. O dia sempre chegava, geralmente mais cedo do que tarde. Quando ela perguntava o que iríamos fazer daqui a um ano, eu não sabia o que responder. Não entendia a expectativa, já que estava mais ansioso em ver se os olhos dela iriam brilhar de felicidade com a sobremesa do restaurante naquela noite. Quando ela perguntava quando iríamos fazer aquela viagem, eu não sabia o que responder. Não entendia a urgência, já que todo ano tem férias. E havia tantas férias pela frente. Quando ela perguntava quando iríamos juntar as trouxas no mesmo armário, eu não sabia o que responder. Não entendia como ia funcionar a logística, pois em casa não tinha nem armário. E a cama era apenas um colchonete no chão frio. Quando ela perguntava quando poderíamos ter um cachorro grande e peludo, eu não sabia o que responder. Não entendia a pressa, pois a média de vida de um cão é de apenas 12 a 15 anos. Teríamos tempo para ver nascer e

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Relações por milhagem

Paulo Rebêlo | 14.dez.2011 Terra Magazine *** Sou contra casamento na igreja, noivado, aliança, anel de compromisso e, hoje em dia, até mesmo a morar junto todos os dias da semana. Mas sou a favor de um contrato nos relacionamentos. Com registro em cartório e reconhecimento de firma de pelo menos duas testemunhas. Teria apenas uma cláusula: terminada a relação, as partes concordam em se encontrar a cada quatro anos para tomar um café, uma cerveja ou um tacacá. A fim de evitar ciúmes dos respectivos e atuais cônjuges, se necessário o encontro pode ser filmado pelas câmeras de segurança do estabelecimento ou intermediado por uma testemunha idônea, de mútua amizade e ilibada conduta. Porque é sempre uma aflição quando os anos passam e a gente não tem mais notícia de quem passou por nós. Nem por Facebook. Não se trata de saber se a pessoa casou ou encalhou. Até porque elas sempre casam e procriam, é impressionante. Não necessariamente nesta ordem. Queremos apenas saber se, mesmo casada, ela está bem de verdade. Se está feliz, se gosta do trabalho atual, se não apanha do marido, se já teve os quatro filhos que queria ou se já entrou no Bolsa Família. Enfim,

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Namorando a vovó

Paulo Rebêlo Terra Magazine 05.outubro.2011 Segunda-feira, a jovem manceba chega ao escritório com o sorriso na testa. Antecipa-se a todos para dizer que “beijou muito” no fim de semana. Foi para todas as baladas, dançou, esfregou, pegou geral. As colegas aplaudem, comentam, pulam, incentivam. E se aquelas donzelas preferissem trocar toda a pegação da balada por um final de semana em casa, assistindo Zorra Total na televisão, com um pote de häagen-dazs no colo e um namorado coxinha que segure a mão delas enquanto ri com as piadas super engraçadas do Chico Anysio ao telefone com a Dilma? E elas acordariam cedo no domingo para brincar de casinha: ir ao mercado fazer a feira da semana, comprar iogurte light, frutas frescas e verduras orgânicas. Para depois ir almoçar com os pais TFP do coxinha, em verdadeira comunhão familiar. Não é ficção. Ainda não consegui entender como tanta gente, cada vez mais jovem, sonha com uma vida assim já tão cedo. Mesmo depois de todas as revoluções culturais, sociais e sexuais que tivemos nas últimas décadas. Justamente para que nossos filhos e netos pudessem ter a liberdade que a gente não teve. Essas moças e rapazes podem fazer tudo que nossas

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A beleza cansada

Paulo Rebêlo Terra Magazine 18.maio.2011 Você olha para os lados e pergunta: como pode uma mulher linda, inteligente e interessante ficar tanto tempo solteira? Não é mistério, apenas a lógica bruta do séquito urbanóide das grandes cidades: quanto mais gente disponível, menos gente possível. Para muitos homens, as principais qualidades daquela mulher se transformam em defeitos. Porque ela é muito melhor do que você. E do que todas as outras mulheres que você conhece. E muitos homens, que até então se achavam inteligentes (por conta própria), começam a entender como são burrinhos quando tentam despertar o interesse de uma mulher assim. Quando mais jovem, eu costumava achar que essas mulheres lindas e sozinhas tivessem algum problema. Dos sérios. Talvez fossem muito chatas. Talvez muito loucas. Talvez muito convencidas. Porque nenhum homem, em sã consciência, deixaria de entrar na fila para conseguir um horário na agenda delas, nem que fosse para tomar umas cervejas no fim de semana. O problema é que essas poucas mulheres interessantes sempre têm mais a oferecer. E você, não. Elas sempre vão ter algo a mais para responder. E você, sequer sabe o quê perguntar. Elas continuam ali, do outro lado da rua. Lindas, batalhadoras, pagando

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