Blu-ray e HD-DVD: entenda as diferenças e veja se vale investir

Paulo Rebêlo – UOL Tecnologia – 02.março.2007
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Após dois anos de especulações sobre o “novo” padrão de DVD, finalmente o consumidor brasileiro pode começar a pensar em investir em cinema caseiro de alta definição. As fabricantes anunciaram oficialmente os produtos voltados ao Blu-ray e HD-DVD, que são os formatos concorrentes que tendem a substituir o atual DVD em um futuro não muito distante, mas que ninguém ainda arrisca dizer quando. A grande questão é se vale a pena comprar um aparelho novo. Nomenclaturas técnicas à parte, quais são as diferenças práticas entre um formato e outro? O ganho de qualidade é mesmo superior ao atual DVD? Vamos tentar entender um pouco. Afinal, falamos de um investimento médio de R$ 3.000, mais do que valem muitos computadores potentes de hoje.

De onde surgiu o nome de batismo desses dois formatos? Simples. O “HD” de HD-DVD significa apenas High Definition. E o Blu-ray (que no início era chamado de Blue-ray) é porque o feixe de laser para ler e gravar os dados tem coloração azul (blue). No DVD convencional, o laser é vermelho.

Formatos diferentes
A principal diferença entre os formatos é a capacidade de armazenamento, com vantagem para o Blu-ray, que armazena 25 GB em discos de uma camada (50 GB em duas camadas), contra 15 GB do HD-DVD de uma camada (30 GB em duas camadas). Por conta do maior espaço disponível, setores da indústria acreditam que o Blu-ray tenha preferência maior em aplicações de informática (software, games, backup) em contrapartida aos filmes.

As capacidades diferentes ocorrem por conta da diferença no método de gravação dos dados. Mas as diferenças técnicas entre os dois formatos quase não existem. O HD-DVD tem como empresa líder a Toshiba, com suporte da Microsoft, Sanyo, NEC e estúdios de Hollywood como New Line e Universal. O Blu-ray, da Sony, tem parcerias com Apple, Panasonic, Philips, Samsung, Sharp e outros estúdios de cinema.

No final das contas, toda essa briga entre Blu-ray e HD-DVD só interessa às fabricantes, e não ao consumidor. Ao adquirir um determinado produto, você poderá em breve se deparar com um aparelho obsoleto e sem suporte. É uma aposta.

Aos poucos, chegam ao mercado internacional aparelhos que reproduzem ambos os formatos, mas o preço ainda está além da realidade da maioria dos consumidores. Mesmo assim, fica a pergunta: qual o sentido de um aparelho para dois formatos se, talvez, um deles não sobreviva?

As fabricantes não se importam. Os primeiros notebooks com drives HD-DVD e Blu-ray já começaram a ser vendidos. No Brasil, Sony e Toshiba também iniciaram as vendas dos aparelhos —apesar de quase não haver títulos disponíveis no mercado local. O trunfo para o consumidor é a vantagem da alta definição. Mas será que é verdade? Confira a reportagem e descubra.

Alta definição depende da mídia, mas também da TV

Quem hoje compra um player HD-DVD ou Blu-ray pode chegar em casa e se deparar com imagens praticamente idênticas ao DVD atual. O resultado: decepção generalizada. Em determinadas situações, a tal da alta definição pode até distorcer um pouco a imagem e fazer você ter a impressão de que está diante de um produto inferior.

A explicação é simples. Blu-ray e HD-DVD são apenas meios físicos para armazenar o conteúdo em alta definição. Os aparelhos que reproduzem os discos são os responsáveis por decodificar a informação e mostrá-la. E onde as imagens são exibidas? Na televisão. Ou seja, uma imagem em alta definição exibida em uma televisão convencional, será sempre em baixa resolução para seus olhos. No caso, a “baixa” resolução significa a mesma qualidade que você estava acostumado antes.

Para ter uma idéia da sinuca de bico, basta lembrar que os DVDs atuais que você aluga na locadora da esquina têm, desde sempre, uma definição maior do que a maioria das pessoas pode ver na televisão de casa. O DVD atual só exibe sua total e melhor definição, de forma perceptível, em televisores melhores, como plasma e LCD de boa qualidade. Só que o mesmo não vale para os filmes em Blu-ray ou HD-DVD.

