A maioria das pessoas que visita Brasília não costuma passar mais de dois dias na cidade. Em geral, são turistas de fim de semana ou visitas rápidas a amigos e familiares transferidos para cá. O que fazer em Brasília por dois dias?

Depois de quase três anos morando em Brasília e mais de 300 fotos dos mesmos pontos em épocas diferentes, escolhi as 32 imagens que mais gosto de lugares onde costumo levar os amigos e colegas que nunca visitaram a capital do país.

Trata-se de uma escolha subjetiva e bem particular. Não é um guia definitivo, muito menos uma orientação profissional. Não tenho dúvidas que deixei de fora outros lugares interessantes. Mas se você quer um ponto de partida e tem apenas 48 horas, espero que este guia ilustrado possa ajudar um pouco ou, pelo menos, despertar a curiosidade e vontade de conhecer esta cidade tão peculiar.

Dia 1 – Manhã

Sempre começo o dia na Torre de TV de Brasília, inaugurada em 1967. É meu ponto favorito da cidade. A subida para a vista panorâmica é gratuita e já se torna a primeira grande surpresa do turista, sempre acostumado a pagar para tudo em outras cidades. O terraço panorâmico foi criado dois anos antes, em 1965.

Lá de cima fica bem mais fácil explicar como funciona a divisão setorial de Brasília e o trânsito. Do terraço panorâmico você identifica Asa Norte, Asa Sul, Congresso Nacional, Setor Hoteleiro, Setor Comercial, Esplanada dos Ministérios, Rodoviária Metropolitana, Conjunto Nacional e Conic, Sudoeste, Eixo Monumental, Parque da Cidade, Centro de Convenções, Memorial JK e tem até uma vista privilegiada da reconstrução do Estádio Mané Garrincha para a Copa 2014 no Brasil.

Também podemos falar de outros setores que estão por trás e a vista não alcança bem, como o Lago Sul, já que a vista do Lago Paranoá é excelente. Quase ninguém de fora imagina que o lago tenha extensão de 50 km e você pode fazer o percurso de carro ou de bicicleta se for maluco.

Depois da vista panorâmica, é hora de tomar meu tacacá de aperitivo (foto) e depois um vatapá nos quiosques paraenses para recordar a infância. A feira de artesanato é bem grande e todo turista sempre compra um presentinho para levar para casa.

De bucho cheio, costumo pegar o Eixo Monumental no sentido sul em direção ao Estádio Mané Garrincha, mostrando a Funarte, Centro de Convenções, Palácio do Buriti (sede do Governo do Distrito Federal) e, enfim, chegando ao Memorial JK para passar o resto da manhã. O Palácio do Buriti foi inaugurado em 1969.

Não há nada excepcional do lado de fora do monumento (foto) inaugurado em 1981, o diamante lapidado é realmente o museu do memorial. Eu não gosto de museus e detesto passeios intelectualóides do tipo, mas o Memorial JK é uma exceção. Logo na entrada, as fotos históricas e ampliadas são um espetáculo à parte, mesmo que você não tenha interesse algum por fotografia.

O percurso todo é uma aula rápida não apenas sobre a história de Brasília, mas sobre o Brasil de décadas passadas. O memorial guardou a biblioteca de JK, os utensílios, aparelhos, telefones, roupas e centenas de bagulhos usados no cotidiano da presidência.

O primeiro andar do museu é um capítulo à parte, com mais fotos históricas e ampliadas: JK com um Fidel Castro no auge com o sucesso da revolução cubana e John F. Kennedy, para início de conversa. Roupas da primeira-dama e até mesmo a arma que ela supostamente embarcou para o exílio (dourada, parece James Bond) estão lá. Vá até o fundo do primeiro andar e você vai ver outros utensílios, os projetos originais de arquitetos que concorreram para desenhar o plano piloto e fotos do Niemeyer Highlander quando era novo. Ok, novo é exagero…

Na foto, o mausoléu de JK.

O museu não é grande, mas separe pelo menos duas horas para o passeio se o seu colega turista gostar de história, fotografia ou política. E se ele resolver olhar os títulos dos livros da biblioteca particular de JK, junte-se a ele e peça um café. É espetacular como eles conseguiram conservar todas aquelas obras intactas.

