Um amigo passou no bar e fez o convite: a filha queria nos convidar para uma vernisssage. Não entendi exatamente o que ele quis dizer, mas diante da felicidade e do orgulho paterno, prometi minha presença. O tempo passou e, na véspera, eu ainda não sabia para onde havia sido convidado.

Paulo Rebêlo | 19.nov.2015

Um amigo passou no bar e fez o convite: a filha queria nos convidar para uma vernisssage.

Não entendi exatamente o que ele quis dizer, mas diante da felicidade e do orgulho paterno, prometi minha presença.

O tempo passou e, na véspera, eu ainda não sabia para onde havia sido convidado. Liguei e ele reforçou o convite. Fiquei com vergonha de perguntar o que é isso, como devo me vestir, se devo levar presente e, o mais importante, se haverá comes e bebes.

Passei no mesmo bar e perguntei aos outros amigos que lá se perpetuam. Ninguém soube responder.

Um deles lembrou que a filha era artista. Se ela era artista, nenhuma surpresa o fato de a gente não entender esses nomes complicados de artista.

Alguém sugeriu procurar no jornal.

Abrimos os jornais e não entendemos metade do que estava escrito. Um gaiato chegou a perguntar se era o New York Times, por causa das palavras em inglês na coluna social e as boleiras que eram chamadas de cake designer. E todos aqueles bolos de bacia com nome de cupcake.

Achamos uma reportagem sobre vernissage. Tinha fotos, quadros e pessoas felizes e bem arrumadas, mas nada de vernissage, apesar de o título estampar esse nome.

Não queria passar vergonha diante do orgulho paterno do meu amigo. Tanta vergonha que não tive coragem de perguntar a ele como me vestir e o que era uma vernissage.

Ao chegar, nos abraçamos e cumprimentamos a filha artista. Havia quadros expostos na parede e o pai me contou que a filha pintava e desenhava.

Aparentemente, a vernissage ainda não havia começado, porque estavam todos comendo, bebendo, olhando para os quadros e discutindo sobre os meandros da arte contemporânea e os pormenores da arte abstrata.

As horas passaram, os uísques também. Puxei meu amigo, falei do cansaço e do desconforto com as vestimentas, não poderia ficar até começar a vernissage ou até chegar a vernissage. Foi um trocadilho para ver se entendia melhor aquilo tudo.

O orgulhoso pai me olha frustrado e responde: não sei que horas começa ou chega essa tal de vernissage; mas sou o pai, tenho que ficar, é muito importante para minha filha, estou até desconfiado que vernissage seja o nome de uma namorada estrangeira e ela queira me apresentar.

O evento era gratuito, mas não quis pagar para ver.

Fui embora, parei na Cantina Star e pensei que a tal da vernissage talvez gostasse mais daquele parmegiana às quatro horas da manhã do que aqueles canapés de vento. Porque se até aquele horário ela ainda não havia chegado, certamente tinha hábitos noturnos iguais aos nossos.

Mas quem sou eu para saber. Quando me perguntaram no bar, disse que foi ótimo. Apesar do pudim que passou do ponto e queimou. Chamaram de creme brulê, talvez para impressionar a vernissage.

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