Por ter uma capacidade de definição ainda maior, os filmes em HD-DVD e Blu-ray exigem televisores ainda melhores. E a maioria dos aparelhos de plasma e LCD vendidos no mercado brasileiro não são preparados para alta definição, são apenas os chamados definição padrão (Standard), superiores aos modelos de tubo (CRT), mas longe da alta definição exigida pelos novos padrões de DVD. O problema é que, como sempre, as lojas quase nunca avisam ao consumidor que ele está torrando R$ 5.000 em um modelo de plasma que não é de alta definição. Aquelas imagens super coloridas e com super contraste que ficam à mostra iludem de verdade.

Logo, se você é fanático por filmes e quer mesmo o melhor que a tecnologia pode lhe oferecer, é preciso calcular o investimento não apenas no meio de armazenamento (Blu-ray ou HD-DVD), mas sobretudo no meio de projeção. E não esqueça do áudio, é claro. Afinal, assistir Matrix em alta definição com aquelas caixinhas de som pequenas também não vai ajudar muito.

Quase a totalidade dos modelos de plasma vendidos hoje no Brasil —principalmente esses em promoção, que tiveram preços reduzidos— não são preparados para alta definição e, ainda por cima, usam tecnologias antigas para reproduzir a imagem. Muita gente está trocando gato por lebre e não sabe. Uma saída é exibir os filmes HD-DVD e Blu-ray a partir de um projetor de alta qualidade que, a depender do modelo, pode ser mais barato e útil do que uma televisão LCD ou plasma de alta definição.

Para entender um pouco melhor as diferenças, leia esta matéria. E para saber mais sobre os aspectos técnicos do CRT e LCD, vale a pena ler isto aqui.

Entenda a compressão de áudio e vídeo no Blu-ray e no HD-DVD

Blu-ray e HD-DVD armazenam filmes no formato MPEG-2 (o mesmo do atual DVD), VC-1 e H.264. Estes dois últimos conseguem reproduzir imagens melhores com um nível de compressão maior e, na prática, são os fatores que tornam o formato superior para filmes.

O VC-1 é a versão aprimorada de um código desenvolvido pela Microsoft no Windows Media e é o padrão original de armazenamento para Blu-ray e HD-DVD. Já o H.264 é bem conhecido dos entusiastas de vídeo digital, é um formato com taxa de compressão altíssima e que nasceu do MPEG-4, que foi a base do padrão DivX nos primórdios dos filmes piratas baixados pela Internet. De uma certa forma, podemos dizer que o H.264 nada mais é do que a evolução real do MPEG-4, que por sua vez já era uma evolução considerável frente ao MPEG-2 dos DVDs atuais.

No quesito áudio, a história é outra. Apesar de similares, o Blu-ray permite que o áudio digital no formato AC-3 (o mesmo dos DVDs atuais) use compressão de 640 kbps, que é maior do que o limite de 448 kbps do HD-DVD. O resultado é mais qualidade do som, mas que uma ínfima porcentagem das pessoas vai perceber. A diferença é percebida apenas em equipamentos (caixas de som) adequados e com o volume alto.

No quesito resolução de imagem, o DVD comum reproduz a imagem em máximo de 720×480 ou 720×576, que já é bem mais do que as televisões convencionais suportam. Blu-ray e HD-DVD têm resolução máxima de 1920×1080, ou seja, o dobro. Essa resolução de 1920×1080 é o alicerce da chamada alta definição completa, mas a partir de 1280×720 a indústria já considera como alta definição. Abaixo disso, não é alta definição. E a maioria das TVs de plasma vendidas no Brasil não passam de 800×600 em média. Somente agora é que modelos mais novos (e bem mais caros) de plasma estão se aproximando de 1280×720 de resolução.

Toda essa confusão de siglas e letras implica em apenas duas coisas: Blu-ray e HD-DVD oferecem áudio e vídeo digitais com melhor qualidade e nitidez. Se você será capaz de observar a diferença, aí é outra história…

Público ainda subutiliza o próprio DVD, dizem analistas

A maioria dos analistas da indústria é unânime ao dizer que, ainda hoje, a maioria das pessoas não conhece o poder do próprio DVD, este que a gente compra no supermercado ou pega na locadora. A maior parte do público usa o DVD ligado a uma televisão comum de 14 ou 20 polegadas, subutilizando as vantagens do padrão digital.

