Quando o visitante somos nós

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CINEMA // Segundo longa de Thomas McCarthy explora o delicado terreno da hipocrisia

Paulo Rebêlo
Diario de Pernambuco
22.março.2009

Se você está cansado da sequência de filmes indicados ao Oscar ou da pirotecnia dos lançamentos recentes, não perca a “visita” ao Recife do segundo filme dirigido pelo ator Thomas McCarthy. Visita rápida por sinal.

Porque O visitante (The visitor, EUA, 2007) tem prazo de validade no Recife, exibido apenas entre 20 e 27 de março no Box Guararapes, isto depois de levar mais de um ano para ser distribuído oficialmente por aqui, enquanto o DVD já circula em outras praças.

Embora seja considerado um diamante do cinema independente americano, O visitante também carrega uma chancela do Oscar. O protagonista Richard Jenkins – eterno coadjuvante em filmes de grande sucesso – foi indicado ao prêmio de melhor ator. Não faturou, mas filme e ator já colecionam onze premiações internacionais e outras onze indicações. Em parte, por outra bem-vinda contribuição dramática: da atriz árabe-israelense Hiam Abbass, a mesma de Lemon tree, em outro papel impecável.

Jenkins representa Walter, um professor universitário de meia idade insatisfeito com a vida e com a profissão. Surpreende-se ao participar de uma conferência em Nova Iorque e, ao entrar no seu antigo apartamento, encontrar duas visitas inesperadas. O problema – e o alicerce do roteiro – é justamente o que acontece a partir de então, e todas as transformações envolvidas. Aos poucos, Walter (e talvez o próprio espectador) percebe que o visitante é ele, em uma vida estranha, de cultura e atitudes igualmente estranhas e somente agora experimentadas.

Em 104 minutos de duração, impressiona como o diretor Thomas McCarthy consegue apresentar, ao mesmo tempo, temas comuns da complexidade humana – solidão, rejeição, hipocrisia, imigração, solidariedade – sem cair em clichês. O visitante não precisa de pormenores ou imagens de impacto, conquista facilmente pela simplicidade.

O elenco globalizado e a atuação de Jenkins ajudam, sem dúvida, mas a máxima de “menos é mais” adotada por McCarthy não chega a ser novidade para quemteve oportunidade de assistir ao seu filme de estreia, O agente da estação (The station agent, 2003). Ganhador de prêmios múltiplos (22 no total), O agente da estação já está nas locadoras.

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