O museu abre de terça a domingo, das 9h às 18h.

Dia 1 – Tarde

Do Memorial JK, aproveito a proximidade para levar o colega turista até o Sudoeste para dizer: isto aqui ainda é Brasília, mas não tem nada a ver com Brasília.

Por ter morado um ano inteiro no Setor Sudoeste (QMSW 5), para mim é fácil dar um giro de carro por 20 a 30 minutos, explicando como surgiu e a proposta desse setor atualmente tão elitizado de uma cidade já elitizada por natureza. Se o tempo permite, gosto de incluir um passeio rápido pelo Cruzeiro e Octogonal, só para comparar as diferenças com as quadras clássicas da Asa Sul e da Asa Norte. Depois de um ano no Sudoeste, criei antipatia gratuita pelo setor e virei fã foi do Cruzeiro com aqueles botequinhos com cara de praia. Sem a praia, claro.

Ainda pelo Sudoeste, vale a pena mostrar um exemplo engraçado de setorização em Brasília: o SIG (Setor de Indústria Gráfica) onde dezenas de gráficas concorrentes ficam lado a lado. É o setor onde você também pode mostrar a Imprensa Nacional e o Correio Braziliense.

Do Sudoeste, é hora de pegar o Eixo Monumental no sentido norte, voltando em direção à Torre de TV e chegar ao mais conhecido cartão postal da cidade: a Catedral Metropolitana (foto).

A catedral nem sempre está aberta ao público por causa de infinitas reformas internas e nos vitrais, mas até os ateus gostam daqui. Vá para a catedral no início da tarde, pois as visitas de turista são proibidas a partir das 17h, quando começa a missa. É claro que todo mundo usa a velha jogada de que vai para a missa… mas nunca funciona.

Depois de visitar a Catedral (por causa do horário), basta andar um pouco mais no sentido contrário para chegar à Praça da República (foto), oficialmente “Complexo Cultural da República” onde você pode entrar no Museu da República e na Biblioteca Nacional, dois elefantes brancos de Brasília.

O Museu da República é um dos monumentos mais recentes de Brasília, inaugurado em 2006, mesmo ano de inauguração da Biblioteca Nacional. O acervo é minúsculo, mas é bonita por dentro e não leva mais de 20 minutos para dar um giro e entender como a coisa não funciona.

Continuo não gostando de museus, mas o Museu da República é outra exceção justamente porque não é exatamente um museu. É um espaço com exposições itinerantes, às vezes você tem sorte e encontra duas exposições simultâneas. Em geral, são exposições de fotos, quadros, peças, artes plásticas e outras opções interessantes, como esta (foto) que nunca mais voltou.

Algumas exposições são ridiculamente bobas ou tão pequenas que ninguém entende, outras são muito interessantes. É uma loteria.

Saindo da Praça da República, chega enfim a hora de mostrar o antro do funcionalismo público brasileiro na Esplanada dos Ministérios, o Itamaraty, o Palácio da Justiça e ficar de frente ao Congresso Nacional. Antes, contudo, vale a pena brincar de jogo dos oito erros com as bandeiras dos Estados Brasileiros (foto).

Neste momento do passeio, é sempre um dilema: entrar ou não no Congresso Nacional. Considero um passeio obrigatório, mas costumo deixar para o dia seguinte por causa do horário. Então vamos ver o Congresso apenas por fora (fotos), se der sorte algumas crianças estarão por ali na grama ou o time de Futebol Americano de Brasília vai estar reunido treinando na frente do Congresso Brasileiro. Peculiar.

Quando José Sarney ainda era presidente, e depois Fernando Collor, os turistas podiam subir a rampa que leva até a ala superior e ter uma noção exata da grandiosidade dessa arquitetura. Não lembro mais em que momento do governo Itamar Franco ou Fernando Henrique Cardoso resolveram proibir o acesso.

O fato é que, desde então, o acesso é proibido e você não pode mais ficar exatamente ali onde está o segurança (foto) e se sentir uma formiguinha. É realmente impressionante e fico feliz de ter tido essa experiência nos anos 90.

Agora é só andar um pouco mais e chegar à Praça dos Três Poderes (foto, abaixo) onde fica o Supremo Tribunal Federal (STF), o Museu Lúcio Costa – outra exceção, me perdoem -, o Panteão da Pátria e Liberdade Tancredo Neves, onde fica a Pira da Liberdade, o Mastro da Bandeira e a estátua em homenagem aos candangos.

