Paraíba // Caravana de apoio à transposição do São Francisco

Paulo Rebêlo
Diario de Pernambuco – 14.mar.2008

Monteiro (PB) – Carros de som e fogos de artifício logo cedo, às 6h da manhã. Foi o jeito pontual e nada sutil de convocar as pessoas à praça pública para o ato em defesa da transposição do Rio São Francisco, realizado nesta cidade do Cariri paraibano, a 350 km do Recife. Os fogos eram o início da grande acolhida popular que estava por vir, à tarde, com a chegada do ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima.


Apesar de a presença do governador de Pernambuco ter sido dada como certa pelas rádios locais ainda ontem, Eduardo Campos (PSB) não compareceu conforme comunicado desde quarta-feira. Outros governadores, como Wilma de Faria (RN) e Cid Gomes (CE) também não conseguiram chegar a tempo, mas por falta de políticos regionais presentes no evento a cidade de Monteiro não pode reclamar. Geddel chegou acompanhado do governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima, e vários outros políticos locais e regionais – que evidentemente não podiam perder a oportunidade de espalhar cartazes pela cidade com frases de apoio à transposição e de agradecimentos ao presidente Lula.

Praticamente uma unanimidade na Paraíba e no Rio Grande do Norte, sobretudo na Região do Cariri (Sertão), a transposição do São Francisco é vista pela população local quase como o messias salvador do sofrimento nordestino. Na Paraíba, é muito forte o clima de conflito entre irmãos, por conta de lideranças sociais e políticas na Bahia e Sergipe, que são contra o projeto de transpor as águas do rio. Não à toa, o inflamado discurso do ministro Geddel Vieira Lima pesou ao falar sobre solidariedade entre os estados nordestinos. O Ministério da Integração Nacional é quem comanda as obras e, de acordo com o ministro, agora não há mais impedimentos legais e os estados do Nordeste Setentrional (norte) vão poder, finalmente, usufruir das águas após o término das obras. Orçada em R$ 6 bilhões, a previsão é construir até 2010 os dois canais (eixo norte e eixo leste), cujo segundo termina aqui em Monteiro.

Com dedo em riste, rosto vermelho e aos berros, Geddel chegou a pedir para que a população “não o confundisse com algumas lideranças políticas” da Bahia, seu estado de origem, que se colocam contra a transposição “para barganhar com o governo federal”. Garantiu que, diferentemente do que dizem os oposicionistas ao projeto, o benefício primário será matar a sede dos nordestinos, não apenas o agronegócio. Ao ter suas trajetórias política e pessoal elogiadas durante quase todo o discurso do governador Cássio Cunha Lima, e também da prefeita de Monteiro, Lourdinha Aragão (PMDB), o ministro chegou a dizer que “se continuassem, minhas lágrimas iam servir de água para a transposição”.

Números – Durante a manhã, técnicos do ministério e da Agência Estadual de Águas (AESA) tentaram, sem muito sucesso, conquistar a atenção de um auditório lotado com as palestras técnicas previstas na programação, pelas quais os números da transposição – vazão e volume de água, carência hídrica, benefícios diretos, distribuição – foram mostrados. Pelo menos trêsmil pessoas lotaram o espaço e boa parte manteve-se do lado de fora, de onde era possível escutar parte dos discursos.

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