Estados cobram agilidade nas obras da transposição

SÃO FRANCISCO // Governadores e prefeitos promovem ato para exigir ação do governo

Paulo Rebêlo
Diario de Pernambuco – 13.mar.2008

Monteiro (PB) – Quem tem sede, apóia. Eis o lema que move governadores e quase 100 prefeitos da região Nordeste reunidos hoje, desde cedo, nesta cidade do cariri paraibano para um ato a favor da transposição do rio São Francisco. Até o final do dia, são esperadas 10 mil pessoas em praça pública para cobrar do governo federal, representado pelo ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, uma solução aos impasses que continuam travando o avanço das obras. Ele se junta aos governadores, o tucano Cássio Cunha Lima (PB) e os socialistas Cid Gomes (CE) e Wilma de Faria (RN). O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), não vem para o ato. Segundo sua assessoria, hoje à tarde ele tem uma reunião e irá receber uma medalha em Teresina, no Piauí.


Uma da principais bandeiras do governo Lula para o desenvolvimento nordestino, o projeto de transpor e revitalizar a bacia hidrográfica do São Francisco promete abastecer partes do semi-árido nordestino e fomentar várias formas deagriculturas irrigadas. Pesquisadores, religiosos e partes da sociedade civil, contudo, são contra o projeto da União e argumentam que o governo não debateu a questão suficientemente, além de alegarem impactos ambientais irreversíveis.

E por falar em religiosos, é justamente o arcebispo da Paraíba, Dom Aldo Pagotto, uma das vozes mais presentes a favor da empreitada. Presidente do comitê de defesa da transposição neste estado, ele abre o ato hoje às 8h da manhã em Monteiro, seguido pelo Padre Djacy Brasileiro e sua famosa cruz de latas, a qual simboliza a seca no Nordeste e está exposta no centro da cidade como referência para o sofrimento do sertanejo.

Integração – Técnicos do Ministério da Integração Nacional e da Agência Estadual de Águas (AESA) irão apresentar novamente a proposta de integração das bacias e revitalização, além de um esboço sobre como ficaria a distribuição de água na Paraíba e em outros locais do Nordeste. Geddel Vieira chega após o almoço, vindo de Souza (PB), para uma rápida coletivaem que deve revelar a atual situação das obras. De acordo com a prefeita de Monteiro, Lourdinha Aragão (PMDB), a principal cobrança é saber quando as obras irão de fato deslanchar. Monteiro é o ponto final do segundo eixo (leste) da transposição, cujo canal tem início em Floresta (PE) e deve retirar água da Barragem de Itaparica (BA). O primeiro eixo (norte) tem início em Cabrobó (PE) e, após vários protestos e liminares que suspenderam o início das obras da primeira etapa, o exército continua no local para as primeiras escavações e trabalhos de topografia.

Há mais de um ano, porém, os paraibanos do cariri aguardam o início das obras na região, paradas por sucessivas liminares na Justiça e falta de licenças ambientais. Segundo a prefeita Lourdinha, “todas as licenças ambientais já foram feitas e os impedimentos judiciais acabaram, agora não há mais motivo para espera. O povo tem sede, mas as obras sequer foram licitadas ainda. Esperamos que o ministro traga novidades”, confia.

Monteiro é o maior município em extensão da Paraíba, com uma imensa zona rural com graves problemas de abastecimento, dependendo quase que exclusivamente de carros-pipa. “Quem é o contra o projeto, fala em soluções que não funcionam, como cisternas, poços e até mesmo mais carros-pipa, é um absurdo. Todos os prefeitos da Paraíba e do Nordeste apóiam, apenas uma minoria é contra”, garante.

Na Paraíba, são 121 municípios que dependem de carro-pipa. Representantes de movimentos sociais e da indústria também estão presentes na cidade, que promete muito barulho até o final do dia. Desde ontem, cartazes e painéis podem ser vistos espalhados pela cidade, além de carros de som anunciando o ato e convocando a população a participar.

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