Crise no centro do último debate

O terceiro embate entre o republicano John McCain e o democrata Barack Obama foi o mais instigado dos encontros e tratou de temas do interesse do americano comum

Paulo Rebêlo
Diario de Pernambuco
16.outubro.2008

No melhor dos debates entre os candidatos norte-americanos à presidência, a grande estrela não foi o democrata Barack Obama e nem o republicano John McCain. Durante todo o embate de perguntas e respostas, quem roubou as atenções foi “Joe, o encanador”, com quem Obama supostamente manteve uma conversa informal, semanas atrás, sobre economia. Para ilustrar como os programas de governo são diferentes quando o assunto é redução de impostos, McCain insistiu que Joe, o encanador, precisaria pagar mais impostos caso Obama vença as eleições no dia 4 de novembro. E Joe não foi deixado mais em paz até o fim do evento, 90 minutos depois.

Conforme se esperava, o terceiro e último debate ao vivo entre Obama e McCain, transmitido pela CNN às 22h de ontem (horário local), concentrou-se inicialmente em questões domésticas e a crise financeira em curso. Um tema delicado para um dia difícil, quando o índice Dow Jones voltou a cair em Wall Street, puxando as demaisbolsas de valores do mundo para baixo. O debate econômico, contudo, foi deixado de lado quando o mediador do debate, Bob Schieffer, perguntou se os dois teriam coragem de falar entre si, cara a cara, o que as propagandas negativas de suas respectivas campanhas dizem pelas ruas e na televisão sobre eles.

A partir da provocação do mediador, o debate esquentou com acusações mútuas e, novamente, entra em cena o encanador Joe como metáfora do americano-médio que, segundo McCain, pagaria mais impostos caso Obama se torne presidente. Obama, por sua vez, insistiu na “falta com a verdade” de McCain, insistindo que pregava exatamente o contrário, ao mesmo tempo em que acredita em mais impostos para a pequena porcentagem da sociedade norte-americana que ganha fortunas.

Diferentemente dos dois debates anteriores entre McCain e Obama, considerados mornos e de pouco interesse, o confronto pessoal (e televisionado) entre os candidatos foi o tempero que faltava até agora na campanha presidencial. As insinuações e indiretas de McCain contra Obama terminaram por mudar o rumo do debate, deixando a economia de lado e migrando para assuntos delicados como controle de natalidade, relações internacionais, petróleo, terrorismo, subsídios para biodiesel e até mesmo aborto.

A mudança de rumos beneficiou parcialmente McCain, que desde o início manteve a mesma dificuldade dos debates anteriores: desvincular seu nome da gestão George W. Bush durante os últimos oito anos. Em momento de tensão para o republicano, ele chegou a sugerir a Obama que “se você quiser concorrer contra Bush, deveria ter se candidato quatro anos atrás, não agora”.

O debate de ontem foi o último dos três debates entre Obama e McCain. No Recife, cerca de 50 pessoas puderam assistir, ao vivo, em uma iniciativa do Consulado Americano em parceria com a Associação Brasil-América (ABA). Além do novo cônsul dos Estados Unidos no Recife, Christopher del Corso, o evento contou com a presença do cientista político André Regis e do coordenador do curso de Relações Internacionais,Thales de Castros. Ambos fizeram uma análise das eleições americanas e dos debates, antes do início da transmissão. Após o debate, os três compartilharam suas impressões sobre os resultados do debate.

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