Embratel começa a oferecer WiMAX no Brasil; futuro da tecnologia ainda é incerto

Quando se começa a falar da tecnologia de banda larga WiMAX, a discussão se transforma em novela e, no Brasil, em dramalhão mexicano.

Paulo Rebêlo | UOL Tecnologia | 01.abril.2008 | link original

Há quase três anos à espera das primeiras soluções comerciais, novamente as empresas de telecomunicações anunciam que, em 2008, os usuários poderão finalmente conferir de perto a promessa de banda larga sem fio, em alta velocidade, baixo custo e longo alcance.

A primeira operadora a oferecer o serviço será a Embratel. A partir de abril, a tecnologia passa a ser entregue pela operadora para pequenas e médias empresas em 12 capitais (Belém, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Goiânia, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Luís e São Paulo). O usuário final, por enquanto, não terá acesso.

Porém, com tantas delongas, nem a indústria parece mais acreditar no sucesso do WiMAX como antes. Mundo afora, o ceticismo reina sobre até onde vai a viabilidade técnica e comercial da tecnologia, que nunca deslanchou por completo.

E a cada ano, novas possibilidades de banda larga aparecem, inclusive no Brasil, onde aos poucos as operadoras de telefonia oferecem banda larga sem fio pela rede 3G de celular a preços bem acessíveis, se comparados aos planos DSL da Oi e da Telefônica, por exemplo.

Em 2005, as primeiras investidas no Brasil surgiram e houve uma promessa de que 2006 seria o ano do WiMAX. Grande parte do otimismo foi por conta da licitação nº. 002/2006 de novas frequências em 3,5 GHz. Mais de 100 empresas entraram com propostas, mas no mesmo ano o processo foi suspenso depois de uma intervenção do Tribunal de Contas da União.

Agora, não apenas a Anatel promete uma nova licitação para 2008, como cinco empresas se uniram para comercializar soluções WiMAX no país em um novo consórcio de players. De acordo com o Teleco, site que agrega especialistas no setor, as empresas são: Icatel, Trópico, Asga, Padtec e Parks. Resta saber se elas irão conseguir superar as burocracias da Anatel e, sobretudo, a concorrência das operadoras ao oferecer Internet banda larga.

O novo consórcio irá colidir com alternativas de nome já consolidados, como é o caso da Brasil Telecom (atualmente em processo de venda para Oi, em discussão), que tem autorização para testar WiMAX na frequência de 3,5 GHz na cidade de São Paulo. A licença da Anatel foi concedida em outubro do ano passado, com validade de seis meses. A empresa, contudo, não mostra maiores detalhes sobre os testes.

Brasil Telecom, Vivo, Telefônica e várias outras empresas já anunciaram, publicamente, planos de implementação do WiMAX no Brasil. Desde 2005, vários testes são feitos e até projetos inteiros que usaram WiMAX para interligar cidades e escolas.

Por dentro do WiMAX

Tantos debates e burocracrias, mas o que faz o WiMAX ser tão problemático? Primeiro, é preciso entender como funciona a tecnologia, para depois tentar entender os meandros que talvez não tenham deixado o WiMAX obter o sucesso esperado.

Em uma linguagem menos técnica, o WiMAX poderia ser considerado uma evolução do Wi-Fi, que por sua vez é o atual padrão para acesso sem fio à Internet, o tal do wireless. Os pontos de acesso em Wi-Fi, também chamados de hotspots, são uma febre no exterior, mas aqui no Brasil ainda dá para contar nos dedos os lugares com disponibilidade de Wi-Fi fora das grandes capitais no sul e sudeste do país.

O WiMAX é um padrão aberto de conexão sem fio, certificado pelo IEEE – Institute of Electrical and Electronics Engineers. Logo, não é uma tecnologia proprietária, não há donos, embora haja empresas bem mais “empolgadas” do que outras, como é o caso da Intel. Geralmente, porque investiram muito dinheiro em pesquisa e desenvolvimento de chips e produtos para WiMAX. Fora a Intel, as empresas-líderes são AT&T, British Telecom, Fujitsu, Samsung, Sprint Nextel, ZTE, entre outras.

A transmissão do sinal WiMAX é bem parecida com a de um telefone celular. Uma torre central envia o sinal para várias outras torres espalhadas, as quais vão multiplicar o sinal para chegar aos receptores. E o usuário final recebe o sinal por uma pequena antena, ligada ao PC ou notebook via placa de rede.

Um dos trunfos do WiMAX é a flexibilidade do uso. A antena pode ficar no topo de um prédio (multiplicando a conexão para o condomínio inteiro, por exemplo) ou ao lado do gabinete do PC mesmo, como se fosse um modem externo.

Enquanto os pontos de acesso em Wi-Fi só geram sinal que alcançam uma média de 100 metros e 11 Mbps máximos, o WiMAX pode chegar a um raio de 50 km e velocidade de 75 Mbps em condições ideais. A qualidade depende da geografia (montanhas, barreiras, prédios altos) mas tende a ser bem melhor do que o Wi-Fi. A média, contudo, fica entre 10 a 40 km a depender do terreno.

WiMAX móvel é o mais aguardado por operadoras e usuários

Quando o corre-corre pelo WiMAX começou, as empresas dividiram a implementação em três etapas. A primeira é o acesso a partir de pontos fixos (as antenas de recepção no alto de uma estrutura física), permitindo acesso irrestrito em sítios, fazendas? enfim, em qualquer lugar.

Eis o principal trunfo da indústria para o WiMAX: levar Internet rápida a lugares remotos, sem infra-estrutura de cabos ou de telefonia. Com o acesso à rede em alta velocidade e sem fio, você poderia usar VoIP para substituir o telefone quase por completo.

