Plano de Obama é o mote

EUA // Nas vésperas da eleição norte-americana, plano econômico democrata se transforma no principal assunto

Paulo Rebêlo
Diario de Pernambuco
19.outubro.2008

A menos de três semanas da eleição presidencial nos Estados Unidos, o democrata Barack Obama pode reclamar de qualquer coisa, menos de que as bases do seu plano econômico para a classe média ainda sejam desconhecidas da população. E ironicamente, graças ao adversário republicano John McCain. Durante o terceiro e último debate transmitido ao vivo pela televisão, na quarta-feira, McCain atacou Obama com apoio de um inusitado anônimo: Joe, o encanador. Desde então, Joe figura no topo das buscas na internet e tornou-se o centro das atenções mundiais.

Por conta das expectativas de Joe, hoje o mundo inteiro reconhece um dos principais alicerces do pacote econômico: aumento de impostos para os norte-americanos com renda anual superior a US$ 250 mil; e redução gradual para os demais. Segundo cálculos de analistas norte-americanos, o aumento atinge cerca de 4% da população nos EUA. Já o plano de McCain, às vésperas da eleição, continua a despertar curiosidade e dúvidas – embora ele admita, publicamente, que não irá aumentar impostos.

Para ilustrar como os programas de governo são diferentes quando o assunto é redução de impostos, McCain insistiu que Joe, o encanador, precisaria pagar mais impostos caso Obama vença as eleições no dia 4 de novembro. Porque Joe estaria prestes a adquirir uma pequena empresa com renda superior a US$ 250 mil, informação hoje desmentida. Em suma, Joe seria enquadrado na redução de impostos, não o contrário.

O jogo de empurra, contudo, esconde bem mais do que a simples redução de taxas. Os planos de McCain e Obama diferem, sumariamente, sobre como o governo norte-americano pode – e deve – gastar. Nas palavras de McCain, “Obama quer decidir como irá gastar o seu dinheiro com o aumento de receita do governo”, enquanto o republicano promete diminuir os gastos governamentais.

Para Obama, a taxação superior para os afortunados trata-se de “compartilhar a riqueza” com o resto da América. O discurso, no mais neoliberal dos países, deveráser o ponto crucial das discussões nas próximas duas semanas, antes do pleito, sobre quem deve decidir como gastar o superávit a partir de mais imposto.

Quanto ao encanador Joe, seus quinze minutos de fama se transformam em inferno astral. O sindicato dos bombeiros/encanadores em Ohio divulgou, em nota oficial, que Joe Wurzelbacher não tem sequer licença de serviço. Sua vida pessoal e financeira começou a ser vasculhada de cima para baixo.

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