Cervejeiros de araque

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Não entendo nada de futebol. Nem de matemática. Mas entendo um pouco de cerveja.

Daí minha dificuldade de levar a sério o Dunga como profissional de qualquer coisa. E tantos outros aratacas.

Há duzentos anos não vejo ninguém pedir uma Brahma na mesa de bar. Agora todo mundo é brameiro. Tire o ‘h’ da marca e consulte pai Aurélio. Não é o Miguel.

De futebol não entendo se a escalação do Brasil é boa ou ruim, nunca ouvi falar de metade dos jogadores. Conheço o Grafite, jogou na minha terra pelo Santa Cruz (2001-2002), time hoje confortavelmente situado na disputada Série D do Campeonato Brasileiro.

De matemática, não entendo se é humanamente possível uma pessoa faturar uns 500 mil reais por mês e sentir qualquer diferença se ganha ou perde um jogo de futebol. Aqui ou além-mar.

Mas, de cerveja, entendo o mínimo para não levar a sério ninguém que se prontifica a me dizer que cerveja ruim é cerveja boa como se eu tivesse nascido ontem do cruzamento de um ministro da TFP com uma missionária Jeová.

Num país onde ninguém lembra quem colocou para mandar na vida da gente no Senado, essa história de brameiro e guerreiro é um grande puteiro.

Das duas, uma: ou os garotos-propagandas nunca beberam uma cerveja decente na vida ou esse pessoal está endividado e precisando muito de grana extra para comprar a gola rolê.

Propaganda de cerveja é heresia. Cerveja tem a ver com um monte de coisa bacana, por exemplo, vida sedentária, mulheres feias, barriga de chopp e dor de cabeça. Tudo a ver com a propaganda que a gente assiste.

Além do mais, o sagrado lúpulo fabricado no Brasil já foi desmascarado majestosamente pelo cientista Rogério Cezar de Cerqueira Leite. Este, sim, um guerreiro do santo lúpulo.

Também não entendo muito de mercado financeiro. Não sei quanto custa o cachê de modelo ou quanto vale um técnico de futebol.

Mas sei quando meu telefone não funciona e quando fico 45 minutos ouvindo música sintetizada do telemarketing. Fico pendurado ao telefone falando Oiiiiii e ninguém me ouve. Talvez só escutem os brameiros?

Não é implicância com o anão da Branca de Neve. Também não levo mais a sério o Zeca Pagodinho e tantos outros. Nem cerveja o pagodeiro bebe e vem me dizer que aquela Xinxim presta? Dá licença, vou ali vadiar.

E ainda nem cheguei no baixinho da Kaiser, nas duplas sertanejas da Bavaria, no Corcoran (Stênio Garcia) abraçado com o Vinho Carreteiro em outdoors pelo Nordeste.

Alguém vai me dizer que a gente bebe coisa ruim porque é mais barato. É um argumento válido. Afinal, não ganhamos 800 mil euros por ano para fazer biquinho para a Globo e desfile de moda.

Mas veja bem, se a gente não tem respeito pelo nosso fígado, quem vai ter? Até porque, quanto mais você viver, mais oportunidades você terá de beber.

Cerveja ruim, deixe para as visitas durante os jogos da Copa. Tem até argentino achando que Skol é cerveja…

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2 comments

  1. Eu sou contra a latinhas falantes, essa marca deveria investir em um cerveja mais interessante e menos aguada…a Boa está no meu coração como um boa esposa e a Gold é a minha nova amante.
    ósculos.

  2. Já me falaram dessas latinhas falantes, nunca vi e nem conheci alguém que tenha conseguido. Mas eu prefiro uma lata com o líquido do que uma lata que fala. Para falar, já basta as mulheres da gente.

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