O Palácio do Planalto também fica logo ali, bem menor do que você imaginava quando via na televisão.

A Praça dos Três Poderes é um espaço enorme com direito até a um “pombário” para os pombos descansarem e se protegerem do sol. O fim de tarde na praça é bem interessante quando o sol se põe por trás do Congresso Nacional e vale muito a pena ir até perto do Mastro da Bandeira, pois há uma passagem meio escondida onde você desce umas escadas e depois sobe uma escadaria maior até ficar bem próximo da Pira da Pátria (foto).

A pequena tocha já foi uma chama muito grande, na época da inauguração em 1987, em homenagem aos heróis nacionais, e assim ficou durante vários anos. Na última década, contudo, provavelmente para economizar, a tocha é bem pequena. Mas fica acesa 24 horas por dia e 7 dias por semana.

Não há proteção na Pira da Pátria e o acesso é liberado e sem segurança, então cuidado para não se queimar, literalmente, tentando pular e colocar o dedo para ver se o fogo é de verdade. Eu já tive a mesma ideia brilhante e passei dois meses com a marca da queimadura. É de verdade, sim…

A tarde deve estar chegando ao fim e outro dilema: onde ver o famoso pôr-do-sol de Brasília?

São três lugares excepcionais para você escolher: voltar ao Memorial JK (o melhor para aquelas fotos clichês de pôr-do-sol para colocar no Facebook), ir ao Pontão do Lago Sul (o mais bonito, na minha opinião) ou ir até a Ermida Dom Bosco (o mais tranquilo e mais zen).

Gosto de ir até a Ermida Dom Bosco (foto) porque fica mais longe, enquanto a tarde vai caindo e até chegar lá é o momento para falar um pouco sobre o Palácio do Planalto (as reformas, a clássica rampa presidencial) e também para mostrar as mansões do Lago Sul, uma espécie de ilha da fantasia no Brasil.

Na Ermida, se você ainda tiver perna, desça a escadaria e vá até o Lago Paranoá, é um lugar muito agradável, tem um pequeno pier ou você pode sentar na beira da calçada e molhar os pés no lago. É uma área muito verde e faz você (leia-se: o turista) se perguntar por que na sua/nossa cidade a gente não consegue preservar tanto espaço verde assim.

Dia 1 – Noite

Imagino que a opção seja unânime: finalzinho de tarde ou início da noite, a parada é o Pontão do Lago Sul (foto). Muita gente considera o Pontão como o melhor espaço de convivência de Brasília. A entrada é gratuita (ainda) e sempre foi, outra surpresa para a maioria dos turistas acostumados a pagar até para respirar quando viajam.

Durante o dia, você pode fazer passeios de barco/lancha saindo do Pontão e passando por baixo da Ponte JK, inaugurada em dezembro de 2002. É aquela ponte com os arcos gigantes que você provavelmente viu da janela do avião quando estava chegando em Brasília.

Os bares e restaurantes do Pontão são relativamente caros, mas nada diferente de outros pontos turísticos Brasil afora. São ótimos e vale a pena terminar o dia por ali tomando uma grade de cerveja ou um barril inteiro de chopp. Não se assuste de ver noivas vestidas a caráter desfilando pelo Pontão, aparentemente elas adoram fazer álbuns por ali com os fotógrafos, mesmo que 200 mil outras noivas tenham tido a mesma ideia e feito as mesmas poses.

Dia 2 – manhã

Se você não acordar de ressaca do barril de chopp no Pontão, de manhã cedo vale a pena visitar o Parque da Cidade (foto), cujo nome oficial é Parque Sarah Kubitschek. É uma mega estrutura com pista de caminhada/corrida/bicicleta de 10 km de extensão que se estende até o Sudoeste.

O parque tem ainda quadras de esportes, lagos artificiais, parque de diversões, centro hípico e uma área verde gigante para churrascos, piqueniques, passeios com animais de estimação ou simplesmente deitar debaixo de uma árvore com um livro ou tirar uma soneca na sombra (foto).

