Números negam prioridade prometida para o Turismo

ORÇAMENTO // Governo fala em turbinar investimentos na área, mas histórico não ajuda

Paulo Rebêlo
Diario de Pernambuco – 11.jan.2008

O orçamento da prefeitura do Recife em 2008 somente para o Carnaval – R$ 30 milhões – é maior do que o orçamento para turismo do Governo de Pernambuco durante todo o ano passado. A soma dos valores repassados pelo governo estadual foi de R$ 24,3 milhões, de acordo com dados da Controladoria Geral do Estado. Apesar de a prefeitura contar com cotas de patrocínio da iniciativa privada, o Carnaval 2007 ainda teve orçamento superior – R$ 25 milhões – ao custo total de turismo do estado.

A prefeitura gasta muito em apenas um evento ou o governo investe pouco em turismo? Depende de quem responde. O novo secretário de Turismo de Pernambuco, Silvio Costa Filho (PMN), costuma citar a Bahia como exemplo de atração de turistas. Ontem, ao lançar oficialmente o “primeiro plano estratégico do turismo” com o governador Eduardo Campos e uma série de autoridades convidadas (leia detalhes do projeto em Economia) a menção aos baianos novamente se fez presente. A diferença é que em 2007 o orçamento estadual para o turismo na Bahia foi de R$ 124,4 milhões, uma quantia cinco vezes superior ao de Pernambuco. Em ambos os casos, exclui-se o montante repassado pelo governo federal.

A chamada “herança maldita” do governo anterior é novamente adotada pela atual gestão como causa do baixo orçamento, além do fato de ser uma pasta “nova”. Até meados de 2006, o setor era vinculado à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Esportes. Segundo o secretário Silvio Costa Filho, o orçamento de 2008 será maior. A previsão oficial é de R$ 73 milhões, dos quais R$ 46 milhões vão para a Empetur e R$ 27 mi para a secretaria. Ele completa, ainda, que a Setur herdou o orçamento com “peças fictícias, sem dizer de onde vinha a fonte dos recursos”.

O plano estratégico anunciado ontem foi feito em parceria com a iniciativa privada (o tal “trade turístico”) e prevê injeção de R$ 19 bilhões em um prazo de 12 anos. Deste valor, contudo, a parcela estadual é de apenas R$ 1,9 bilhão até o ano de 2020. O restante virá – emtese, porque são 12 anos para frente – do governo federal, de prefeituras e de fontes como o Banco do Nordeste (BNB) e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Prodetur – O setor de turismo não depende apenas do orçamento estadual. Uma bandeira de destaque para 2008 é o Prodetur, um convênio em parceria com o governo federal (60% dos recursos) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (24%). Os recursos executados em 2007 foram de apenas R$ 6,9 milhões, dos quais R$ 1,4 milhão do Prodetur e o restante do BID. Para 2008, a promessa é de executar todo o convênio, que ainda dispõe de R$ 16 milhões já empenhados. De acordo com a Setur, ainda há R$ 87 milhões “autorizados” pelo BID. O governo também executou R$ 1,1 milhão da União para as ações de promoção do turismo.

Com o plano estratégico até 2020, o governo espera aquecer o setor e, conseqüentemente, ter uma reação imediata na oferta de empregos diretos e indiretos. No anúncio do plano, o governador Eduardo Campos disse que as ações não são diferentes das realizadas em outras áreas, como saúde, educação, recursos hídricos e segurança pública, “dialogando com a sociedade, discutindo com as instituições responsáveis, estabelecendo metas e premiações”. O secretário Silvio Costa Filho garantiu, na solenidade, que “a partir de hoje vamos construir um novo turismo em Pernambuco”.

O frevo e o tráfico no Rio

Carnaval não é só festa. Também é nome de operação da Polícia Federal que pode abalar o tão festejado investimento recifense no carnaval carioca. A prefeitura do Recife investiu (ou “despejou”, como diz a oposição) R$ 3 milhões para a escola de samba Estação Primeira da Mangueira entoar o hino dos 100 anos de frevo em pleno Rio de Janeiro. Os cariocas comemoram, este ano, os 100 anos de Cartola. O autor do hino, Francisco Paulo Testas Monteiro, tem mandado de prisão expedido e está foragido da polícia. Escutas telefônicas autorizadas judicialmente comprovam o envolvimento do sambista com o tráfico no morro da Mangueira. Ele também é conhecido como Francisco do Pagode ou “Tuchinha”.

Até agora, a posição da prefeitura do Recife é de apenas apreensão, mas na expectativa de que a operação seja um caso isolado e não interfira na imagem do carnaval. No entanto, em entrevista para os jornais do Rio, o chefe da polícia civil, Gilberto Ribeiro, confirmou a ligação entre a escola de samba e o tráfico. A polícia acredita que Tuchinha tivesse planejado um camarote exclusivo dentro da quadra da Mangueira para vender drogas. Foi encontrada uma passagem secreta dentro do camarote da bateria da escola que, supostamente, seria para entrada e saída de traficantes com uma escada de madeira para dar acesso a uma laje do morro.

Enquanto isso, a secretaria de turismo do Recife divulga que irá levar uma comitiva de 30 pessoas para assistir ao desfile da Mangueira no Rio de Janeiro, além de várias outras pessoas que estariam sendo convidadas diretamente pela escola de samba. No Rio, a folha corrida de Tuchinha é conhecida: passou 17 anos preso e é acusado de tráfico de drogas, tendo sido solto em 2006 em condicional e não se apresentado às autoridades competentes.

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