A fase 1 foi muito bem divulgada e testada no Brasil, com projetos bem interessantes – sobretudo em Minas Gerais – na área de educação. A Fase 2 é a que mais interessa aos usuários e, evidentemente, a que nunca chegou a se concretizar de fato: quando a antena de recepção pode ficar dentro de casa e você ter uma conexão rápida e limpa.

A Fase 3 é a mais lucrativa e aguardada pelas operadoras, é o WiMAX móvel. É o acesso à Internet em movimento, sem instabilidade. Igual ao acesso de hoje no celular nas redes 3G, mas com a diferença que não haveria, teoricamente, a preocupação de ter ou não ter sinal. O padrão para WiMAX móvel já foi, inclusive, homologado pela IEEE para ser adotado em grandes áreas urbanas.

Equipamentos – Os chips WiMAX são outros diferenciais. A previsão atual da indústria é, para o final do ano, computadores saiam das lojas com chips embutidos para receber o sinal direto. A Intel é uma das principais fabricantes de chipsets WiMAX e, não à toa, a principal porta-voz da tecnologia.

Em entrevista à Reuters, o chefe de projetos centrais da Intel em Israel, Dan Eldar, sugeriu que até os próximos cinco anos o número de assinantes WiMAX chegue a 100 milhões. Previsões assim, contudo, foram ditas por gurus da tecnologia nos últimos cinco anos.

Licitações e burocracias atrasam adoção do WiMAX no Brasil

Com o cancelamento da licitação das frequências 3,5 GHz em 2006 para WiMAX, sobrou para este ano de 2008 a principal promessa de retomada. Ainda não se sabe a data, mas o mercado trabalha com a expectativa de, até março a Anatel, abrir a nova licitação. Em 2006, foram mais de 100 participantes no processo licitatório.

Na disputa, as operadoras de telefonia fixa já foram excluídas nas regras da licitação da frequência 3,5 GHz como forma de atrair a concorrência, mas ganharam na Justiça o direito de participar. O processo atrasou e se arrasta até hoje.

Quando a licitação foi suspensa pela última vez, o TCU detectou erro na taxa de câmbio dos preços das licenças no texto original das regras e Anatel se viu forçada a rever os cálculos. Todos aguardam as cenas dos próximos capítulos.

Enquanto as burocracias não se resolvem, algumas empresas passaram a oferecer o mesmo recurso pelas redes de celular. A Parks, uma das cinco empresas do consórcio formado em dezembro do ano passado para explorar comercialmente o WiMAX no Brasil, já prevê crescimento em 30% para 2008, ao lançar uma linha de produtos para o acesso fixo e móvel. Há, ainda, a possibilidade de uma versão híbrida nos dois padrões homologados pelo WiMAX Fórum (802.16d e 802.16.e)

A TVA garante que ainda não lançou serviços de WiMAX em 2,5 GHz por não ter homologação da Anatel, mas promete novidades a qualquer momento em Curitiba. A capital do Paraná é sede da primeira rede de WiMAX da TVA.

As barreiras burocráticas, contudo, não são muito diferentes das enfrentadas na telefonia. Por exemplo, a Embratel é uma das poucas empresas atualmente habilitadas a oferecer WiMAX em 3,5 GHz, pois dispõe dessa faixa de espectro desde 2002, ao adquirir em leilão. A barreira comercial é, justamente, fazer com que empresas e operadoras se unam para fortalecer o padrão e oferta aos usuários, com preços competitivos.

Empresas usam idéia de inclusão digital para promover adoção de WiMAX

Uma tática das empresas para promover o WiMAX junto a governos é apoiar a idéia de inclusão digital. Como a tecnologia de acesso consegue levar Internet sem fio até áreas remotas e sem infra-estrutura de cabos, torna-se uma excelente pedida— tecnicamente falando— para implementar o acesso nas cidades do interior.

No entanto, como mostra a experiência brasileira, essas mesmas cidades não geram receitas suficientemente interessantes para qualquer empresa. O resultado é o quadro atual da Internet banda larga no Brasil. Poucas cidades fora das capitais possuem boas modalidades a preços justos.

Diferentemente do Wi-Fi (que não é regulamentado), o WiMAX pode usar frequências licenciadas pela Anatel ou não. No caso das licenciadas, há segurança e diretrizes a seguir, como ocorre com a telefonia celular. Ninguém sabe ao certo quanto o WiMAX irá custar ao usuário final. Pela lei de mercado, não deve ser tão diferente das opções disponíveis hoje.

Em tese, deveria ser mais barato nas capitais e um pouco mais caro no interior, onde não há cabeamento para Internet terrestre banda larga. As operadoras guardam os estudos comerciais a sete chaves. Segundo fontes do setor, apenas uma coisa é certa: o custo de implementação para as operadoras é bem menor no WiMAX do que no DSL.

Na prática, a implementação do WiMAX tem demorado mais do que qualquer previsão. Nos Estados Unidos, somente agora ocorre uma movimentação maior e as primeiras experiências verdadeiramente comerciais para usuários. No final deste ano é que as principais cidades americanas irão usufruir, de fato, do WiMAX comercial e amplo. Isto é, de acordo com a previsão das operadoras de lá. Em todo o mundo, existem apenas 75 redes WiMAX comerciais, nem todas potencialmente funcionais.

No Brasil, setores acreditam que a oferta de Internet sem fio pela rede 3G de celular pode ser o fim das possibilidades para o WiMAX no país. Pois, assim, não haveria tanta demanda (poucos usuários interessados ou com poder aquisitivo suficiente) e nem interesse de maiores investimentos para um produto que, na ponta final (do usuário), não teria tanta diferença assim na prática.

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