Nem a beleza salva “A Mulher do Meu Amigo”

CINEMA // Atores globais e roteiro adaptado da peça de Domingos de Oliveira se perdem de forma desconexa no filme de Cláudio Torres, que estréia nesta sexta-feira

Paulo Rebêlo
Diario de Pernambuco

12.dezembro.2008

Marcos Palmeira e Maria Luisa Mendonça. Vinhos, queijos e uma casa de campo. Até parece que o advogado criminalista Mandrake e a companheira Berta resolveram entrar de férias. Não se iluda. Junte o casal (da premiada série Mandrake da HBO), adicione a “eterna-ninfeta” Mariana Ximenes e um engraçadinho Otávio Müller. Agora, tente descobrir onde se encaixa A mulher do meu amigo (2008), o novo filme de Cláudio Torres. Quem adivinhar ganha um doce e perde os R$ 15 do ingresso a partir desta sexta-feira, quando estréia nas salas de cinema do Recife.

O roteiro é adaptado da peça Largando o escritório de Domingos de Oliveira. Thales (Marcos Palmeira) é casado com a riquinha e mimada Renata (Mariana Ximenes). O casal de amigos Rui (Otávio Müller) e Pamela (Maria Luisa Mendonça) resolve passar o final de semana descansando. Thales decide deixar o escritório de advocacia do poderoso Augusto (Antônio Fagundes), pai de Renata. Conversa vai, conversa vem, cadaum descobre a traição entre amigos. Não se preocupe, pois não há suspense, tudo fica bastante claro desde o início e na própria sinopse.

O único suspense é descobrir como Cláudio Torres, filho de Fernanda Montenegro e diretor do premiado O redentor (2004), resolveu se refugiar nos clichês publicitários mais conhecidos – e por conseguinte, com prazo de validade vencido – e na estampa de atores globais em atuação visivelmente forçada.

Filmado praticamente em locação única (a casa de campo), A mulher do meu amigo se apresenta como comédia de costumes, mas não consegue se encaixar em qualquer perfil cômico ou romântico. Os diálogos “gritados” e no limite da histeria de Ximenes e Müller também não ajudam. As curvas de Ximenes, obviamente bem aproveitadas pelas câmeras, se perdem diante do excesso de caras, bocas e gritos da personagem.

Diretor e escritor da obra, Cláudio Torres reconhece que o filme foi feito para agradar o público, não a crítica. No entanto, roteiro e atuação passam ao largo de outras comédias globais, românticas e até mesmo engraçadinhas cuja finalidade é idêntica – levar o público da TV para o cinema – como Se eu fosse você (2006), Bossa nova (2000), Pequeno dicionário amoroso (1997) e tantos outras com atores fazendo novela em 35mm.

Uma oportunidade perdida até mesmo para temáticas interessantes para o público-pipoca: o sentimento de sufoco e incertezas causados pelos empregos corporativos, casamentos de aparências e o massacre que advogados bem pagos causam na população mais humilde e carente de suporte jurídico. Tudo abordado de forma desconexa e quase como suporte para conseguir finalizar os 86 minutos da trama.

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