Primeiro, porque a versão original e de melhor qualidade dos filmes são gravados no formato widescreen (16:9), e não no formato “quadrado” (4:3) das televisões convencionais. Os DVDs em tela-cheia, ou seja, sem aquelas tarjas pretas, são filmes redimensionados e que perdem em qualidade e proporção de imagem. Ao mesmo tempo, o DVD atual pode apresentar uma resolução ainda melhor —e visível aos seus olhos— quando usados em televisões de plasma e LCD.

O uso de cabos adequados também é, geralmente, deixado de lado pelo consumidor. Há televisões que não possuem entrada para cabos digitais, porém, mesmo em aparelhos mais recentes nos quais há essa possibilidade, muita gente não sabe ou não é orientada pelo vendedor do produto.

Outra questão é a quantidade de conteúdo disponível no DVD, bem inferior ao HD-DVD e Blu-ray. A grande dúvida do mercado, para a qual ninguém ainda se prontificou a dar uma resposta convincente, é simples: o que os estúdios de Hollywood vão incluir em tantos gigabytes disponíveis nos discos da nova geração?

O DVD atual, de camada simples, comporta até 4,7 GB de dados. É o suficiente para um filme inteiro e vários extras, mesmo usando uma codificação antiga (o MPEG-2). Com o HD-DVD/Blu-ray, são até 50 GB disponíveis, e isso usando uma codificação ainda melhor, com taxas de compressão maiores. O que acontece, hoje, é que boa parte dos poucos filmes disponíveis no mercado subutilizam a capacidade de ambos os novos padrões. E ninguém espera que Hollywood comece a fazer filmes com seis horas de duração só por causa disso.

Informática é grande nicho para sucessores do DVD, mas preço não ajuda

Para filmes, os formatos Blu-ray e HD-DVD ainda têm um longo caminho a percorrer até mostrar, de fato, que valem a pena o investimento. Por outro lado, para usuários de informática, o avanço é considerável, principalmente para o Blu-ray. Os gravadores desses novos formatos já estão no mercado, e você terá em mãos uma poderosa ferramenta de backup e armazenamento de dados.

Em um simples disco dupla-camada de Blu-ray, são 50 GB disponíveis. Para ter uma idéia, jogos recentes como Neverwinter Nights 2 ocupam nada menos do que 10 GB em dois discos DVD. O RPG online Guid Wars, que pode ser baixado completo da Internet, atualmente ocupa 10 GB de espaço. Com Blu-ray ou HD-DVD, a perpsectiva para jogos e aplicativos tridimensionais é excelente.

Outra vantagem é que os gravadores não exigem nenhuma mudança de equipamento no seu computador atual. São drives comuns, iguais aos gravadores de DVD de hoje. São ligados pela IDE com cabos simples e exigem apenas 256 MB de memória RAM (512 MB recomendados) para o processo de gravação, além de um processador de 800 MHz ou superior. E eles também gravam formatos antigos: CD-R, CDRW, DVD-R, DVDRW etc.

Preços dos discos
Mesmo novidades, os gravadores de Blu-ray e HD-DVD já têm preços competitivos no mercado internacional. Obviamente, eles são mais caros no Brasil. Um drive da Sony para gravar Blu-ray no computador custa R$ 2 mil no mercado internacional, em média. No Brasil, o preço aumenta cerca de 50% por causa de impostos. O engraçado é que, no Brasil, apenas o aparelho reprodutor dos discos custa quase R$ 3.000. Neste ponto, o HD-DVD é uma opção mais barata, tanto para os aparelhos como para os discos.

Apesar das maravilhas e do preço competitivo no mercado internacional, Blu-ray e HD-DVD esbarram em uma desvantagem enorme: o preço unitário dos discos. Um disco Blu-ray virgem para gravação/regravação custa R$ 100. O disco HD-DVD é apenas um pouco mais barato, na faixa de R$ 80. É um fator que ainda inviabiliza a adoção em larga escala.

