Discos rígidos (HD) de 10.000 RPM

Paulo Rebêlo
UOL Tecnologia – 24.julho.2007
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Processador e memória RAM são as duas coisas que todo mundo pensa na hora de comprar um computador novo ou fazer um upgrade para ganhar velocidade. No entanto, quando o assunto é disco rígido (ou HD, do inglês ‘hard disk’), as apostas diminuem e o espaço para armazenamento é geralmente o único fator que se leva em consideração. Um grave erro. HDs com espaço de sobra são importantes, sem dúvida, principalmente para guardar fotos, filmes e músicas. Mas quem procura performance deve prestar atenção a dois detalhes pouco destacados por vendedores: a velocidade de rotação e a quantidade de memória buffer no disco.

A velocidade de rotação denota o tempo que o disco leva para procurar e acessar os dados embaralhados no disco. Quanto maior a velocidade, mais rápido é o acesso. Até pouco tempo atrás, o padrão era de 5.400 RPM (rotações por minuto) para computadores de mesa (desktop) e 4.200 RPM para notebooks. Hoje, é até difícil encontrar esses discos à venda, pois o padrão tornou-se de 7.200 RPM, que chega a ser até 40% mais rápido. Os notebooks atuais costumam vir com discos de 5.400 RPM e, modelos maiores e mais caros de portáteis, com discos de 7.200 RPM.

A memória buffer do HD é um recurso relativamente novo, que passou a ser adotado a partir da popularização dos HDs de 7.200 RPM. É uma pequena porção de memória onde o HD acessa dados de forma mais rápida, em um cálculo que tenta antecipar o que será exigido pelo processador antes mesmo de você acioná-lo. No início, os HDs novos vinham com 2 MB de buffer. Hoje, evite comprar HDs com menos de 8 MB. Modelos aprimorados e maiores trabalham com 16 MB. É sempre bom procurar nas especificações do disco, pois tem muita loja vendendo modelo antigo, de 7.200 RPM, sem buffer.

É possível ter um 10 mil RPM em casa
O que poucos usuários sabem é que existem HDs domésticos que funcionam a 10 mil RPM. Eles não exigem recursos extras na placa-mãe ou um periférico extra, como é o caso dos HDs SCSI, bastante utilizados em servidores. A maioria dos HDs SCSI trabalham a 10 mil RPM e modelos mais novos já chegam a 15 mil RPM. Para entender a diferença, os HDs SCSI são bem mais caros, tem menos espaço para armazenamento e exigem mais conhecimento técnico para instalar. Portanto, sempre estiveram distantes do usuário doméstico.

Os HDs domésticos a 10 mil RPM -que oferecem o máximo de desempenho (equivalente a um disco SCSI), sem as desvantagens do preço alto e da complicação na instalação- já existem no mercado há vários anos, mas apenas uma fabricante oferece o produto: a Western Digital. No Brasil, não é toda loja que vende, mas as principais redes especializadas comercializam as versões de 36 GB, 80 GB e 150 GB.

O preço, evidentemente, é maior: a versão de 36 GB custa R$ 500,00, em média, a versão de 80 Gb custa R$ 750,00 e a de 150 GB sai por cerca de R$ 1.000,00. O preço sugerido da fabricante nos EUA para o de 150 GB, é US$ 270,00. Apesar do alto valor, os resultados são satisfatórios, como veremos no teste.

Os números –
Para nossos testes, usamos dois softwares gratuitos: HD Tune e HD Tach. Há outras opções no mercado, geralmente comerciais, como é o caso do Sisoft Sandra e até do próprio Nero, que serve para gravar CDs e DVDs, mas possui um teste bem simples de velocidade de acesso.

A vantagem do HD Tune e do HD Tach é que, além de pequenos e gratuitos, são específicos para discos rígidos. Vale lembrar que os resultados aqui são os valores médios, porque os valores absolutos podem variar (pouca coisa) de disco para disco, principalmente entre os modelos de marcas desconhecidas ou de qualidade duvidosa. Os valores mostrados pelos softwares são de trabalho em tempo real, o que significa que será sempre inferior aos dados fornecidos oficialmente pelas fabricantes, que testam o produto apenas em condições ideais e mostrando as taxas máximas de acesso.

Colocamos um HD de 5.400 RPM externo da Western Digital, ligado na porta USB 2.0, para comparar com um HD de notebook, também de 5.400 RPM da Samsung. Veja no gráfico abaixo que, apesar de terem a mesma rotação, o notebook ganha um pouco na velocidade de acesso, devido ao gargalo da porta USB.