Próximo aos lagos artificiais, tenha cuidado porque os patos não costumam ser amigáveis e vez por outra colocam muito marmanjo para correr.

O Parque da Cidade não tem muito atrativo turístico, é verdade. Mas vale a pena conhecer porque talvez seja o mais útil e democrático espaço de convivência para quem mora em Brasília. Há aulas de todos os tipos no parque: ginástica, ioga, musculação, esportes diversos, tai chi chuan etc.

Por volta das 10h e pouca, ali perto do Parque você já pode tomar seu café da manhã no Mercado Municipal de Brasília, na W3 Sul, quadra 509, se fizer questão daquele tradicional sanduíche de mortadela Ceratti, mas fique avisado: o mercado é de “plástico”. Não tem nada a ver com um mercado público de verdade. É tudo arrumado demais, limpo demais e faz parte de um único empreendimento de um mesmo dono. A partir das 10h, contudo, o bar do Mercado já serve uma cerveja gelada e os sanduíches são honestos: grandes e preços acessíveis, com direito a sanduíche de pernil. Mas, não se iluda. O mercado nem se compara (em qualidade, quantidade e sanduíche) ao Mercado Municipal de São Paulo.

Brasília também não tem a cultura de padaria de São Paulo, mas sou fã das rede Pão Dourado e da Pães e Vinhos.

Dia 2 – tarde

Final da manhã ou início da tarde, hora de voltar ao centro de Brasília em direção ao Congresso Nacional. Dependendo do horário e da fome, gosto de mostrar rapidamente o Conjunto Nacional por causa da carga histórica desse shopping pioneiro, a Rodoviária Metropolitana (tem um quiosque com os melhores pastéis de Brasília) e finalmente o Conic, um dos meus lugares preferidos.

O Conic é um lugar curioso por causa da história (que você vai contar para seu colega turista) e por causa da bagunça. Adoro aquele ambiente meio caótico e serve para ver que nem tudo é 100% organizado no plano piloto de Brasília. Durante quase um ano nosso escritório era no Conic e, apesar da falta de estacionamento e da internet completamente inoperante, ainda hoje passo por lá (geralmente, aos sábados) para tomar um machiato no tradicional Café Eldorado ou almoçar nas várias opções de bandejão. Além da vitamina de mamão do Ric Filet com pão de batata, um café da manhã ótimo para curar a ressaca da sexta.

Na sequência, é hora de fazer a visita guiada por dentro da Câmara dos Deputados (foto) e do Senado Federal.

A visita guiada teria tudo para ser um passeio muito chato, mas acredite: vale a pena para todo marinheiro de primeira viagem. Você vai ver por dentro tudo aquilo que vê diariamente no Jornal Nacional e onde os nossos ilustres políticos eleitos dão entrevistas, “trabalham” e circulam.

Minha parte preferida da visita guiada é chegar neste corredor (foto) que não à toa é chamado de Túnel do Tempo.

As visitas guiadas ocorrem todos os dias, em intervalos fixos de 30 minutos, entre 9h30 e 17h. Inclusive, aos sábados, domingos e feriados, que são justamente os dias mais recomendados para fazer o passeio, pois tem menos gente, menos excursões de escolas e não há vai ter chance de encontrar um político por lá.

Antes ou depois, não perca a chance de passear por outros 20 minutos no pequeno museu logo na entrada do Congresso. Eu continuo não gostando de museus, mas este do Congresso vale a pena (eu sei, de novo) para ver utensílios como estes da foto e marejar os olhos com saudade da sua Olivetti.

Se não deu tempo de ver ontem, passe novamente na Praça dos Três Poderes e vá até o Museu Lúcio Costa no subsolo. Eu detesto museu, mas aqui em Brasília museu não é museu, percebeu? Você vai encontrar apenas uma maquete gigante (foto) da cidade, incluindo algumas regiões administrativas (cidades-satélites) e vai ter uma noção bem exata da geografia e da urbanização estruturada. Também tem uns desenhos e esboços do arquiteto.

A tarde já deve estar no meio e rume para o Palácio da Alvorada, a residência oficial da Presidência da República. De carro, antes de chegar, do seu lado direito tem o Palácio do Jaburu, a residência oficial da Vice-Presidência da República.

