Mais uma tirada do rei dos nerds

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Paulo Rebêlo
Diario de Pernambuco
12.abril.2009

Fazer um filme pornô só por brincadeira e para conseguir pagar as contas do mês pode parecer o paraíso para os homens, mas é claro que devemos esperar muita confusão e sarcasmo quando o roteiro tem o aval de Kevin Smith. Diretor cultuado graças a uma série de comédias moderninhas e de ótimos personagens que rapidamente conquistaram o público, Smith assina o roteiro e a direção nesta comédia com Seth Rogen e Elizabeth Banks. Em Pagando bem, que mal tem? (Zack and Miri make a porno, EUA, 2008), o casal de amigos se vê com dívidas até o pescoço e, muitas discussões depois, resolvem produzir por conta própria um caseiro filme pornô. Com direito a seleção de elenco, locações “fetiches” e até mesmo um roteiro com “história”, naturalmente.

Conhecido por reviver personagens em filmes diferentes, como a hilária dupla Jay e Silent Bob, desta vez Smith optou por concentrar os esforços em Seth Rogen, um dos mais requisitados atores de comédia dos últimos anos, em Hollywood. Mesmo assim, os saudosistas podem respirar tranquilos. O magricela Jay (Jason Mewes) faz parte do elenco e continua sem noção como sempre. O mesmo vale para o ator bissexto Jeff Anderson, o Randal de Os balconistas 1 e 2. Destaque curioso para uma envelhecida Traci Lords, atriz que começou a carreira nos anos 80 fazendo filmes pornô, migrando em seguida para filmes policiais de baixo orçamento e depois se dedicando à TV.

A opção por Seth Rogen no papel principal não é sem motivo. Somente em 2008 foram quatro comédias, todas sucesso de bilheteria. Sem contar com três dublagens de Rogen, nos filmes Kung Fu Panda, Horton e o mundo dos quem e As crônicas de Spiderwick. Figura conhecida apenas na TV americana ou em pequenas pontas, Seth Rogen despontou no cinema em Ligeiramente grávidos (Knocked Up, 2007). Desde então, não tem tido tempo de respirar.

Marca registrada de Kevin Smith, a participação dos coadjuvantes é sempre digna de nota e faz o público embolar de rir, com Justin Long, Craig Robinson e Brandon Routh. Desta vez, Smith não aparece – ele é o Silent Bob da dupla Jay e Silent Bob -, mas não faz falta. Nem uma visivelmente perdida Elizabeth Banks, praticamente uma barbie, consegue tirar a graça do casal Zack e Miri.

Dois marmanjos sem noção

Junto à exibição de Pagando bem, que mal tem? nos cinemas, chegou às locadoras brasileiras outra (e cultuada) comédia com Seth Rogen. Em Segurando as pontas (Pineapple Express, 2008), ele divide a cena com James Franco (o Tristão de Trisão & Isolda e duende verde em Homem-Aranha 2) e juntos se metem nas piores confusões, completamente chapados e sem noção do perigo. O filme pulou a exibição nos cinemas nacionais – provavelmente pelas apologias durante as duas horas de duração – e chega somente em DVD, com restrições da censura.

Apesar do tema sempre polêmico, Segurando as pontas tem sido cultuado mundo afora e foi indicado ao Globo de Ouro na categoria de melhor ator em comédia ou musical (indicação para James Franco). Por sinal, muita gente vai estranhar como o ator conseguiu assumir tão bem o papel e tirar boa parte do destaque de Seth Rogen, supostamente o protagonista. Curioso que ele (Rogen) também ajuda no roteiro.

Boa escolha também para o ator relativamente novato Danny McBride e, sumida das bilheterias de sucesso, Rosie Perez, como a policial corrupta. Com poucos filmes na carreira, o diretor David Gordon Green é egresso de bons dramas, mas aqui caprichou nas cenas nonsense.

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