Como a briga das fabricantes entre os dois formatos ainda deve perdurar, não há luz no fim do túnel para que o valor dos discos caia consideravelmente e em breve. Enquanto isso, hoje você encontra DVDs virgens genéricos (sem marca) por R$ 2 na maioria das lojas do shopping ou no mercado. Mídias de marca, é possível encontrá-las por cerca de R$ 4.

Briga de formatos de mídia é incerta, mas história é longa

Quem vai sobreviver, Blu-ray ou HD-DVD? Nesta briga entre fabricantes, não é o melhor que sobrevive, mas aquele que conseguir convencer a maior quantidade de empresas e estúdios a adotarem seu padrão.

Ambos têm suporte dos estúdios de Hollywood, mas o Blu-ray tem a vantagem de oferecer mais capacidade e de ser o carro-chefe do Playstation 3, videogame de última geração da Sony. O Playstation 3 se transforma não apenas em videogame, mas também em um player de Blu-ray igual aos aparelhos stand-alone que as lojas vendem. É quase um produto com dupla finalidade e por um preço mais em conta. O problema é que, mundialmente, o Playstation 3 está vendendo muito pouco. Enquanto isso, a Microsoft acaba de anunciar um drive HD-DVD externo para o Xbox 360, videogame da empresa e concorrente direto do Playstation 3.

Muita gente talvez não se lembre —talvez porque não era nascido na época—, mas essa briga de formatos já virou novela. Basta relembrar a clássica época em que as fitas VHS disputavam mercado com o Betamax, no final dos anos 70 e até meados dos anos 80. O curioso é que o Betamax foi desenvolvido pela Sony e chegou primeiro ao mercado, enquanto o VHS, criado pela JVC, chegou um ano depois, em 1976.

Há farta literatura na Internet sobre a briga entre VHS e Betamax, inclusive sobre as qualidades e defeitos de cada um, com teses de que o VHS sobreviveu por uma questão mercadológica, pois o Betamax era superior tecnicamente. Há controvérsias, mas o fato é que o Betamax era um formato proprietário da Sony, enquanto o VHS permitia que as fabricantes oferecessem produtos diferentes, o que acirrou a competição e ofereceu maior portabilidade.

Durante quase toda a década de 80, a Sony seguiu com o desenvolvimento do Betamax, apesar da predominância do VHS no mercado. Apenas em 1988 o formato foi aposentado pela fabricante, que passou a vender aparelhos VHS.

Há diversas outras brigas de formatos na história da indústria de entretenimento. Em comum, apenas um fator: o consumidor sempre foi o mais prejudicado, pois em várias situações viu um alto investimento se perder. Nos anos 90, tivemos a introdução dos mini-discs (MD) da Sony contra o DCC (cassetes digitais) da Phillips. Hoje, ambos aposentados na prática —no Brasil, nem chegaram a se popularizar. Temos também o DVD-Audio contra o Super Audio-CD, além dos formatos diferentes para gravar DVD —o DVD+R e DVD-R, que hoje existem em “harmonia” e não chegaram a prejudicar tanto o bolso de quem investiu em gravadores.

Sucessores do DVD retomam discussão sobre pirataria

Copiar um DVD hoje em dia é mais fácil que tirar um doce de criança. Pelo computador, softwares grátis fazem todo o processo e quebram as travas digitais de proteção mais comuns. Com o Blu-ray e o HD-DVD, a aposta da indústria e dos estúdios era tentar acabar com essa facilidade ou, ao menos, dificultar a cópia de conteúdo.

Até o momento, o Blu-ray está em vantagem, ao menos para a indústria. O HD-DVD já teve a proteção quebrada e softwares fazem o serviço, inclusive, permitindo re-compressões e cópias diretas.

Em fevereiro, um hacker alegou ter quebrado a proteção anticópias usadas em ambos os formatos. Dois meses antes, no final de 2006, outro hacker divulgou em um fórum um programa que conseguia burlar a tecnologia de proteção de dados do HD-DVD.

Recentemente, estúdios de Hollywood declararam opção pelo Blu-ray no lugar do HD-DVD para o lançamento de novos filmes, colocando os engenheiros da Toshiba na berlinda. Se a tendência continuará, só o tempo poderá dizer.

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