Não há nada exuberante no Alvorada, além das emas gigantes que foram doadas à Presidenta Dilma Rousseff e que ficam circulando por lá na maior preguiça. Quando Lula assumiu a presidência em 2003, reza a lenda que uma das primeiras medidas que ele tomou foi mandar colocar carpas na corrente d’água que separa os turistas da área verde do Alvorada. Na foto, um dos dois (ou três) jardins aquáticos por onde as carpas circulam.

Ao redor do Alvorada há uma área interessante com uma pequena “praia” próxima à Concha Acústica, um lugar curioso para descansar e até mesmo tomar banho no Lago Paranoá que, segundo a Cetesb, está 100% limpo e próprio para banho há alguns anos.

Essa área próxima da Concha Acústica (Vila Planalto) está mudando muito em pouco tempo. Na foto abaixo, esta árvore não existe mais, por exemplo. Esse registro é de abril de 2012, ou seja, recente. Poucos meses depois, voltei para tentar fazer novos registros parecidos a esta foto, de ângulos diferentes, mas era tarde demais. Em abril, tive a sorte de passar por aí na hora que o sol estava começando a se por e parecia o apocalipse.

A tarde deve estar chegando ao fim, assim como este pequeno guia para conhecer Brasília em 48h. É hora de ir deixar seu amigo no aeroporto ou na rodoviária. Ou escolher um restaurante para recarregar as energias e mais um barril de chopp antes de dormir.

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    • Para saber mais sobre esse projeto e como ele surgiu, leia Sobre Brasília 48h.
    • Para saber mais sobre as fotografias e o processo de captura e edição, leia Sobre as fotos.
    • Para outras dicas se você tiver mais de 48h em Brasília, confira o Apêndice A e Apêndice B.
    • Para ver as fotos em alta resolução, basta clicar em cima delas para ir direto ao Flickr.
    • Entre em contato por e-mail.
    • English version coming soon.

…………………….

Sobre o projeto Brasília 48h

Nestes últimos 20 anos em que visito Brasília a trabalho, passeio ou apenas de passagem para outro destino, sempre escutei exatamente a mesma coisa: Brasília não tem turismo.

Depois de quase três anos morando de fato na cidade, perdi as contas de quantas vezes levei gente de fora para passeios de fim de semana. Sem ufanismo ou bairrismo, até mesmo porque sou apenas mais um forasteiro por aqui. Apenas acho que turismo pode significar outros cenários além das praias do Nordeste, da boemia do Rio de Janeiro e da efervescência de São Paulo.

Não há comparações. Brasília é diferente, nem melhor, nem pior. Apenas diferente e bem interessante em termos de urbanismo e trânsito. É tranquila a ponto de parecer uma cidade fantasma nos finais de semana. E talvez seja a única cidade que conseguiu se manter planejada até os dias de hoje no Brasil, apesar das dificuldades latentes da especulação imobiliária e das relações escusas entre poder público e iniciativa privada.

Tem dia que o céu está lindo e a luz está ótima para fotografar. Tem dia ruim, sem luz e sem céu. É uma loteria, por causa da extrema aridez e secura da região. Um lugar que estava verde naquele dia, hoje pode estar amarelo ou com aquela cor de barro. Há dias que parecem exatamente iguais, mas quando você olha a foto que foi feita no mesmo ponto, porém em meses diferentes, parecem duas fotos distintas.

Nestes três anos, juntei 32 fotos que gosto bastante de alguns dos meus lugares preferidos para levar amigos de outras cidades. Em geral, eles não passam mais de 48h, o tempo de um sábado e domingo. É pouco para realmente conhecer como funciona a cidade, no sentido orgânico; mas é tempo suficiente para entender como Brasília se apresenta ao mundo, principalmente se você tiver alguém para lhe explicar algumas coisas e apresentar esses lugares que tentei registrar aqui nesse pequeno guia pessoal.

As fotos e dicas são escolhas estritamente pessoais. Não se trata de um guia definitivo, nem de orientação turística profissional, pois não tenho qualificação para isso. Sem dúvida, há outros lugares tão interessantes quanto e que não estão registrados nas 32 fotos.

E antes que você pergunte, a semelhança do nome do projeto não é coincidência. Sou fã e leitor voraz da seção “36 horas em…” do New York Times. A diferença é que acho 36 horas realmente muito pouco para conhecer qualquer coisa.

