A liberdade não é azul, é urubu

Paulo Rebêlo Terra Magazine * 22.fevereiro.2011 Quando um relacionamento acaba, qual é a primeira coisa que se faz? Depois do tradicional (e cada vez mais curto) luto sentimental, o senso comum mostra que os homens correm para a agenda de telefones e começam a atirar para todos os lados. Enquanto as mulheres voltam a ser “amigas” de um monte de “amigas” que há muito não viam e, juntas, vão para a balada até amanhecer o dia. Com a benção socialmente aceitável do “fim”, é a liberdade nua e crua. Mais nua do que crua, por assim dizer. O problema do senso comum é de ser similar aos filmes: tem uma ponta de verdade, mesmo estando muito longe da verdade. Em horas assim, não tem iPhone que faça a agenda de telefones funcionar. Algumas estarão casadas, com filhos, em outras cidades. Em geral, elas continuam solteiras, mas agora você é o último da fila. E, como elas adoram nos dizer, a fila anda… ou corre. Via de regra, uma mulher só precisa ser razoavelmente interessante para fazer chover. Ela estala os dedos e, num passe de mágica, chove homem bondoso, compreensivo, carinhoso, que ama os pais e quer ter filhos… e

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Romantismo Retroiluminado

Paulo Rebêlo // Terra Magazine Meu ícone máximo de romantismo sempre foi o casal que divide livros na cabeceira da cama. De pijamão, luminárias de cada lado, folheando as páginas até o sono chegar. Intermitentes, elas coçam nosso bucho peludo e nós a cutucamos com o pé ao escutar o primeiro ronco delas. Claro que já tentamos imitar a bucólica cena. E claro que nunca funcionou. Bons livros devem ser tratados como bons filmes. Você até pode interromper, desde que seja algo importante. E nada é tão importante a ponto de interromper mais de uma vez. Ou duas, se for o apocalipse. Veja bem, quando estamos lendo, não queremos saber o que você está lendo. Conte depois. Na hora do almoço, no bar, amanhã quando acordar. Em qualquer outro horário. Não pergunte se estamos com fome ou sede. Agradecemos o carinho e a ternura, mas é uma questão cartesiana: se a gente tem sede, a gente bebe. Se temos fome, vamos até a cozinha e voltamos com uma bolacha ou um pedaço de bife entre os dentes. Às vezes, rosnando. Por tabela, é justo presumir que, se estamos deitados tentando ler, não estamos com fome e nem com sede. Temos muito interesse no

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