DISCO RÍGIDO: NOTEBOOK X HD EXTERNO
Notebook, 5.400 RPM, 80GB x Externo, 5.400 RPM, USB 2.0, 80GB

16.8 ms — Tempo de acesso (amarelo) — 18.1 ms
1.7 MB/s — Transferência mínima (azul) — 13.8 MB/s
35.4 MB/s — Transferência máxima (azul) — 21.4 MB/s
27.8 MB/s — Média de transferência (azul) — 19 MB/s
99.6 MB/s — Pico de performance de acesso (amarelo) — 24.3 MB/s

A principal diferença entre os discos acima é o pico de performance, por haver menos gargalo na transferência com um HD interno, do notebook. Esse pico de performance é justamente a operação de ler os dados do disco rígido e transferi-los para o sistema operacional, também conhecida como ‘burst rate’ em inglês. Em geral, um HD lotado vai ter um pico de performance inferior. No caso do notebook, testamos com um disco quase todo limpo, apenas com o Windows instalado. Com bastante espaço vazio, o ‘burst rate’ vai lá para cima, apesar da baixa rotação.

Vamos comparar agora os desempenhos de um HD de 7.200 RPM com um de 10 mil RPM.

DISCO RÍGIDO: 7.200 RPM X 10 MIL RPM
HD 7.200 RPM 120GB x HD 10 mil RPM, 74 GB (partição c/ apenas 50 GB)

13.9 ms Tempo de acesso (amarelo) 6.2 ms
20.8 MB/s Transferência mínima (azul) 47.7 MB/s
42.0 MB/s Transferência máxima (azul) 96.8 MB/s
34.7 MB/s Média de transferência (azul) 90.6 MB/s
77.4 MB/s Pico de performance de acesso (amarelo) 95.8 MB/s

Perceba como o tempo de acesso, em um HD de 10 mil RPM, cai pela metade quando comparado a um de 7.200 RPM. E na hora de transferir arquivos (entre um disco e outro, ou entre partições), a média é quase três vezes maior.

Softwares e aplicações com melhores benefícios
Os números fornecidos pelos fabricantes nem sempre refletem a realidade dos usuários. Para se ter uma idéia, a Western Digital, que fabrica os HDs de 10 mil RPM, coloca nas especificações que a taxa de transferência é de 150 MB/seg, quando na verdade este valor é apenas o máximo nominal, quase nunca atingido pelo usuário comum.

Os valores também são dúbios quando analisamos a quantidade de espaço disponível no HD. Um HD de 7.200 ou 5.400 RPM que esteja lotado, sempre terá um desempenho inferior em relação ao mesmo modelo que esteja com mais espaço vazio. Eis outra vantagem dos modelos de 10 mil RPM: mesmo com pouco espaço eles garantem um acesso rápido nos dados. No modelo que testamos, ele estava com 70% da capacidade ocupada e, mesmo assim, mostrou resultados bem superiores aos demais.

Enfim, vale a pena gastar mais e comprar um HD de 10 mil RPM? Depende do uso. Para uso diário, com aplicativos de escritório, a diferença é imperceptível. Apenas os softwares ou aplicações que exigem acesso constante ao disco é que vão ganhar. Neste quesito, os games são essenciais. Sabe aquela demora toda entre uma fase e outra, enquanto o jogo carrega o cenário? Pois é, com um HD de 10 mil RPM, a espera pode se reduzir até pela metade, se você tiver memória RAM suficiente (dentro das especificações do jogo para boa performance).

Quem precisa editar vídeo e transferir grandes volumes de arquivos diversas vezes, também se beneficia. No entanto, vale a pena avaliar o quanto você de fato usa os games ou edita vídeos- ficando apenas nestes dois exemplos-, já que a diferença de preço entre os modelos é alta (veja alguns modelos).

Até hoje, há apenas os três modelos disponíveis da Western Digital de 10 mil RPM: 36 GB, 76 GB e 150 GB. Os primeiros modelos trabalhavam com 8 Mb de buffer, os mais recentes chegam com 16 Mb de buffer -o que há de mais moderno para armazenamento doméstico. Quem quiser gastar menos, pode procurar também os modelos de 7.200 RPM com amplo espaço, algo como 250 GB em diante. Se você não ocupar o espaço inteiro do disco, terá um tempo de acesso bem superior a um modelo de mesmos 7.200 RPM, mas com menos espaço.

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