Sobre as fotos

As fotos do projeto Brasília 48h nem sempre são um registro “tradicional” do lugar retratado, como é o caso do Palácio do Alvorada, onde a imagem escolhida foi o jarro aquático que todos os turistas olham e nem percebem, em frente ao Palácio. Essa escolha particular das imagens não tem nada de artístico ou planejado. Foi movida apenas por fatores subjetivos, em geral uma história para contar ou porque, simplesmente, quis evitar fotos de folhetos turísticos. Afinal, com o Google, ninguém precisa colocar fotos na internet para saber como é o Palácio da Alvorada ou qualquer outro ponto turístico de qualquer lugar do planeta.

As fotos foram feitas num período de três anos, usando uma câmera Nikon D90 e mais recentemente uma Canon 5D Mark II, com lentes claras (f/1.4, f/1.8 e f/2.8) e escuras (f/3.5, f/4 e f/5.6) aleatoriamente, sem nenhum critério previamente definido. Uma das fotos, inclusive, foi feita com um iPhone 4S (o tacacá na Torre de TV) e ficou melhor do que outras fotos de tacacá com a D90 ou 5D.

Com exceção da foto do iPhone, todas as imagens são capturadas em neutro, sem filtro e sem flash, em formato bruto (RAW/TIFF) e somente depois trabalhadas para eventuais cortes e ajustes, mais ou menos como a gente fazia no laboratório com filmes 35mm.

Lentes claras e de boa qualidade fazem diferença, é claro, mas nada disso é essencial para uma boa imagem. Metade das fotos que escolhi para o Brasília em 48h foram feitas com lentes escuras. Se você está em Brasília, Recife ou São Paulo e quer saber mais sobre todo esse processo, oferecemos cursos rápidos e workshops sobre o assunto e vários outros na AF2 Comunicação. Pode mandar um e-mail também.

Apêndice A

Quase nunca é possível em apenas 48h, mas se houver um pouco mais de folga, gosto sempre de levar os forasteiros para a Feira do Paraguai, oficialmente Feira dos Importados.

Eu até hoje não sei se o pessoal realmente gosta quando levo para lá, mas eu gosto e sempre vou religiosamente depois de todos esses anos. É lá onde me abasteço de castanha-do-pará, macadâmias salgadas e naturais, castanhas de caju caramelizadas e outras guloseimas, além de sempre circular um pouco na feira para me manter atualizado sobre os preços de informática e outros contrabandos legalizados.

Se a sua visita for do tipo esportista, vale muito a pena encaixar (durante a manhã ou tarde) um passeio pelo Parque Nacional de Brasília, mais conhecido como Parque Água Mineral. A entrada é barata e, se os funcionários não estiverem de greve (são várias por ano…) o passeio é interessantíssimo. Tem piscinas enormes e uma trilha relativamente plana com 5 km de extensão no sol quente a pino.

Siga as placas e cuidado para não se perder, porque é literalmente um mato-sem-cachorro todos os arredores da trilha. Sinta-se advertido.

Na foto, os peixes da Ilha da Meditação no Parque Água Mineral não são luminosos, é apenas o efeito do contraste da água e da luz.

Outra boa dica no Água Mineral é que lá tem aquele caldo de cana de rua que a gente está acostumado em outras cidades, com pastel ou pão doce. Se você for do Recife e tiver vivido na capital pernambucana nos anos 80, considere esse parque como uma espécie de Águas Finas um pouco mais organizado. Para o bem e para o mal.

Por fim, em Brasília existe todo um roteiro para conferir os azulejos de Athos Bulcão e, de quebra, conhecer por dentro as clássicas superquadras de Brasília. Confira o blog Na Trilha dos Azulejos para saber mais.

Apêndice B

Se você for passar mais tempo ou feriadão, saia um pouco de Brasília para conhecer as várias cachoeiras próximas à cidade, os roteiros de ecoturismo no Distrito Federal e Goiás, passando pela cidade histórica de Pirinópolis. Se tiver mais tempo ainda, vá até a Chapada dos Veadeiros, onde há mais cachoeiras, trilhas e até mesmo um aeroporto de OVNI.

Em breve, teremos fotos selecionadas da Chapada.

Entre em contato por e-mail.

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