Pílula do Esquecimento

Paulo Rebêlo // maio.2005 Muita gente gostaria de voltar no tempo. Para consertar quebradeiras, acertar o que deu errado, tentar de outro jeito, não deixar aquela pessoa ir embora. Como a viagem no tempo só existe nas fórmulas matemáticas dos físicos, o jeito é esperar que a ciência consiga inventar uma pílula do esquecimento. Afinal, se não podemos voltar no tempo para remediar as burrices da vida, ao menos poderíamos tomar um remédio diário para esquecer as piores frustrações. O efeito seria paulatino. Um comprimido por dia e, aos poucos, você vai esquecendo.

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Reencontros Dialogados

Paulo Rebêlo // setembro.2004 Reencontro talvez seja o momento mais delicado e emocionalmente complexo na vida relacional de uma pessoa. É quando você tem o mundo em suas mãos durante poucas horas para em uma fração de segundos sentir tudo esmorecer entre os dedos. É difícil dizer o que apavora mais as pessoas: o medo de reencontrar determinado alguém ou o medo de que isso nunca aconteça.

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As cinco mulheres de todo homem

Uma viagem etílico-filosófica sobre a presença feminina na vida dos homens. Paulo Rebêlo // agosto.2002 Outro dia pude comprovar mais uma irredutível prova da burrice masculina. Sentado à mesa no bar do Carranca – aqui do lado de casa e um dos poucos que ainda descolam uma pendura – um colega chamado Ambrósio (nome fictício) puxou a carteira e tirou um pedaço de papel. Desdobrou-o e notei que era quase uma folha inteira, com uma lista de nomes escritos em letra miúda e com observações esmiuçadas. Tipo uma planilha. Era a lista de todas as mulheres que o Ambrósio já, digamos assim, teve algum tipo de relacionamento. Relacionamento puramente carnal, há de se explicar. Durante minutos, o Super Ranzinza que vos escreve quase cai da cadeira de tanto zoar, mas o momento hilário não durou o suficiente para conter aquela ponta de desafio: olhar a lista e dar uma sacudida cerebral para tentar recordar, desde os tempos áureos (era pré-ranzinza mesozóica), se o conta-giros tinha condições de concorrer com o A4 do Ambrósio. Ao menos o Ambrósio foi ético. Não colocou o sobrenome das pobrecoitadas, apenas o primeiro nome ou apelido, junto a uma observação rápida – para que ele

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Reminiscência apoquentadora

Paulo Rebêlo // nov.2000 Há um momento em que as pessoas parecem cansar de si mesmas. Do cotidiano, da família, do relacionamento. Cansam daquele jeito de ser. Uma espécie de fadiga psicométrica cujas conseqüências refletirão diretamente no dia-a-dia. Quando o nosso termômetro não mais consegue nivelar nossas frustrações, parece ocorrer uma explosão interna e então resolvemos mudar. Mudanças podem ser frutos de resoluções singelas, pouco significativas; ou traumáticas, desesperadoras. Singelas como um corte de cabelo, uma roupa diferente. Traumáticas como uma separação, uma perda involuntária de alguém por quem se acredita nutrir um sentimento de vigor imensurável.

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