Já passava de 22h00 e todos na agência perceberam que não daria tempo de sair para jantar e talvez nem voltar para casa. Às vezes falhamos, é verdade, mas a regra é entregar os projetos dentro do prazo – mesmo que seja preciso dormir aqui no sofá, como tantas vezes ocorreu.

Usabilidade, programação, fotografia, design, retorno sobre investimento. Neste mercado, essas discussões quase sempre terminam em pizza.

Paulo Rebêlo
Webinsider | 17.maio.2015 | link

Já passava de 22h00 e todos na agência perceberam que não daria tempo de sair para jantar e talvez nem voltar para casa. Às vezes falhamos, é verdade, mas a regra é entregar os projetos dentro do prazo – mesmo que seja preciso dormir aqui no sofá, como tantas vezes ocorreu.

Em 90% das entregas, o atraso de um ou dois dias não muda e não atrapalha em nada a vida do cliente. Mas muda a nossa vida, porque o atraso significa uma falha nossa de gestão e de execução. Em situações assim, quem nos salva a vida é o delivery de pizza. E somos muito gratos a todas as pizzarias do universo que entregam depois das 22h00.

Desta vez, entrei no site e na primeira imagem já quis clicar: a clássica promoção de uma pizza grande com outra igual grátis. Clico e nada acontece. De novo, nada. Observando melhor, vejo que ao clicar o site apenas recarrega a própria página inicial.

Observo melhor (de novo) e leio o aviso: a promoção é exclusiva para pedidos realizados pelo site. Por esse mesmo site que não funciona.

Talvez o problema seja comigo. Tento com Firefox, Chrome e Safari. Nada acontece. Talvez só funcione no Internet Explorer, não vou ter como testar. Peço para o pessoal ligar o único PC com Windows que a gente tem. O link também não funciona no Internet Explorer.

Talvez todos os nossos computadores estejam com defeito. Talvez seja um problema temporário.

Já sei. Talvez só funcione pelo celular ou pelo iPad. Tentamos com três aparelhos Android e um iPhone. Com um iPad e um iPad Mini. Foi difícil porque nem conseguimos visualizar o site direito, que não é adaptado corretamente para dispositivos móveis.

Ou talvez seja apenas mais um exemplo dentre as centenas que a gente vê todos os dias: sites que não funcionam.

E nem sequer entramos no mérito do design duvidoso, da usabilidade completamente inexistente e das fotografias que deixariam até mesmo um retratista de 3×4 com vergonha profissional.

Tentei pedir a pizza outro dia, na mesma promoção, mas o problema continuava lá. Clica e nada acontece. Preparei um pequeno texto para brincar com os colegas no Facebook sobre o fato de não conseguir pedir uma pizza cuja promoção é exclusiva pelo site e o mesmo site não nos direciona para o pedido. Talvez eu ganhasse umas quinze curtidas no meu perfil facebookiano de muçarela.

Fui convencido a não postar porque um dos nossos colegas desceu até o rodapé do site e viu que constava a assinatura de um dos nossos vizinhos de bairro. Veio o recorrente ponto de interrogação na testa de todo mundo aqui no sala. Aqueles eternos paradoxos éticos de um mercado cada vez mais estranho.

É difícil explicar para uma equipe como é que determinadas pequenas empresas de TI conseguem manter equipes com 20 pessoas e 10 vezes mais clientes. Enquanto nós mantemos cinco e comemoramos como se fosse final de Copa do Mundo quando aparece um cliente pontual com problemas para a gente solucionar.

Mais difícil ainda é se colocar na posição de um cliente que paga por um serviço e poderia identificar rapidamente problemas de funcionamento. A quantidade de conversões perdidas deixaria qualquer gestor de cabelos em pé (ou sem cabelos, feito eu) mas, como todos nós sabemos e você também sabe, essa informação nunca será compartilhada com o gestor ou dono do negócio.

A resposta padrão é a mesma que tantos outros diretores e empreendedores usam: a culpa é da política.

Não a política palaciana, não a política partidária, não a política eleitoral, não a política de Brasília com seus lava jatos.

Mas talvez a política dos contratos escusos de 500 reais para fazer portfólio, a política da troca de favores, a política dos editais direcionados para os amigos e para a brodagem, a política dos cargos de “chefia”, “coordenação” e “gerência” que só servem para o cartão de visitas e para a egolombra do perfil no Facebook.

Afinal, ninguém vai dizer no Facebook que é gerente ganhando dois mil reais, não é?

Deve faltar algo que não consigo enxergar. Devo estar perdendo alguma variável nessa equação, visto que todos os dias escuto os donos de pequenas e médias empresas reclamando dos serviços de tecnologia que contratam e simplesmente não funcionam.

Mas fica por isso mesmo e a reclamação geralmente acaba em pizza.

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