Eleição nos EUA: eles também querem ser presidente

CONCORRÊNCIA // No total, 13 candidatos disputaram a eleição norte-americana neste ano

Paulo Rebêlo
Diario de Pernambuco

05.novembro.2008

Ao chegar para votar, muitos norte-americanos se depararam com uma surpresa: em algumas regiões do país, eles podiam escolher entre uma extensa lista de candidatos à presidência dos Estados Unidos, além do democrata Barack Obama e do republicano John McCain. Como acontece no Brasil, a eleição norte-americana também tem seus candidatos nanicos e, às vezes, desconhecidos da população. Em geral, são reconhecidos apenas em seus pequenos redutos regionais, embora alguns nomes sejam figuras tarimbadas ou políticos de certo destaque no país.

Para ter o nome escrito na cédula de votação, o partido precisa ter uma quantidade fixa de eleitores registrados nos Estados. No total, foram 13 candidatos, incluindo Obama e McCain, no topo. A diferença da eleição de ontem, contudo, é que há bastante tempo os nanicos não eram tão inexpressivos no pleito presidencial. Cenário bem diferente de 2000, por exemplo, quando o nanico (porém amplamente conhecido) Ralph Nader, do Partido Verde, ajudou a definir a vitória de George W. Bush.

Ao faturar 2% dos votos, analistas acreditam que o intelectual de 74 anos (na época, 66) prejudicou o democrata Al Gore, que perdeu a corrida presidencial após a fatídica recontagem dos votos na Flórida. A controvérsia se baseia no cálculo de que, se os votos de Nader fossem transferidos para Gore, mesmo com a recontagem da Flórida, o democrata teria vencido a disputa.

Desta vez, o poder de fogo de Ralph Nader foi reduzido, mas não sua reputação. Concorrente em 1996, 2000 e 2004, ele ainda conta com o diferencial de ser o primeiro candidato árabe-americano e libanês-americano à presidência. Seu trabalho como ativista político é adotado na maioria das universidades, sobretudo em temas como direito do consumidor, meio ambiente e governos democráticos.

Antes de Nader, em 1992, ocorreu uma situação ainda mais curiosa. Ross Perot, conhecido milionário americano, saiu como candidato independente e faturou nada menos que 18,9% dos votos nacionais,uma marca histórica. Com o resultado, conseguiu tirar votos de George Bush (pai) em Estados importantes e, assim, garantiu-se a vitória do democrata Bill Clinton.

A turma dos nanicos

Ralph Nader, aos 74 anos, é o candidato mais velho à presidência. Foi o melhor colocado nas pesquisas de intenção de voto entre os nanicos durante a campanha. Mesmo assim, segundo as pesquisas, teria apenas 1% dos votos populares. Gene Amondson faz parte do curioso Partido da Proibição e a principal bandeira do seu partido é lutar contra jogos de azar, drogas, pornografia, álcool e cigarros.

Chuck Baldwin é radialista e integra o Partido Constitucionalista. Contra os imigrantes, sugere mais cercas e muros nas fronteiras. Bob Barr, do Partido Libertário, é contra a união homossexual e ficou conhecido ao pedir o impeachment do então presidente Bill Clinton, no escândalo com a estagiária Monica Lewinsky.

Róger Calero, do Partido dos Trabalhadores Socialistas, defende temas voltados à classe trabalhadora e operária, prometendo abolir o capitalismo. Charles Jay, ex-treinador de boxe, faz parte do curioso Partido do Chá de Boston. Prometeu retirar os soldados do Exército norte-americano de todas as regiões do mundo.

Alan Keyes não tem partido, mas já foi republicano. Negro, é conservador ao extremo e, ao ver negada sua candidatura pelos republicanos, fundou o Partido Independente. Gloria La Riva também é socialista e não tem nada de conservadora, inclusive, tornou-se mais conhecida nos EUA por traduzir para o inglês um livro de Fidel Castro.

Cynthia McKinney, ex-deputada democrata, também tornou-se conhecida por motivos anti-Bush. Contou com o apoio de Noam Chomsky, um dos mais ferrenhos críticos da política americana em geral. Brian Moore, outro socialista, pregou a “democracia radical”, com uma sociedade sem racismo e sem luta de classes. Thomas Stevens e Ted Weill, do Partido Objetivista e do Partido Reformista, são os menos conhecidos. Pregam a paz e o princípio de mais responsabilidade fiscal nas contas públicas.

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